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– Senhor Padre, porque é que João Baptista pregava no deserto?
– Porque era lá que ele vivia – respondi – Para além disso o deserto sempre foi um lugar de encontro consigo mesmo e com Deus. Mas porque é que me perguntas isso?
– É que eu pensava que ele pregava no deserto porque ninguém o ouvia…

De facto, parece que João pregou para o deserto pois, passados 2000 anos, a mesma voz se faz ouvir sem surtir ainda o efeito desejado. E mesmo acordado sonhei. No meu sonho apresentei-me diante de João Baptista para lhe dizer:

– Repara que ninguém te ouve. Tu não consegues mudar as pessoas. Todos os anos a mesma pregação… Muda o teu discurso…
– Não. Se eu não sou capaz de mudar as pessoas, não serão elas a mudar-me. Endireitai o caminho do Senhor – gritou ainda mais forte.

Ao acordar ainda me soavam essas mesmas palavras. Que fazer para endireitar esse caminho para que esta pregação não ficasse por terra? Lembrai-me então das sandálias de que João falava. Pois é. Em vez de retirar todas as pedras do longo caminho o melhor é calçar uns fortes sapatos para não sentir a aspereza do chão. Pareceu-me então ouvir a mesma voz a dizer: mãos à obra, ou melhor, pés a andar.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com