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Naquela manhã, convidei os alunos a rezar com os olhos fechados. Pareceu-me que gostaram da experiência. Ao tentar explicar que assim, sem distracções dos olhos, rezávamos com mais atenção, perguntei:
– Quem quer dizer, porque é que fechámos os olhos durante a oração?
Prontamente alguém respondeu:
– É que assim Jesus permanece cá dentro e não sai pelos nossos olhos.

Eu fiquei a pensar nas palavras de Jesus: Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Cada distracção é uma espécie de porta por onde Deus se nos escapa. Rezar é assim permanecer em Deus, unidos como ramos à cepa. E Jesus conclui: Se permanecerdes em mim, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido.

Mas quem tem dificuldade em permanecer em quem? Deus em nós ou nós em Deus? É fácil ter um acto heróico, ter um momento de compreensão, aceitar um sacrifício, engolir uma palavra amarga. O difícil é permanecer nestas atitudes, manter-se assim durante muito tempo. Permanecer é ser fiel. O nosso dia a dia, as preocupações quotidianas e a nossa rotina são muitas vezes distracções que fazem Deus não permanecer em nós porque nós nos esquecemos d’Ele. Quem ama, permanece sem ser rotineiro mas sempre criativo.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com