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Em 1946, chegaram a Portugal os primeiros Dehonianos da Província da Itália do Norte, com o objetivo de fundar a Congregação no nosso país. Várias circunstâncias se conjugaram para o início e o rápido desenvolvimento da obra. Enquanto a Província da Itália do Norte pedia à Santa Sé um território missionário, o Cardeal Arcebispo de Lourenço Marques (hoje, Maputo), D. Teodósio Clemente de Gouveia, procurava, em Itália, missionários para Moçambique e sonhava com a fundação de um seminário missionário na ilha da Madeira, sua terra natal.

A vasta região da Zambézia, em Moçambique, foi, então, destinada aos missionários Dehonianos italianos. Porém, ao abrigo da Concordata e do Acordo Missionário, o governo português colocou como condição para a entrada de missionários italianos em Moçambique, a necessidade de abertura de casas de formação em Portugal, para que os missionários portugueses pudessem, mais tarde, substituir os missionários estrangeiros. Foi assim que chegaram a Lisboa, em fins de 1946, desprovidos de meios e sem planos definidos, os primeiros padres encarregados dessa missão: o Pe. Ângelo Colombo e o Pe. Gastão Canova. Este chegou a 27 de dezembro e o Pe. Colombo a 29 do mesmo mês. O destino era a ilha da Madeira, onde desembarcaram a 17 de janeiro de 1947.

Por indicação do Bispo do Funchal, D. António Manuel Pereira Ribeiro, foram instalar-se na Escola de Artes e Ofícios, fundada pelo benemérito Pe. Laurindo Leal Pestana. Aí prestariam assistência, aprenderiam a língua e aguardariam que, com o tempo, se definisse melhor os objetivos da sua missão.

Em poucas semanas, tornou-se conhecida na ilha a presença destes padres estrangeiros que não sabiam falar português, constando também que pretendiam abrir um seminário. Passados poucos meses, apresentaram-se espontaneamente alguns candidatos, facto considerado como uma clara indicação da Providência. Deram-se os primeiros passos em ordem à abertura de um seminário, o que veio efetivamente a acontecer em outubro seguinte, quando, precisamente no dia 17, ao tempo festa litúrgica de Santa Margarida Maria, se inaugurou, com 10 alunos e na maior simplicidade e pobreza, o Colégio Missionário Sagrado Coração, na Quinta Xácara Brasil, situada no Caminho do Monte. Começava, assim, a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus em terra portuguesa.

Rodeado, desde o princípio, de extraordinária simpatia popular e gozando do precioso apoio do venerando Prelado, o Colégio Missionário cresceu e desenvolveu-se num clima de simplicidade, entusiasmo e espírito de sacrifício. A disponibilidade e a atitude de serviço dos primeiros padres tornaram-se notórias pela Diocese e marcaram um estilo que veio a refletir-se nas obras da Província que surgiram daí em diante.

Ao longo destes quase 70 anos de existência o Colégio Missionário passou por diversas transformações, não apenas no edifício, mas também na organização, estrutura e funcionamento da vida de seminário. Presentemente, o Colégio Missionário, acolhe os seminaristas do Ensino Secundário.