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Na tribuna aberta do Hyde Park, em Londres, um pregador tecia maravilhas ao Cristianismo nos 2000 anos da sua história. Um ouvinte, objectou:
– Vós cristãos devíeis ter vergonha. Depois de vinte séculos ainda há muita conversão a fazer. Celebrais um grande Jubileu mas esqueceis a vossa miséria.
O pregador não se descompôs:
– Pois é, meu caro. O Sabão existe desde há muitos séculos mas nem por isso deixou de haver sujidade. É preciso em primeiro lugar saber que estamos sujos e depois agarrar no sabão.

A Quaresma que iniciámos tem uma especial importância, neste grande Jubileu. Digamos que estes 40 dias são uma espécie de sabonete que temos ao nosso alcance para nos prepararmos para um encontro com Cristo glorioso. Iniciámos esta caminhada impondo-nos as cinzas, que para além do mais, tem reconhecidas propriedades detergentes. Esta é uma boa oportunidade de fazer uma purificação da memória. A história da Igreja é uma história de santidade. A vida de tantos santos confirma a verdade do Evangelho, sinal visível de que também podemos ser perfeitos. No entanto, é forçoso reconhecer que a história também regista numerosos episódios que constituem um contra-senso para o cristianismo. Este é o tempo de purificação. E sabão não falta.

 

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com