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Tempo Comum - Anos Ímpares - XXVII Semana - Sexta-feira

Lectio

Primeira leitura: Joel 1, 13-15; 2, 1-2

Cingi-vos, sacerdotes, e chorai. Lamentai-vos, ministros do altar. Vinde, passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus. Porque, da casa do vosso Deus, desapareceram as ofertas e libações. 14Ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni, anciãos, todos os habitantes do país na casa do Senhor, vosso Deus, e clamai ao Senhor. 15Ai que Dia! Pois o Dia do Senhor está próximo. E virá como a devastação da parte do devastador. 1Tocai a trombeta em Sião, elevai um clamor sobre o meu monte santo! Estremeçam todos os habitantes da terra porque se aproxima o Dia do Senhor! Ele está próximo! 2Dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e sombras. Como a luz da aurora sobre os montes, assim se difunde um povo numeroso e forte, como nunca houve semelhante desde o princípio nem depois haverá outro, no decorrer dos séculos!

Sabemos muito pouco de Joel. O seu ministério pode situar-se entre 400 e 350 a. C. Trata-se de um sacerdote-profeta cultual que não entra em debates, nem religiosos nem políticos, que não sente necessidade de repreender, nem as autoridades nem o povo, pelas suas infidelidades a Deus. É um profeta que não grita nem ameaça. É um homem fiel ao serviço da casa de Deus, que exorta o povo à oração e à penitência. É o homem que intuiu os «últimos dias» caracterizados pela «efusão do espírito sobre toda a carne» e que mereceu o título de «profeta do Pentecostes».
Uma invasão de gafanhotos devastou o país, semeando destruição e morte. Os agricultores, que perderam os frutos do seu trabalho, andam acabrunhados. Mas o mesmo se passa com os sacerdotes «porque, da casa do vosso Deus, desapareceram as ofertas e libações» (v. 13). Vive-se um luto nacional! É preciso preparar uma liturgia penitencial, até porque a calamidade é vista como um aviso sobre a proximidade do «dia do Senhor», «dia de trevas e escuridão» (2, 2ª), que envolverá a própria natureza. A nuvem de gafanhotos, que encobria o sol, prefigurava esse dia espantoso, «como nunca houve semelhante desde o princípio nem depois haverá outro, no decorrer dos séculos» (2, 2b). A fúria devastadora do flagelo convida à reflexão, à oração, à conversão e à penitência. E Joel sabe aproveitar um fenómeno frequente na antiga Palestina para exercer o seu ministério.


Evangelho: Lucas 11, 15-26

Naquele tempo, Jesus expulsou um demónio, 15mas alguns dentre eles disseram: «É por Belzebu, chefe dos demónios, que Ele expulsa os demónios.» 16Outros, para o experimentarem, reclamavam um sinal do Céu. 17Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes:«Todo o reino, dividido contra si mesmo, será devastado e cairá casa sobre casa.
18Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que é por Belzebu que Eu expulso os demónios. 19Se é por Belzebu que Eu expulso os demónios, por quem os expulsam os vossos discípulos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. 20Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós. 21Quando um homem forte e bem armado guarda a sua casa, os seus bens estão em segurança; 22mas se aparece um mais forte e o vence, tira-lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos. 23Quem não está comigo está contra mim, e quem não junta comigo, dispersa.» 24«Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa, de onde saí.’ 25Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

Neste texto, Lucas faz-nos entrar no mistério do encarniçamento da luta contra Jesus, não só por parte dos seus inimigos, mas também por parte de Satanás, o Adversário por excelência, aqui chamado Belzebu, termo de origem sírio-fenícia (de Beelzebul: “senhor do monte”, ou de Beelzebub: “rei das moscas”). Jesus expulsou um demónio. Os inimigos insinuam que o prodígio foi operado pelo poder do próprio chefe dos demónios. Alguém até exige um milagre como «sinal do Céu» (v. 16) para confirmar o seu ser de Deus. É a habitual prova-tentação em que os inimigos de Jesus queriam também envolvê-l´O, mas que é contrária a um verdadeiro caminho fé.
Mas Jesus, «que conhecia os seus pensamentos» (v. 17), desarma-os com uma lógica inequívoca: como pode Satanás dar-lhe poder de combater os seus subalternos? Seria como se quisesse o desmoronamento do seu reino. Mais ainda: se a acusação contra Jesus fosse verdadeira, também poria em causa os exorcistas hebreus, - ironiza Jesus. Mas o centro da questão é colocado por Jesus a outro nível: se Ele expulsa demónios com o poder de Deus (“mão” indica poder: cf. Sl 8, 13) quer dizer que a sua presença equivale à presença do Reino no meio deles (cf. 11, 17-26).
Segue a parábola do homem forte e do «mais forte» que evidencia a vitória de Cristo sobre Satanás. Em relação a Jesus, não há espaço para neutralidade. Ou se está com Ele e se recolhe para a vida que dura, ou se está contra Ele e se perde todo o verdadeiro bem. Note-se também o apelo à vigilância. Satanás não descansa, nem se dá por vencido. Onde vê a casa «varrida e arrumada» (v. 24), isto é, a pessoa decidida a seguir a Cristo, lança um ataque totalitário (expresso pelo número 7: v. 26) porque, por inveja (cf. Sab 2, 24), anseia pela ruína do homem.


Meditatio

O evangelho de hoje leva-nos a meditar sobre o mistério da luta de Jesus contra o Demónio. Os Padres do Deserto davam grande importância a essa luta, que se prolonga na vida dos cristãos. Apesar do cepticismo difuso na nossa sociedade, que se considera evoluída, o Demónio continua presente e actuante no mundo, muito mais do que se possa pensar. A sua força, assenta na estratégia de se fazer esquecer e em aparecer sob formas mais sedutoras e tranquilizantes. Conhecendo bem as suas presas, lança os seus ataques a partir das realidades a que são mais sensíveis. Ceder é abrir brechas a partir das quais se tornam mais fáceis os seus assaltos. Por isso, há que combatê-lo corajosamente, usando as armas da oração, da memória perene da Palavra do Senhor e das suas Promessas, da penitência, com uma grande humildade, que leva a pôr toda a confiança na Graça e a permanecer vigilantes para não sermos surpreendidos. Somos chamados a combater um adversário mais poderoso do que nós, mas com uma arma de que só nós podemos dispor, o Espírito Santo. Com o Espírito do Senhor seremos sempre mais fortes do que Belzebu, que, diante de nós, não passará de “um pobre diabo”, acabando por ser vencido.
Pelo seu Espírito, Jesus Cristo une-nos ao seu combate, para cooperarmos com sucesso na luta contra o mal quer serpeia pelo mundo, e participarmos na vitória, por mais demorada que seja.
A presença do Demónio leva-nos a meditar sobre a dramaticidade da existência cristã, sobre o poder do mal, sobre a vitória de Cristo, sobre a necessidade de estarmos do Seu lado e cerrarmos fileiras, pois o combate espiritual é parte essencial do itinerário do discípulo de Cristo.
Que Cristo se torne o dono da nossa casa, e nós deixemos cair os nossos pensamentos, as nossas preferências, os nossos caprichos, para acolhermos sempre os seus desejos.


Oratio

Senhor Jesus Cristo, que combateste com decisão e persistência o espírito do mal, tem compaixão de mim, teu discípulo fraco, tantas vezes assustado e medroso. Sabes quão frequentes e fortes são os assaltos do maligno! Está comigo, eu to suplico, na hora da tentação. Infunde em mim o teu Espírito Santo, que me fortaleça e ilumine, que me ajude a discernir o bem do mal, nas ambiguidades e incertezas da vida. Em todas as circunstâncias, particularmente nas horas de sofrimento e de luta, quero invocar o teu nome. Contigo a meu lado, ninguém poderá atingir-me. Invocando o teu nome, a vitória será certa. Amen.


Contemplatio

Toda a vida de Nosso Senhor foi um combate contra Satanás, cujo império vinha destruir; mas o Evangelho assinala-nos duas circunstâncias principais desta luta, no começo e no fim do seu ministério público. Na primeira destas lutas, Satanás procurou seduzi-lo pela atracção da tríplice concupiscência, pelas seduções da sensualidade, da vanglória e da ambição. Na segunda, procurou abatê-lo com o medo e os terrores da morte. Foi da queda de Adão, seduzido pelo demónio, que saíram o mal e o pecado; era da vitória de Nosso Senhor que deviam sair a reparação e a salvação. Ele quis particularmente, na sua tentação do Jordão, ensinar-nos a arte dos combates espirituais e merecer-nos a vitória. Quis mostrar-nos o segredo da força, que é o amor. Vede em que condições avança para enfrentar as tentações: Cheio de Espírito Santo (S. Lucas); conduzido pelo Espírito (S. Marcos). O seu Coração está cheio do amor do seu Pai, esta é a sua força. Notai as suas respostas ao demónio, são todas tiradas da Escritura, porque Ele se alimenta da palavra do seu Pai bem amado e nada mais procura do que a sua vontade. Satanás propõe-lhe mudar as pedras em pão para matar a sua fome; mas Ele tinha empreendido este jejum para fazer a vontade do seu Pai e levá-lo-á até ao fim sem nada alterar. Reserva-se fazer milagres para manifestar aos homens a sua missão divina e não para a sua própria utilidade. O demónio propõe-lhe em seguida de se atirar do alto do templo contando no socorro divino, mas Ele responde que nós não devemos tentar a Deus e colocar a sua omnipotência ao serviço da nossa própria vontade. Satanás propõe-lhe, finalmente, dar-lhe todos os reinos do mundo se quiser adorá-lo; mas Jesus responde-lhe que só tem uma lei e um cuidado, que é de adorar o seu Pai. O amor do seu Pai é a sua luz e a sua força. (Leão Dehon, OSP 3, p.216s.)


Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
«O Reino de Deus está no meio de nós» (cfr. Lc 11, 20).
 

 
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