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Grande parte dos Institutos, quer masculinos quer femininos, surgiram na Igreja como resposta a necessidades concretas em determinadas épocas e lugares. Não foi assim com a Congregação do Padre Dehon.

Ainda que absorvido por grandes responsabilidades e tarefas na sua diocese, não fundou a Congregação como forma de se libertar criando condições para melhor as poder orientar. A motivação era de outra ordem. “A verdadeira história de uma Congregação é uma história espiritual”.

O Padre Dehon vivia, desde a mais tenra idade, uma determinada orientação espiritual que o levou a procurar uma Congregação caracterizada pelo ideal de amor e de reparação ao Sagrado Coração de Jesus, ou, como dizia, “uma Congregação de homens, e em especial de almas sacerdotais, dedicadas à reparação”. A Congregação a que acaba por dar vida nasce, portanto, da sua experiência de fé, da leitura que faz do Evangelho e da forma muito peculiar como vive o seu Baptismo e o seu Sacerdócio.

“Ao fundar a Congregação dos Oblatos, Sacerdotes do Coração de Jesus, – lê-se nas novas Constituições – o Padre Dehon quis que os seus membros unissem de forma explícita a sua vida religiosa e apostólica à oblação reparadora de Cristo ao Pai pelos homens”. Era esta a sua “intenção específica e original” e o “carácter próprio do Instituto”, a sua própria razão de existir na Igreja.

A oblação de amor compromete a reviver o “Ecce Venio” do Verbo de Deus incarnado na realidade de todos os instantes da vida, reclama a união a Cristo, sacerdote e vítima. Daqui a importância do culto eucarístico no novo Instituto.

Pessoalmente empenhado em formas concretas de apostolado, não propõe nenhuma delas aos seus, ainda que lhes aponte algumas opções preferenciais (as Missões, a educação da juventude, a formação do clero, a promoção dos mais desfavorecidos, as missões populares). Pede-lhes, sim, que sejam simplesmente “Oblatos”, isto é “sacerdotes e vítimas”, que façam do “Ecce Venio” de Jesus e do “Ecce ancilla” de Maria o programa das suas vidas, o espírito que os anima e lança pelos caminhos do mundo como “profetas do amor e servidores da reconciliação”. “Nestas palavras – explica – encontram-se toda a nossa vocação, o nosso fim, o nosso dever, as nossas promessas”. O seu campo de acção preferido será aquele que corresponde às necessidades mais premente e que exige mais entrega e disponibilidade.