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▬ Na última semana de Maio e na primeira semana de Junho, decorreu o encontro dos Noviciados Dehonianos ibéricos. No dia 28 de Maio, os Noviços de Aveiro rumaram a Salamanca, com o seu mestre, Pe. Fernando Fonseca. Aí foram acolhidos pela comunidade dehoniana, particularmente pelos Noviços e pelo seu Mestre, Pe. Valentin Perez. Este ano, em Salamanca há quatro Noviços, sendo dois da Venezuela, um do Equador e outro do Chile. Depois dos nos apresentarem as respectivas Entidades, partilharam algo si mesmos: o Júnior apresentou um muito belo e expressivo calvário, feito em plasticina. À sombra da Cruz, nos braços de Maria, rodeado por outras figuras de homens e mulheres santos que os evangelistas colocam ou fazem chegar junto do Senhor crucificado, jaz um impressionante Jesus, coberto de sangue, que lembra o que vemos no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson. O Emílio encantou-nos com originalidade e a beleza da sua voz. O Javier e o Erwin leram sugestivos poemas da sua autoria.
Ao fim da tarde, com toda a comunidade, fizemos a adoração eucarística, rezando pelos bons frutos do Capítulo Geral. Depois do jantar, ainda houve tempo para uma visita a Salamanca “by night”.
O dia 29 foi dedicado ao contacto com Santa Teresa: visita a Ávila da parte da manhã e a Alba de Tormes, à tarde, com celebração da eucaristia junto do túmulo da Doutora da Oração. O dia terminou com visita ao Seminário de S. Jerónimo, onde apreciámos o surpreendente Museu Pe. Belda e jantámos com a comunidade, alegre e acolhedora como sempre.
O dia 30 levou-nos à Trapa de Venta de Baños, com celebração da Eucaristia junto ao túmulo do Beato Rafael Arnaiz, arquitecto de profissão que, depois de várias tentativas para ser monge nesse mosteiro, aí viveu como oblato, acabando por professar pouco antes de morrer. O Beato Rafael Arnaiz deixou escritos de muito elevado nível espiritual, que o tornaram conhecido e venerado por quantos tiveram oportunidade de os ler. No mosteiro, havia um sacerdote diocesano português, que está a traduzir esses escritos para a língua de Camões. O Beato Rafael será canonizado em Outubro. Depois de celebrarmos com os monges a hora intermédia, visitámos a basílica visigótica do século VII, e fomos almoçar no colégio dehoniano da cidade, onde o Superior e a comunidade nos receberam com extraordinário entusiasmo e espírito fraterno.
O dia terminou com a visita a uma pequena aldeia dos arredores de Salamanca que recriava o ambiente medieval. Uma lição viva de história que terminou com a oferta de um pão com chouriço e um copo de sangria a todos os visitantes.
No domingo, dia 31, depois de celebrar a Eucaristia, ainda tivemos tempo para mais uma visita a Salamanca. Almoçámos com a comunidade, sempre muito acolhedora e fraterna, e… regressámos a Aveiro, passando por Almeida e pela cidade da Guarda.

Chegados a Aveiro, intensificámos os preparativos para a recepção aos Noviços de Salamanca, com o seu Mestre, e com o postulante Jesus Herrera, aluno de Belas-Artes e já pintor com muito mérito. Estes chegaram pontualmente às 11.30 horas do dia 4 de Junho. Feito o acolhimento, celebrámos a Eucaristia, presidida pelo Superior da comunidade, Pe. José Andrade. Depois do almoço, os noviços portugueses apresentaram a Província, as suas obras e as missões onde trabalham. Ainda sobrou tempo para um mergulho nas águas do Atlântico e para uma visita, em bicicleta, ao centro histórico de Aveiro. Ao fim da tarde, houve adoração eucarística, onde, mais uma vez, rezámos pelo Capítulo Geral. Seguiu-se o jantar, cujo prato principal foi arroz de marisco “à mestre”. E ainda houve tempo para uma visita a Aveiro “by night”, e para um gelado no Fórum.
O dia 5 foi destinado a visitar as comunidades do Porto. Naturalmente passámos por uma cave, na ribeira de Gaia, e degustamos o magnífico néctar criado nas terras quentes e xistosas do Douro. Optimamente acolhidos no Centro Dehoniano, onde nos refizeram as forças com alguns aperitivos, sumos e… mais um cálice de Porto, passámos paróquia da Boavista, com breve visita à Igreja. Seguimos depois para Betânia onde a comunidade nos recebeu com grande cordialidade e serviu o almoço. Tendo descansado e visitado as instalações, seguimos para Ermesinde. Aí visitamos o túmulo da Beata Maria do Divino Coração, a célebre Irmã do Bom Pastor que, por sugestão de Jesus, escreveu a Leão XIII, pedindo-lhe a consagração do Género Humano ao Coração de Jesus. O grande pontífice aceitou o pedido e, como ele mesmo escreveu, realizou «o acto mais grandioso do seu pontificado», no dia 11 Junho de 1899. A Irmã Maria falecera três dias antes. Foi beatificada a 1 de Novembro de 1975.
À hora da merenda, estávamos na Obra ABC, em Rio Tinto, onde o Director, Pe. Amaro, e o Diácono Rosário, fizeram as honras da casa. Esta obra social suscita sempre muito interesse e curiosidade a todos, particularmente aos Noviços da América Latina.
Ao fim da tarde estávamos no Seminário Pe. Dehon, onde celebrámos a eucaristia da Primeira Sexta-feira do mês com os alunos e os religiosos da comunidade. Depois do um lauto jantar regressámos a Aveiro, onde ainda houve troca de lembranças.
O dia 6 foi para visitar Coimbra e chegar a Fátima. Depois das Laudes, seguimos para a cidade do Mondego, visitando a Rainha Santa Isabel e tentando visitar a cidade. A chuva, que nos apanhou desprevenidos junto da Universidade, quase nos levava na enxurrada ao descermos a Rua Quebra-Costas. Lá nos defendemos como pudemos e prosseguimos pelo Arco de Almedina e por Santa Cruz. Atravessado o Mercado D. Pedro V, subimos no elevador para retomar os carros junto da Sé Nova. Chegámos ao Instituto a horas de celebrar a eucaristia com o Pe. Roberto Viana e os seminaristas. O Ir. Caetano não deixou por mãos alheias a sua fama de bem servir. Compostos os estômagos, visitou-se a quinta e a casa. Pelas 15.00 horas já estávamos junto ao Carmelo de Coimbra, para uma visita ao Memorial da Irmã Lúcia. Foi uma excelente preparação para entrar em Fátima. Lá chegámos pouco antes das 17.00 horas. Instalados na Casa Senhora do Carmo, vimos um belo documentário sobre as Aparições e a Mensagem de Fátima. Depois fomos visitar Aljustrel, os Valinhos, a Loca do Cabeço e a Igreja Paroquial de Fátima. Pelas 21.30 horas participámos do Terço e na sempre impressionante Procissão de Velas. Assim terminou mais um dia do nosso encontro, desta vez aos pés da Virgem Maria.
O começo do dia 7 foi reservado para oração e visitas pessoais à Cova da Iria. Apenas nos juntámos para a solene celebração eucarística internacional das 11.00 horas, na esplanada. Todos os Noviços participaram como Acólitos. Depois da emocionante procissão de despedida, ainda houve tempo para uma última visita à basílica e aos túmulos dos Pastorinhos. Seguiu-se o almoço e a despedida apressada, pois havia que chegar a tempo de votar para o Parlamento Europeu.
Assim aconteceu em Aveiro e em Salamanca.

Estes encontros, já tradicionais entre os Noviciados de Aveiro e Salamanca, são momentos importantes para alargar horizontes, para experiência de internacionalidade e de comunhão. Aprende-se mais nestas experiências concretas que em muitas horas de cursos teóricos sobre esses temas. Estes encontros são também importantes pela partilha de informações sobre as Entidades a que pertencem os Noviços e até pela partilha de vida e da história vocacional de cada um. Um dos momentos mais interessantes de todo o encontro foi, a meu ver, essa partilha feita pelos Noviços em Salamanca.
Parece-me também muito útil o contacto com exemplos vivos de santidade, como o que aconteceu com o Beato Rafael Arnaiz, com Santa Teresa de Jesus, mas também com a Beata Maria do Divino Coração, com Santa Isabel de Portugal, com os Pastorinhos de Fátima, sem esquecer a santidade ferial de tantos irmãos na vocação encontrados nas diversas comunidades.
A experiência de Fátima foi também muito marcante, especialmente para aqueles que, pela primeira vez lá iam e participavam nas diferentes celebrações. Uma experiência a continuar. Uma semente a lançar outras vezes à terra. Quem sabe se, algum dia, não virá a dar outros frutos? Só Deus sabe!

» Fernando Fonseca, scj