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2 Vidimus eum et non erat aspectus et desideravimus eum 3 despectum et novissimum virorum virum dolorum et scientem infirmitatem et quasi absconditus vultus eius et despectus unde nec reputavimus eum 4 vere languores nostros ipse tulit et dolores nostros ipse portavit et nos putavimus eum quasi leprosum et percussum a Deo et humiliatum 5 ipse autem vulneratus est propter iniquitates nostras adtritus est propter scelera nostra disciplina pacis nostrae super eum et livore eius sanati sumus (Is 53, 2-5).

2 Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. 3 Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. 4 Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. 5 Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas chagas fomos sarados (Is 53, 2-5).
 

Primeiro Prelúdio. Jesus-Hóstia era o desejado das nações. Tem por nós um coração de mãe. Foi oprimido de sofrimento pelos nossos pecados.
Segundo Prelúdio. Ganhai, enfim, o meu coração, ó meu Salvador, tenho sede do vosso amor.

PRIMEIRO PONTO: Quem vem? É o Salvador desejado e esperado pelas nações. – O patriarca Jacob dizia-o abençoando o seu filho Judá: «O ceptro não sairá de Judá, dizia, até que venha aquele que deve vir e será o desejado de todos os povos» (Gen 41). Nós o sabemos, Israel esperava o Messias e todos os povos desejavam um Salvador. Nós o possuímos, nós, este Salvador, no tabernáculo, e não vamos ter com ele!
E Jesus, por sua vez, desejava esta Páscoa na qual se comunicaria a nós (Lc22). Deseja ainda ardentemente as nossas visitas, as nossas comunhões, E nós, nós permanecemos tíbios. A nossa alma quer e não quer. Não tem senão veleidades (Prov. 21, 25). O Coração de Jesus está triste com isso.
Quer a nossa visita para acender nos nossos corações o fogo dos santos desejos.
A minha alma é esta Jerusalém descrita por Jeremias (Lam 1), toda desolada, devastada, sem energia e sem força. Irei ao sacrário receber os eflúvios da sabedoria e da força divinas.

SEGUNDO PONTO: Quem vem? É o Salvador que se diz nossa mãe e mais do que nossa mãe. – «Sião, dizia: O Senhor me abandona e me esquece. – Não, responde o Senhor, é que uma mãe pode esquecer o seu filho e o fruto das suas entranhas? E mesmo que uma mãe pudesse esquecer o seu filho, eu nunca vos esqueceria» (Is 49, 14).
Nós temos, portanto, no sacrário, uma mãe e mais do que uma mãe. Donde vem que não vamos com mais confiança ao Coração eucarístico /641 de Jesus?
Quem sou eu? Um bebé que precisa de ser aleitado com leite real. O Salvador está lá para mo dar. O profeta prometeu-o: «Tu terás o leite real, dizia a Sião, e tu saberás que sou o teu Salvador, o teu Redentor e a tua força (Is 60).
Tenho lá no sacrário o pão dos fortes, o maná que deleita e que alimenta. Se não negligencio este banquete, este alimento divino, crescerei em força e em graça. É a intenção de Nosso Senhor.
Como bebés, diz S. Pedro, desejai e saboreai o leite espiritual, para que a graça da salvação cresça em vós (1Pd 2, 2).
Crescei, diz-nos S. Paulo, até ao desenvolvimento do homem perfeito, para que não sejais mais como crianças sem vontade; cumpri os vossos deveres por amor, a fim de crescerdes sem cessar em Cristo que é o vosso chefe (Ef 4, 13).
Irei, portanto, ao sacrário buscar o leite da sabedoria e o espírito de caridade ao coração de Cristo.

TERCEIRO PONTO: Quem vem? É o homem de dores, ferido por nós. – Jesus guardou os seus estigmas. No tabernáculo, não sofre mais, mas está ainda marcado pelos sinais do homem das dores. É ainda o cordeiro imolado e oferecido como vítima ao seu Pai. A aparência do pão recorda-nos que foi triturado como trigo.
Aceitou esta atitude humilhada, esta vida escondida sob a hóstia. Está lá, exposto a todos os desprezos, a todos os esquecimentos, a todos os sacrilégios.
Que contraste! Vem à minha alma que está ávida das suas comodidades; à minha alma que é inimiga da cruz e que prefere uma coroa de rosas à coroa de espinhos; mas vem para me ensinar a via do sacrifício, que conduz ao céu. Os que são de Cristo, diz S. Paulo, os que conhecem e que amam a Cristo, crucificam a sua carne com os seus vícios e as suas concupiscências (Gal 5, 24).
Estou pregado à cruz com Cristo, diz ainda, já não vivo, é Cristo que vive em mim, o Cristo crucificado, humilde, obediente, desapegado das criaturas (Gal 2, 19).
Irei ao pé do sacrário pedir estas lições ao Coração de Jesus.

Resoluções. – Não serei mais indiferente pelo Salvador que todas as nações esperavam. Hei-de ir buscar junto dele as graças da salvação. É para mim como uma mãe, irei com uma afeição filial alimentar-me do leite da graça. Irei ao homem das dores aprender o sacrifício, a obediência e a abnegação.

Colóquio com Jesus-Hóstia.