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educar para a paz imprimir

 

Recensão do livro de Maria Emanuel Melo de Almeida (2002), A educação para a paz. Lisboa. Edições Paulinas. A autora lançou esta obra em Novembro de 2002 e é elemento da Comissão Nacional da Justiça e Paz

1. A Paz

Toda a reflexão que a autora faz no seu livro encontra um enquadramento mais amplo no Ano e na Década Internacional da Paz. Afirma a autora na página 13:
"A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou este desafio, declarando o ano 2000 como Ano Internacional da Paz e de 2001 a 2010 a Década Internacional da Promoção de uma Cultura de Paz e de Não Violência em Proveito das Crianças do Mundo".
O programa da Unesco Aprender para o século XXI, coordenado por Jacques Delors, destaca quatro pilares da educação para o futuro: aprender a conhecer, aprender a actuar, aprender a viver juntos e aprender a ser.
Para a nossa temática de hoje, privilegiamos o aprender a viver juntos ou aprender a conviver. As sociedades são cada vez mais multiculturais e pluriétnicas. A compreensão entre pessoas de culturas diferentes é o resultado de uma aprendizagem. A reconciliação não será possível se não se aprender e se não se exercitar a tolerância.
É necessário promover o vínculo entre os diferentes povos, promover a discussão, o diálogo e o intercâmbio. Aprender a conviver exige cultivar atitudes de abertura, um interesse positivo pelas diferenças e um respeito pela diversidade, ensinando a reconhecer a injustiça, adoptando medidas para superá-la, resolvendo as diferenças de maneira construtiva e passando de situações de conflito à reconciliação e à reconstrução social.
A convivência, a capacidade de viver juntos, de dialogar, de acolher o outro e de partilhar são qualidades cada vez mais valorizadas na sociedade actual, funcional e profissional.

Refiro na apresentação desta obra na página 11 que "a paz é um Dom para a humanidade que deve fazer um esforço para um entendimento entre os povos, para que consigam uma civilização do amor, acabem com a exploração dos povos e com o aumento da riqueza, provinda da exploração. O respeito de uns pelos outros é o princípio de toda a sabedoria e de toda a moral".
A paz é um dos principais valores da existência humana e afecta as várias dimensões da vida: interpessoal, intergrupal, nacional e internacional. Exige igualdade e reciprocidade de relações. A paz diz respeito a três conceitos fundamentais: o conflito, o desenvolvimento e os direitos humanos.
É um processo dinâmico que se deve conquistar. É necessário aprender a ética da paz, que não se obtém com o temor ou com a miséria, mas com a criação de condições de liberdade e de igualdade.
Estamos conscientes de que existe uma preocupação crescente na sociedade por tudo o que tenha relação com a paz, a solidariedade e os direitos humanos, por duas razões:

- a dimensão actual das contínuas violações dos direitos mais elementares da pessoa;
- o próprio carácter dos princípios contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que constituem a pedra angular de qualquer sistema democrático.

É que os Direitos Humanos contemplam que:
- todos os seres humanos têm a mesma dignidade;
- todos os seres humanos têm direito de pertencer a uma comunidade social e política;
- todos os direitos humanos, políticos, civis, sociais, culturais e económicos são universais e indivisíveis.
Baseiam-se no reconhecimento fundamental de que todos os seres humanos são iguais e têm a mesma dignidade.

A educação para a convivência, entre os cidadãos, deveria capacitar as pessoas para participar, de modo activo e eficiente no reforço e na protecção dos Direitos Humanos.
Nesse sentido, consideramos que se deve fomentar na escola e nas universidades a educação para a paz, pois esse valor está relacionado com os outros valores. A educação para a paz exige formar o espírito crítico, a capacidade de dialogar, a coerência de meios e fins, assim como a justiça. A paz não é compatível com o individualismo, com a falta de solidariedade, com a competitividade e com a discriminação entre outros.

Os princípios básicos de uma educação moral para a convivência, para a tolerância e para a paz orientam-se para:
- Fomentar o diálogo: todos podemos oferecer algo aos outros.
- Aprendizagem cooperativa: estimula a colaboração em grupo; quanto mais avançar o grupo, mais avançará o indivíduo.
- Desenvolvimento da auto-estima e do auto-conceito: desenvolve nas pessoas a afirmação e a crença nas próprias possibilidades.
- Atitudes democráticas: é importante oferecer canais de participação. Só se aprende a participar, envolvendo-se e participando.


2. A obra: A educação para a paz

É de realçar, na obra, (p.112), as três dimensões educativas da educação para a paz:
- pessoal ou individual que centra o seu trabalho na modificação do comportamento, a nível das relações interpessoais e na aquisição de atitudes autónomas, não violentas e de alegria pelos prazeres da vida;
- a sócio-política na medida em que regula as relações de justiça e de convivência na sociedade;
- a ambiental ou ecológica que persegue a mudança da nossa acção para com a natureza.

Ainda, segundo a autora, o aspecto da educação pessoal será o meio para chegar a uma maturação cognitiva e afectiva. A esfera da educação social responderá à reconstrução da harmonia do indivíduo como membro de uma comunidade política. A educação ambiental terá o dever de reconstruir a paz ecológica.
Assim, a educação para a paz possuirá uma trajectória de consciencialização que deverá ser tripla. A sua finalidade consistirá em alcançar a paz do homem consigo mesmo, com os seus semelhantes e com o meio ambiente (p.113).
Sem pretender tirar mérito a todo trabalho publicado, gostaria, de salientar, agora, o primeiro capítulo, onde aborda a sociedade de informação, do saber e da sabedoria.
Refere a autora na página 38 que "a sabedoria (fronesis) tem como função orientar a posição do gesto e do acto para que estes sejam conformes quer aos princípios universais que devem nortear todo o agir quer ao contexto sempre particular da acção".
Este primeiro capítulo leva-nos a posicionarmo-nos, não de uma forma indiferente, em relação à sociedade, mas numa atitude de colaboração, ou seja, uma posição crítico-construtiva.

Diz-nos Alvin Toffler nas suas três obras (O Choque do Futuro, A Terceira Vaga e Novos Poderes) que a força, o poder são limitados; que a riqueza acabará, mas o conhecimento pode gerar sempre mais, já que é infinitamente expansível. Diz-nos que, ainda, estamos no início do fenómeno da educação. O conhecimento e a educação são os dínamos, são os geradores que continuarão a dar energia à sociedade.
É de salientar, de um modo particular, o último capítulo sobre os valores e a educação para a paz. A autora defende uma educação ao longo de toda a vida e fala dos índios Ianomani com quem tive o privilégio de conviver, em Roraima, na Amazónia, durante algum tempo.
Para uma humanização da biosfera, para ultrapassar uma crise ecológica, aponta a paz mundial, a solidariedade internacional e a qualidade de vida. É o respeito pela natureza, pela ecologia que se exige a cada ser humano.

A educação para a paz fundamenta-se em procurar uma consciencialização da pessoa e da sociedade, considerada a harmonia do ser humano para consigo mesmo, com os seus semelhantes e com a natureza. Ainda acerca deste conceito, aponta (p.113) duas obrigações morais: não tratar os outros injustamente e não os abandonar quando estão em dificuldade. A primeira obrigação recebe o nome de ética da justiça. A segunda obrigação tem o nome de ética de benevolência e recomenda que confortemos os que se encontram em sofrimento material e psicológico. É que a paz não é simples ausência de guerra, mas o resultado de condições geradoras de paz que cria uma mentalidade, uma cultura de paz.
Na conclusão, a autora refere que educar para a paz e edificar as bases para uma cultura de paz significa preparar as novas gerações para um novo consenso fundamental sobre convicções humanas e integradoras que incluirá uma pluralidade heterogénea de projectos de vida.
E termina a autora, referindo-se a um ancião moçambicano: "podem trazer-nos a cultura da guerra num avião e a ajuda humanitária num camião, mas não podem trazer-nos a cultura da paz porque ela é uma árvore firmemente enraizada na nossa cultura."


3. Aproveitamento pedagógico da obra

Esta obra poderá ser uma proposta pedagógica curiosa nas Novas Áreas, ou seja, na área do Projecto, no Estudo Acompanhado e na Formação Cívica. Temos um leque de conceitos curiosos como sociedade, educação, natureza, ecologia, ética, valores, ciência, entre outros que podem despertar, motivar e sensibilizar alunos na escola e outros educandos na educação não formal ou informal.

Quando folheamos qualquer livro sobre estratégias, como por exemplo o livro de Glória Pérez Serrano, Educação em valores, como educar para a democracia, encontramos as seguintes estratégias de educação para a paz: diálogos a partir de um texto, apresentação de um problema/tema, educação para a paz através da música, valores transmitidos pela televisão: violência ou paz, trabalho cooperativo (aprender a jogar juntos), aprendizagem por descobertas e situação de conflito. Todas estas estratégias ou técnicas, ou outras são meios pedagógicos indispensáveis.

Mas. Se as crianças continuarem a brincar com metralhadoras de plástico nas ruas, com carros blindados de imitação, se virem na televisão cenas de violência em filmes ou telejornais, se a família for um cenário de violência entre os pais ou entre os pais e filhos, nenhuma técnica artificial resiste a este dantesco cenário natural.
Sim. Todas as técnicas de sensibilização à paz terão êxito pedagógico, se forem a continuidade de uma educação para a paz na família, no meio ambiente.

Esta obra situa-se entre os meios pedagógicos que ajudam a família a consciencializar-se da necessidade imperiosa deste valor e é um contributo precioso para as técnicas de educação para a paz na escola, na universidade ou em qualquer educação não formal ou informal.


Adérito Gomes Barbosa, scj
aaderitus@portugalmail.pt

 
 






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