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1 Volo enim vos scire qualem sollicitudinem habeam pro vobis et pro his qui sunt Laodiciae et quicumque non viderunt faciem meam in carne 2 ut consolentur corda ipsorum instructi in caritate et in omnes divitias plenitudinis intellectus in agnitionem mysterii Dei Patris Christi Iesu 3 in quo sunt omnes thesauri sapientiae et scientiae absconditi (Col 2,1-3).
 

1 Gostaria, pois, que soubésseis quão grande luta venho mantendo por vós, pelos laodicenses e por quantos não me viram face a face; 2 para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, 3 em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Col 2, 1-2).
 

Primeiro Prelúdio. Em Jesus, no seu Coração, estão escondidos todos os tesouros da caridade, da sabedoria e da virtude.

Segundo Prelúdio. Dai-me, Senhor, alguma esmola deste rico tesouro.

PRIMEIRO PONTO: Humildade. – Esta meditação e as duas seguintes foram-nos inspiradas pelo P. Cláudio de la Colombière. «O Coração de Jesus, diz-nos no seu acto de oblação, é a sede de todas as virtudes, a fonte de todas as bênçãos, e o retrato de todas as almas santas». O santo religioso inspirava-se nas comunicações e nas cartas de Margarida Maria.
«A primeira virtude que deve honrar-se nele, diz, é um ardentíssimo amor de Deus seu Pai, junto a um respeito muito profundo e à maior humildade que jamais existiu». Não disse Nosso Senhor mesmo: «Aprendei de mim que sou doce e humilde de coração!».
Falamos aqui da humildade fundamental, que consiste em reconhecer o nada da criatura e a grandeza infinita de Deus. É esta humildade do Coração de Jesus que estabelecia Nosso Senhor no respeito mais profundo da Majestade divina e no amor ardente pelas infinitas perfeições do seu Pai celeste.
Esta deve ser para nós também a virtude principal e o fundamento de todas as outras. Não é senão pôr em prática o primeiro mandamento em toda a sua integridade: Um só Deus adorarás e amarás perfeitamente.
SEGUNDO PONTO: Paciência. – «A segunda virtude a honrar no Sagrado Coração, diz o P. Cláudio de la Colombière, é uma paciência infinita nos males, uma contrição e uma dor extremas pelos pecados de que se carregou, a confiança de um filho muito terno aliada à confusão de um grande pecador». – Sabia que Nosso Senhor, manifestando o seu coração a Margarida Maria, tinha sobretudo atraído a nossa atenção sobre os seus mistérios dolorosos, sobre a sua Paixão e os seus sofrimentos reparadores.
«O Sagrado Coração foi-me representado sobre um trono de fogo, tinha-lhe dito Margarida Maria, e a chaga que tinha recebido sobre a cruz aparecia-lhe visivelmente. Havia uma coroa de espinhos em volta deste Sagrado Coração e uma cruz em cima. O divino Salvador fez-me conhecer que estes instrumentos da Paixão significavam que o amor imenso que tem pelos homens tinha sido a fonte de todos os sofrimentos e humilhações que quis sofrer por nós; que desde o primeiro instante da sua incarnação, todos estes tormentos e todos estes desprezos lhe tinham sido preparados, que a cruz foi, por assim dizer, plantada no seu Coração, e que foi desde aquele primeiro instante que aceitou, para nos testemunhar todo o seu amor, todas as humilhações, a pobreza, as dores que a sua sagrada humanidade devia sofrer em todo o curso da sua vida mortal, e os ultrajes aos quais o amor devia expô-lo até ao fim dos séculos, sobre os nossos altares, no santíssimo e augustíssimo Sacramento…».
Paciência, reparação, abandono, aí está toda a vida do Coração de Jesus. Deu-nos este exemplo com a graça para o imitarmos.
Era a resolução do P. Cláudio de la Colombière: «Abraço, dizia, a amável cruz da obediência até à minha morte. Ela será todo o meu prazer, toda a minha glória e as minhas delícias. A Deus não agrada que eu me glorifique, que jamais me regozije que não seja na cruz de Jesus Cristo. A Deus não agrada que jamais tenha outro tesouro que não seja a sua pobreza, outras delícias que não sejam os seus sofrimentos, outro amor que não seja ele mesmo!». Tal deve ser também o meu ideal.
TERCEIRO PONTO: Caridade. – «A terceira virtude que é preciso honrar no Sagrado Coração, diz ainda o P. Cláudio de la Colombière, é a sua compaixão muito sensível pelas nossas misérias, o seu amor imenso por nós apesar destas mesmas misérias, e, apesar destes movimentos e impressões, a sua igualdade inalterável causada por uma conformidade tão perfeita à vontade de Deus, que não podia ser perturbada por nenhum acontecimento».
Não foi na misericórdia do seu Coração que ele nos visitou: Per viscera misericordiae in quibus visitavit nos (Lc 1, 78). Quando Jesus encontra doentes, mortos, o seu Coração não pode resistir às lágrimas daqueles que os envolvem. Emudecido de piedade, cura-os, dá-lhes a vida: misericordia motus (Lc 7, 13).
Vendo a multidão sem provisões para a sua refeição, tem compaixão dela: misereor super turbam (Lc 10, 33). /669
«Este Coração está ainda, quanto isso ainda possa ser, nos mesmos sentimentos, observa o P. Cláudio de la Colombière, está sempre ardente de amor pelos homens, sempre aberto para espalhar todas as espécies de graças e de bênçãos, sempre tocado pelos nossos males, sempre pressionado pelo desejo de nos dar a participar nos seus tesouros e a dar-se a si mesmo a nós, sempre disposto a nos receber, e a nos servir de asilo, de morada e de paraíso, desde esta vida».
Mantendo-me unido ao Coração de Jesus e meditando nos seus mistérios, participarei cada vez mais nas suas virtudes.
Resoluções. – Tenho ao meu alcance, no Coração de Jesus, a fonte de todas as virtudes, que podem resumir-se na humildade, na paciência, na caridade; mas é preciso que resolutamente beba nesta fonte. É preciso que me una sempre mais fielmente ao Coração de Jesus em cada uma das minhas acções.

Colóquio com o Sagrado Coração.