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1 Estote ergo imitatores Dei sicut filii carissimi 2 et ambulate in dilectione sicut et Christus dilexit nos et tradidit se ipsum pro nobis oblationem et hostiam Deo in odorem suavitatis (Ef 5, 1-2).

1 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; 2 e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Ef 5, 1-2).
 

Primeiro Prelúdio. Jesus amou-nos simultaneamente com o seu amor divino e humano e entregou-se por nós.
Segundo Prelúdio. É o vosso admirável amor, Senhor, que quero sobretudo honrar no símbolo do vosso Coração.

PRIMEIRO PONTO: É sobretudo o seu amor pelos homens que honramos no Coração de Jesus. – O amor que honramos neste culto é sobretudo o amor de Jesus pelos homens, o amor que pede uma reciprocidade de amor. Quem é que melhor nos pode instruir senão Nosso Senhor mesmo? Ora o que foi que ele disse a Margarida Maria? Quando da sua primeira grande revelação, no dia 27 de Dezembro de 1673, na festa de S. João, mostra-lhe o seu coração sobre um trono com uma coroa de espinhos e a cruz, e diz-lhe que estes instrumentos da Paixão significavam o amor imenso que manifestou pelos homens e pelo qual pedia um amor recíproco.
Na segunda grande revelação, na primeira sexta-feira de Junho de 1674, Nosso Senhor descobre à sua serva «as maravilhas inexplicáveis do puro amor, e até àquele excesso que o tinha levado a amor os homens dos quais não recebia senão ingratidões e desconhecimentos…».
Finalmente, na terceira grande revelação, durante a oitava do Santíssimo Sacramento em 1675, Nosso Senhor dá a fórmula definitiva desta devoção: «Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até esgotar-se e consumir-se, para lhes testemunhar o seu amor, e que não recebe em troca, na maior parte das vezes, senão ingratidões e desprezos…». Nada mais claro, Nosso Senhor queria sobretudo recordar-nos os seu amor por nos e pedir-nos um amor recíproco.

SEGUNDO PONTO: É também, por extensão, o seu amor por Deus. – O amor de Jesus pelos homens não vai sem o seu amor pelo seu Pai; está por ele todo penetrado, colhe nele a sua fonte, tem nele o seu motivo, Jesus sabe o grande /620 mandamento: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração…» e o segundo mandamento, que é semelhante ao primeiro: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo e por Deus».
Chama a nossa atenção sobre o seu amor por nós, mas espontaneamente nós estendemos a nossa contemplação a todo o seu Coração, a todo o seu interior, a todas as suas virtudes, e o sentimento mais elevado que aí encontramos é o seu amor pelo seu Pai. «As principais virtudes que se pretende honrar no Coração de Jesus, diz o P. Cláudio de la Colombière, são primeiramente um amor ardentíssimo de Deus seu Pai». O P. Croiset e o P. de Gallifet não falam de modo diferente. A devoção ao Coração de Jesus é, no seu objecto directo e imediato, a devoção ao Coração de Jesus ardente de amor por nós; mas é também, por uma extensão legítima e natural, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus em toda a sua vida íntima, nas suas virtudes e particularmente no seu amor por Deus.
Enquanto emblema, é o seu amor por nós que Jesus nos revela ao descobrir-nos o seu coração, mas convida-nos indirectamente a contemplar este divino Coração em toda a sua vida íntima e em todas as suas virtudes, das quais a primeira é o amor pelo seu Pai.

TERCEIRO PONTO: É o seu amor criado antes que o seu amor incriado. – Qual é o amor de Jesus que é preciso honrar na devoção ao Sagrado Coração, o seu amor criado ou incriado? O amor com que nos ama como homem na sua natureza humana, ou aquele com que nos ama como Deus na sua natureza divina e, para repetir uma expressão clara e curta, aquele que criou Lázaro ou aquele que chorou sobre Lázaro? (P. Bainvel)
Não há dúvida que o objecto preciso e formal da nossa devoção é o Coração humano de Jesus, animado do seu amor divino e humano. É o Coração do Verbo incarnado que tanto amou os homens; é o imenso amor do Verbo incarnado, que se manifesta em toda a sua vida, na sua morte, no Santíssimo Sacramento. Assim falam aqueles que tinham a missão de propagar esta devoção, o P. de la Colombière, o P. Croiset, o P. de Gallifet.
Mas aconteceu, e isto era natural que se passasse facilmente à consideração do amor puramente divino, que levou o Verbo de Deus a nos criar, a nos conservar e sobretudo a tomar um corpo mortal para nos salvar. Isto não é estritamente a devoção ao Sagrado Coração, é uma consequência. Tendo-nos tornado mais amantes a respeito do Coração do Verbo Incarnado, tornamo-nos também mais gratos para com o Verbo divino/621 que quis tomar um corpo humano para o oferecer como vítima em nosso proveito.

Resoluções. – Quanto mais a minha devoção se esclarece, mais amo o Coração de Jesus. Conheço-o melhor, medito-o mais facilmente. Quero viver e morrer neste Coração, que viveu por meu amor. Quero unir-me a ele sempre mais fielmente no começo das minhas acções.

Colóquio com o Sagrado Coração.