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Ao deixar Roma, para regressar à sua diocese de origem, o boletim do Seminário francês publicou a seguinte nota: “O Rev. Dehon, doutor em Direito, advogado na Corte de Apelo de Paris, depois de uma viagem ao Oriente que os pais lhe propuseram a fim de pôr à prova a sua vocação à qual se opunham, frequentou o curso de Filosofia no Colégio Romano, onde se doutorou.

Frequentou depois, durante quatro anos, o curso de Teologia, a que acrescentou o de Direito Canónico. Durante o Concílio Vaticano, foi um dos nossos quatro estenógrafos. O resultado dos estudos foi muito brilhante, tendo recebido numerosos prémios… Era um dos nossos melhores alunos sob todos os pontos de vista. Piedade, modéstia, gravidade, regularidade, dedicação para com os seus professores, aplicação enérgica, tudo contribuía para o tornar muito estimado…”

Em França vivia-se um clima de laicismo anticlerical, herdeiro da Revolução e do Iluminismo. A “questão social” levantava sérios problemas à acção pastoral da Igreja. Em S. Quintino, cidade industrial, a situação era particularmente grave tanto no ponto de vista religioso como social.

O jovem sacerdote, superiormente preparado e pessoalmente inclinado ao recolhimento e ao estudo, viu-se de repente confrontado com apelos e urgências de toda a ordem a reclamar a sua acção cheia de zelo e entusiasmo. É certo que “era precisamente o contrário daquilo que há muito desejava”, mas soube pronunciar, como sempre aliás, o seu “Faça-se” e mergulhar sem reservas numa actividade pastoral sem reservas.

Começando pelo estudo da situação, conclui que estava tudo por fazer. “Temos aqui – escreve – uma sociedade podre… Todas as reivindicações dos operários têm um fundamento legítimo”. Perante o triste espectáculo social e religioso, compreende que não era suficiente pregar o Evangelho em igrejas vazias. Impunha-se “ir ao povo” e usar uma linguagem nova – a linguagem das obras. E é exactamente nisso que se empenha com todo o ardor da sua juventude. Toma iniciativas concretas e de grande alcance, para as crianças para as quais dinamiza a catequese, para os jovens em prol dos quais funda o Patronato de S. José, para os operários em quem desperta a consciência dos seus direitos, para os patrões que são sensibilizados para os seus deveres sociais.

Era necessário mobilizar a sociedade em geral e o clero em particular. Para isso promove congressos e semanas sociais, lança um jornal de inspiração cristã e acaba por fundar um colégio como resposta a uma das necessidades reconhecidas. Escreve numerosos artigos, dá conferências, publica livros.

Não há iniciativa de promoção humana e social, não há esforço de renovação entre o clero nem de formação dos jovens sacerdotes, na diocese e fora dela, que não encontre no Padre Dehon o mentor esclarecido e o líder incontestado. No seu coração sensível encontram eco todos os problemas das pessoas concretas que se cruzam no seu caminho. Mais tarde, como Fundador, abrirá o coração à dimensão do mundo apontando à nova Congregação o vasto campo das “Missões longínquas” nas “terras mais inóspitas”, “onde se sofre e morre jovens”.