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Uma voluntária da Acção Social contou-me uma sua experiência:
Um dia, era preciso dar assistência a um grupo de mendigos da cidade. Foram poucas as mãos que se levantaram para oferecer-se mas ela, sem saber o que a esperava, sentiu-se na obrigação de se prontificar para esse serviço.
Quando chegou ao abrigo sentiu logo um mau cheiro, tão forte e insuportável mas, por vergonha não usou a máscara que levava no estojo. De repente aproximou-se de um rapaz que estava mais afastado do grupo. E o mau cheiro fez-se sentir ainda mais. Sem respirar, começou a lavar-lhe os seus pés e foi então que, aflita, ergueu os olhos e viu um sorriso resplandecente. Foi como se tivesse uma visão da cena evangélica da mulher pecadora a lavar os pés de Jesus com o seu cabelo. De facto, ao ver aquele sorriso, começou a chorar e a lavar com os seus cabelos limpos aqueles pés mal tratados. E o extraordinário aconteceu: sentiu então um delicioso odor que não sabia como explicar. Foi tanta a emoção que não parava de chorar. Por fim, não resistiu em dar um beijo naqueles pés, lavados pelas suas lágrimas e perfumados pela lembrança de Deus. E nunca se sentiu tão feliz como nesse dia.
Assim é a nossa vida. Deus encontra-se sempre perto de nós mas nem sempre nos aproximamos dele. Tanta gente à volta de Jesus na casa do fariseu mas só a pecadora se aproximou.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com