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48 Dixit mater eius ad illum fili quid fecisti nobis sic ecce pater tuus et ego dolentes quaerebamus te 49 et ait ad illos quid est quod me quaerebatis nesciebatis quia in his quae Patris mei sunt oportet me esse 50 et ipsi non intellexerunt verbum quod locutus est ad illos 51 et descendit cum eis et venit Nazareth et erat subditus illis et mater eius conservabat omnia verba haec in corde suo (Lc 2, 48-51).

48 E sua mãe disse-lhe: Filho, porque fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. 49 Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? 50 Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera. 51 E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração (Lc 2, 48-51).
 

Primeiro Prelúdio. Maria conservava no seu coração todas as lições de Jesus, lições de vida interior e lições de misericórdia pelos homens.

Segundo Prelúdio. Ó Maria, refúgio dos pecadores, saúde dos enfermos, consoladora dos aflitos, rogai por mim, tende piedade de mim.

PRIMEIRO PONTO: O Coração de Maria é o refúgio dos pecadores. – Deus quis muito particularmente fazer de Maria a esperança e a salvação dos pecadores. Os Padres da Igreja não se calam sobre este privilégio de Maria.
A Idade Média, muito ávida de símbolos, comparou Maria ao astro da noite, porque ilumina o pecador, que caminha na noite dos seus pecados. «O sol, criado para brilhar durante o dia, é, diz o cardeal Hugo, a figura de Jesus, cuja luz alegra os justos que vivem no grande dia da graça divina; a lua, criada para luzir durante a noite, é a figura de Maria, cuja luz ilumina ainda os pecadores, mergulhados na noite do pecado». – «Se alguém, diz Inocente III, se encontra miseravelmente empenhado na noite do pecado, que levante os olhos para o astro do noite, que invoque Maria!».
«A divina misericórdia, diz o P. Eudes, reina tão perfeitamente no Coração de Maria, que lhe faz levar o nome de Rainha e de Mãe de misericórdia. Ganhou de tal modo o coração da divina misericórdia, que lhe deu as chaves de todos os seus tesouros, e tornou-a absolutamente senhora». Recusará ela o seu concurso aos pecadores, ela que durante a sua vida ofereceu o seu divino Filho por eles, no Templo e no Calvário?

SEGUNDO PONTO: O Coração de Maria, saúde dos enfermos. – Maria é só bondade, assim pode tudo esperar-se da generosidade do seu Coração, a cura dos corpos como a das almas. Muitas vezes mesmo os seus benefícios revestem o brilho de um milagre, como acontece em Lourdes e em tantos outros santuários.
«Maria, diz S. Bernardo, é como a terra prometida, onde Deus faz /671 correr o leite e o mel das suas bênçãos (sobre a Salve Regina).
«Tais são, diz S. Leão, os tesouros de bondade e de clemência depostos no seio de Maria, que nós devemos proclamá-la não somente misericordiosa, mas a misericórdia mesma».
«Quando vos contemplo, diz S. Boaventura, ó minha Soberana, de nada mais me apercebo senão da misericórdia; porque é em favor dos miseráveis que Deus vos escolheu para sua Mãe, e foi o ofício da sua misericórdia que ele vos confiou. Sem cessar ocupada dos infelizes, apareceis-me como envolvida de misericórdia e pareceis não ter a peito senão exercer misericórdia».
Toda a história publica a misericórdia de Maria. Invocam-na na doença, no sofrimento, na provação, e os ex-votos dos nossos santuários dizem quando ela é prestável.
«Maria, diz S. João Crisóstomo, é um oceano de misericórdia.

TERCEIRO PONTO: O Coração de Maria é a esperança de todos os aflitos. – A divina Providência tinha reservado este papel a Maria. Era figurada por Ester e Judite que salvaram o povo de Deus.
Por toda a parte os fiéis, confiantes e reconhecidos, ergueram-lhe santuários sob os títulos graciosos de Nossa Senhora do Bom Socorro, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Maria Auxiliadora, Maria Consoladora dos aflitos.
Preludiou na sua vida mortal a este ministério de misericórdia, correndo para assistir a sua prima Isabel, indo em ajuda dos esposos de Caná, assumindo o encargo de dar a S. João, depois da morte do Salvador, os seus cuidados maternais.
Em Caná, é a protectora das famílias. Adoptando S. João, toda a tutela e o cuidado do sacerdócio e da Igreja, representados por S. João ao pé da cruz.
É então surpreendente, depois disto, ver por toda a parte os particulares e as nações reclamarem o seu patrocínio, recorrer à sua assistência, apelar ao seu coração de Mãe e testemunhar-lhe através de monumentos e de oferendas de todo o género o seu reconhecimento pelos benefícios recebidos?
A Igreja canta em sua honra este hino de confiança: «Salve, ó Rainha, Mãe de misericórdia, nossa vida, nossa doçura e nossa esperança?».
Os Doutores e os Santos procuram as expressões mais fortes para dizerem quanto o seu Coração é prestável: «Ela é, diz S. João Damasceno, o único alívio de todos os aflitos e a soberana consoladora de todos os corações angustiados».

Resoluções. – Ó Virgem bendita, socorro dos cristãos, protegei-nos, protegei as nossas famílias, protegei as nações cristãs nestes tempos difíceis que atravessamos.
Ó Mãe do meu Deus, o vosso Coração nunca desdenhou socorrer nenhum pecador, por enormes que fossem os seus crimes, desde que tenha sido recomendado a vós. Deixai-vos portanto levar a socorrer-me pela vossa bondade que é sem medida. Farei cada dia alguma coisa por vosso culto.

Colóquio com o Sagrado Coração de Maria.