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Solenidade do Coração de Jesus 2018

Caríssimos confrades e membros da Família Dehoniana

A Solenidade do Coração de Jesus que hoje celebramos é muito especial para nós, Sacerdotes do Coração de Jesus. Celebrar a Solenidade do Coração de Jesus não é para nós celebrar mais uma solenidade, simplesmente. Celebrar o Coração de Jesus é penetrar no mais profundo do mistério da nossa fé, da nossa redenção. E é também colocar o nosso olhar no centro da nossa espiritualidade e da nossa vocação de Sacerdotes do Coração de Jesus. A celebração da presente Solenidade suscita em nós, certamente, o louvor e a ação de graças ao Senhor pelo dom do amor infinito e incomparável do seu Sagrado Coração e, ao mesmo tempo, renova o nosso compromisso de amor e de doação a esse Coração que tanto nos ama, a ponto de dar a vida por nós.

A Palavra de Deus deste dia convida-nos a olhar, a contemplar a grandeza do amor do Coração de Jesus por nós. Olhar para Aquele que trespassaram… Este é o convite deixado no Evangelho de hoje. Olhar o Trespassado não é simplesmente contemplar, de braços cruzados, quiçá chorando e lamentando os sofrimentos de Nosso Senhor no caminho do Calvário e no momento da sua morte na Cruz. Olhar, com olhos de ver, olhar, capaz de ver mais além e mais longe do que o simples corpo desfalecido na Cruz. Olhar com a capacidade de compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, como nos recorda São Paulo na segunda leitura deste dia. Olhar o Trespassado é contemplar o Coração aberto, donde sai sangue e água, de onde sai a vida e vida em abundância. Contemplar o Coração aberto e abrir o nosso coração, para acolher a grandeza do seu amor por nós, a oferta do grão de trigo caído à terra, que morre para que vivamos.

Olhar o Coração Trespassado deve fazer de nós profetas do seu amor, testemunhas desse Deus que nos é apresentado pelo profeta Oseias: um Deus próximo, cujo coração estremece de compaixão pelos seus filhos, que trata com desvelo, com carinho, com ternura; um Deus que acompanha sempre os seus filhos, em todos os caminhos da vida.

A contemplação do Trespassado deve tornar-nos profetas da sua bondade e da sua misericórdia, apresentando ao mundo este rosto de Deus que Se aproxima dos homens, que encarna, que veio habitar entre nós e em nós permanece através da água e do sangue derramados na cruz, tornados alimento e presença perene para todos os homens e mulheres de todos os tempos.

O P. Heiner Wilmer, então Superior Geral, desafiou-nos a fazer deste ano um ano jubilar, na contemplação do “Coração ferido”. Na carta por ocasião da celebração dos 175 anos do nascimento do Padre Dehon, a 14 de Março passado, o P. Heiner convidava-nos a contemplar o coração ferido de Jesus, um coração que se solidariza com todos os sofrimentos, onde podemos encontrar uma resposta espiritual para o homem aflito, excluído, rejeitado, marginalizado e abandonado do nosso tempo.

É a contemplação deste coração ferido que nos impulsiona a ir às periferias da existência humana, como fazia Cristo, como o fez o Padre Dehon, como faz e nos convida insistentemente a fazer o Papa Francisco: ir às periferias, lutar ao lado das vítimas, tendo como armas as obras de misericórdia inspiradas no Coração misericordioso do Senhor, lembrava-nos a carta citada.   

É este Coração ferido que hoje celebramos, é esta espiritualidade que partilhamos com todos os nossos irmãos de Congregação e com todos os membros da Família Dehoniana.

Neste dia de oração pela santificação dos sacerdotes, rezemos por todos os que se consagram a este Coração ferido de Jesus, para que sejam no mundo de hoje rostos visíveis e testemunhas fiéis do amor e da misericórdia de Deus.

Pe. José Agostinho F. Sousa