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O Pe. Dehon encarna e propõe um modelo de presbítero que integra o estudo, a acção e a oração. Com efeito, depois de sérios e aprofundados estudos em Roma, ao longo de seis felizes anos, o jovem padre é nomeado coadjutor em Saint-Quintin (norte de França), em 1871. Nesta cidade industrial, ele levará a cabo uma intensa e fecunda actividade pastoral, como resposta aos vastos desafios que a emergente sociedade industrial colocava à Igreja.

Sobre este tempo, Leão Dehon deixou escrito no seu Diário: «levantava-me regularmente às 4h30 da manhã, para ter tempo de fazer a oração». Ao mesmo tempo, reconhecia que «faltam em Saint-Quintin, como meios de acção, um colégio, um patronato e um jornal católico». Sabemos que não precisou de muito tempo para os criar e não se ficou por aqui, pois, em 1874, instituiu o Secretariado de Obras, com o intuito de favorecer a formação humana, intelectual e espiritual do clero. Pretendia assim estimular um exercício do ministério mais adaptado à nova conjuntura social.

É interessante notar como, na vida de Leão Dehon, se compaginam tão bem o estudo, a oração e a acção. Com efeito, não encontramos nele uma opção exclusiva por um dos pólos. Aquilo que parece imperar é precisamente o valor dado ao intercâmbio entre essas três dimensões, pois cada uma pode enriquecer e ser enriquecida pelas outras duas. Não creio estar a exagerar, quando digo que o Padre Dehon aponta para um modelo de presbítero que é «ecológico», na medida em que ele parece intuir que «tudo está estreitamente interligado no mundo» (LS 16) e que nada deve ser posto à margem.

O estudo ajudou Leão Dehon a compreender a complexa realidade que lhe tocava enfrentar e, ao mesmo tempo, descobrir soluções para os vários problemas que ele descobria no seu meio. Pelo estudo pode-se alcançar aquele «olhar de conjunto» (LS 110) ou esse «olhar abrangente» (LS 135), de que fala o papa Francisco na sua encíclica ecológica. Por outro lado, a vida concreta ajuda a manter os pés assentes na terra, levanta novas questões e apresenta vivências que precisam de ser integradas. A relação entre o estudo e a vida ganha profundidade e densidade, quando se abre à oração, a qual, por sua vez, necessita daqueles dois pólos para não se perder num solipsismo alienante. É preciso ter sempre bem presente que não é possível mudar o mundo exterior sem que o nosso mundo interior se deixe transformar antes: a oração aparece como o âmbito adequado para operar esta conversão.

A 19 de Dezembro de 1968, em Roma, o jovem Leão Dehon foi ordenado presbítero, após um processo vocacional pouco linear. Estamos, portanto, a celebrar os 150 anos desse acontecimento tão marcante na vida do fundador dos Sacerdotes do Coração de Jesus. É um momento que pode contribuir para uma renovação espiritual daqueles que tomam a sua vida como uma referência mais próxima…

José Domingos Ferreira, scj