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Um miúdo acompanhou a sua avó quando esta foi à igreja confessar-se. Era um templo moderno, com confessionários acolhedores e práticos: uma luz verde para mostrar que estava livre, outra vermelha quando ocupado. À saída o neto perguntou:
– Então a avó mão teve medo de subir naquele elevador?
– Qual elevador?
– Aquele onde a avó se ajoelhou dentro da igreja.
Bem se esforçou aquela mulher em explicar que não era nenhum elevador mas não sei se o miúdo ficou convencido. Só sei que a partir daí eu sempre encarei a confissão como um acto de elevação.
Quem é perdoado, num gesto concreto de arrependimento, eleva-se até ao céu. Quantas vezes devo perdoar? Tantas vezes quantas eu preciso de ser perdoado. A parábola deste Domingo mostra que quem não perdoa é porque não soube acolher o perdão que os outros lhe davam.
Perdoar 70 X 7, isto é, sempre:
Porque se errar é humano, perdoar é divino.
Porque a única medida do perdão é perdoar sem medida.
Porque quem ama perdoa e quem perdoa ama.
Porque, por incrível que pareça, cada pessoa é susceptível de mudança.
Porque posso condenar o pecado mas nunca o pecador.
Só assim elevar-me-ei até ao céu através desse ascensor que é o perdão.

Pe. José David Quintal Vieira, scj