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Dois monges caminhavam por uma estrada. Junto ao rio viram uma bela moça:
– Que posso fazer para te ajudar? Perguntou um dos amigos.
– Leva-me para o outro lado do rio.
Sem hesitação o monge carregou-a às costas e deixou-a na outra margem. O outro colega ficou silenciosamente admirado pela ousadia mas, à noite, no templo, encheu-se de coragem e censurou o seu colega pelo atrevimento de ter levado tão esbelta donzela:
– Não devias ter feito aquilo. Foi uma grande tentação tocar numa mulher tão jovem e bela. A nossa regra não permite tal liberalidade.
O outro respondeu com humildade:
– Eu deixei a jovem junto ao rio mas tu ainda a carregas inutilmente contigo no teu coração.

O que faz com que uma acção seja boa ou má, pura ou impura, não é a letra da lei mas o espírito da mesma lei. A pureza exterior e ritual pouco importa. Às vezes, em nome de costumes e letras falta-se à lei essencial da caridade e mata-se o amor. O que vale é o que vai no coração. A pureza de coração não é fuga ao amor, mas amar mais e melhor em oblação de nós mesmos. A letra mata, mas o espírito dá vida.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
davidvieira@netmadeira.com