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É verdade, chegou ao fim o trabalho que projectámos realizar aqui no Gurúè. E parece que as saudades já começam a surgir…
Tem sido um tempo intensamente vivido. Graças a Deus, os projectos têm corrido bem e podemos dizer que os objectivos foram alcançados, apesar das muitas contrariedades e de às vezes estarmos longe de tudo o que é necessário para uma boa e mais eficiente execução dos trabalhos. Mas o balanço é francamente positivo: a biblioteca ficou completamente catalogada e informatizada; o programa de informatização do armazém está em pleno funcionamento e a sua arrumação ficou totalmente concluída; o laboratório de Físico-Química está pronto a ser utilizado; as aulas de Inglês excederam as expectativas e a turma inicial foi de imediato dividida em três, porque eram mais de cem os alunos, que no final tiveram direito a diploma e tudo; na machamba já se notam algumas transformações, por acção do nosso engenheiro agrónomo, mas muitas outras se esperam que venham a acontecer num futuro próximo, com a formação que ele foi dando aos trabalhadores para melhor aproveitamento dos biblioteca disponíveis. Está toda a gente encantada com o empenho que o grupo colocou nas diferentes tarefas.
Vivemos momentos fortes e intensos de celebração e de oração. Ponto alto foi a celebração do dia do nosso Fundador, que solenizámos na Eucaristia e numa Vigília de Oração que promovemos nessa noite. Sentimo-nos unidos à Província e à Congregação, que connosco celebravam igual graça.
Outra celebração marcante para todo o grupo: a Catarina, uma das voluntárias que se encontra aqui a trabalhar por um ano fez a Primeira Comunhão, depois de algum tempo de preparação, que se acentuou nestes dias, em que eu próprio a ajudei nessa mesma preparação. Mais uma graça que o Senhor nos concedeu viver nestas terras de Missão.
O Domingo, dia 15, foi também uma jornada muito intensa de fé, de oração e de contacto mais concreto e real com a população deste país. Divididos em três grupos, fomos celebrar a Solenidade da Assunção da Virgem Maria a diferentes comunidades bem no meio do mato, totalmente isoladas da “civilização”. Aí experimentámos a pobreza, a alegria e o entusiasmo de um povo que se coloca nas mãos de Deus e deposita n’Ele toda a confiança para poder construir um amanhã melhor. Que o Bom Deus acolha as suas preces e lhe dê força e coragem para não desanimar perante a difícil situação em que se encontra.
A Maria João celebrou mais um aniversário e não deixámos passar em claro o acontecimento. Raridade por estes lados, houve bolos e até caldo verde e cozido à portuguesa, tudo por obra e graça das cozinheiras portuguesas!
Na Sexta-Feira, 20, demos por encerradas as nossas actividades, culminando também uma Semana Cultural que promovemos, aproveitando a pausa lectiva que aconteceu na Escola. Fizemos de tudo um pouco: desportos vários, “jogos sem fronteiras”, clubes de teatro, música, dança e artes. Os alunos apareceram em número razoável. Houve a entrega de prémios dos jogos, a apresentação das peças de teatro, canções e danças que eles prepararam e a entrega dos diplomas aos alunos que frequentaram as aulas de Inglês. Terminar em beleza…
Os dias que se seguiram foram de viagens: para Quelimane, para Maputo, quase todos para o Krugger Park, na África do Sul, e… finalmente, Portugal! Pelo caminho, ainda houve tempo para um encontro com os Leigos Dehonianos do Gurúè e com a Família do Coração de Jesus em Quelimane e… uma saltada à praia de Zalala, bem merecida, para quem tanto trabalhou.
A convicção é unânime: nenhum de nós esquecerá tão cedo esta experiência de missão, de trabalho, de partilha. Demos algo de nós, o melhor que tínhamos e sabíamos, mas recebemos muito mais, sentimo-nos muito mais enriquecidos e para sempre unidos a este povo tão acolhedor e alegre. Obrigado, Moçambique! Obrigado a todos quantos nos proporcionaram tão viva e intensa experiência!

| José Agostinho F. Sousa, scj |