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Ao reflectir sobre a Paixão do Senhor, alguém referia que afinal éramos nós que estávamos lá a aclamar e logo depois a condenar Jesus. Eu hoje recordo essa aplicação e concluo que afinal nós é que devíamos estar, não no lugar da multidão mas no lugar de Jesus. Porque Ele pagou por todos nós.
A redenção de Cristo assemelha-se à pedagogia de uma certa avozinha. O seu neto tinha a fama e o proveito de recolher aquilo que não era seu. A pobre senhora chamava a atenção ao neto mas nada servia de correcção. Então um dia, alguém foi uma vez mais fazer-lhe queixa da falta de respeito do rapaz pelo alheio. A avó chamou o acusado, levou-o até junto à lareira. Tirou uma brasa incandescente, segurou na mão do neto e prometeu-lhe:
– Esta brasa vai fazer aquilo que as minhas recomendações nunca conseguiram. Vai recordar-te para sempre que não podes usar as tuas mãos para roubar.
O miúdo já tremia a pensar como ficariam as suas mãos queimadas. Então a senhora, cheia de determinação, pôs o carvão na sua própria mão, dizendo:
– Faço isto porque te amo.
E diz a história que aquele rapaz, chorando, beijou as mãos da avô e nunca mais roubou nada a ninguém.
O episódio é dramático tal como dramática é a paixão de Jesus cujo mistério celebramos nesta semana. Ele também sofreu por nós porque nos ama.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com