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Sonhei que era a mim que Jesus perguntava:
– David, filho de João, tu amas o teu Senhor?
– Claro que sim, tu sabes que te amo.
– E se estiveres fisicamente incapacitado, ainda assim amarás o teu Deus?
Olhei para mim, vi as minhas mãos, os meus pés e todo o meu corpo e reparei em tantas coisas que assim seria incapaz de fazer e respondi:
– Seria difícil, Senhor, mas mesmo assim amar-te-ia.
Jesus continuou:
– Se ficasses cego, continuavas a amar a minha criação?
Pensando em tantos invisuais que amam a Deus mais do que eu, respondi:
– Não sei como, mas ainda assim não deixaria de te amar.
– E se fosses surdo? Ouvirias na mesma a minha Palavra?
Compreendi logo que escutar não é meramente usar os ouvidos mas sobretudo o coração e declarei:
– Seria difícil mas o meu amor seria o mesmo.
– E se ficasses mudo, louvarias ainda o meu nome?
– Ainda que não pudesse cantar fisicamente, não deixaria de te louvar com toda a minha alma.
E antes que me fizesse mais perguntas, antecipei-me:
– E tu, Senhor, apesar das minhas limitações, dúvidas ou negações, o teu amor será sempre sem limite?
Mas nesse momento acordei e encarei com o crucifixo da parede à minha frente. E compreendi que Ele está sempre de braços abertos.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com