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7 Sacrificium et oblationem noluisti aures autem perfecisti mihi holocaustum et pro peccato non postulasti 8 tunc dixi ecce venio in capite libri scriptum est de me 9 ut facerem voluntatem tuam Deus meus volui et legem tuam in medio cordis mei (Sl 39, 7-9).

7 Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres. 8 Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; 9 agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei (Sl 39, 7-9).
 

Primeiro Prelúdio. Deus não quis mais sacrifícios da antiga lei, mas colocou no coração de Nosso Senhor a lei do sacrifício novo. O Coração de Jesus é o sacerdote da nova lei, como Aarão e a sua raça eram os sacerdotes da antiga.

Segundo Prelúdio. Ofereço, Senhor, a vosso Pai, os sacrifícios do vosso Coração e a eles uno os meus.

PRIMEIRO PONTO: É pelo seu Coração que Jesus exerce principalmente o seu sacerdócio. – O salmo no-lo diz: Deus escreveu no Coração de Jesus a lei do sacrifício novo. S. Paulo repete-o: Pela oblação de si mesmo, Jesus santificou-nos (Heb 10, 14). É o amor do Coração de Jesus pelo seu Pai e por nós que inspira e dirige a sua oblação e a sua imolação. A Igreja no-lo recorda na santa liturgia: no hino do tempo pascal, Ad regias agni dapes, mostra-nos o amor-sacerdote, ou o Coração sacerdotal de Jesus oferecendo o sacrifício redentor:
Divina cujus caritas
Sacrum propinat sanguinem
Almique membra corporis
Amor sacerdos immolat.
«É a caridade, é o amor-sacerdote, que derramou o sangue e imolou a carne do divino cordeiro sobre a cruz».
«Como amava os seus, Jesus amou-os até ao fim» (Jo13). Depois de uma vida toda de sacrifício, entrega-se aos perseguidores e aos seus carrascos que o crucificam. «É, diz, para que o mundo seja testemunha do amor que tenho pelo meu Pai» (Jo 14). «Amou-me, diz S. Paulo, e entregou-se por mim» (Gal 2).

SEGUNDO PONTO: O Coração sacerdotal de Jesus é o órgão de um culto perfeito de amor e de reparação para com o seu Pai, de expiação e de impetração pelos homens. – O louvor infinito que o Verbo é em pessoa na eternidade, /686 transportou-o para o mundo. A este louvor eterno acrescentam-se a adoração, o reconhecimento, a oração da humanidade que uniu hipostaticamente a si.
E como Cristo, embora puro e perfeito em si mesmo, é o chefe da humanidade decaída, oferecerá também ao seu Pai um sacrifício de expiação para reparar a glória do seu Pai ultrajada.
Mas que vítima oferecerá ele a seu Pai? Uma vítima de um preço infinito, uma vítima divina pode unicamente ser adequada à glória de Deus. O Coração de Jesus oferecer-se-á, portanto, a si mesmo. Sacerdote e vítima, imolar-se-á como uma hóstia de amor, de reconhecimento, de reparação e de oração. Imolar-se-á morrendo de amor, dando a sua vida, ao mesmo tempo em que os seus carrascos se esforçam por tirá-la: «Dou a minha alma por mim mesmo, diz, e ninguém ma poderia tirar» (Jo 10).
Este Coração adorável queria ao mesmo tempo glorificar o seu Pai, salvar as nossas almas até ao fim e sem limites, quis perpetuar o seu sacrifício, multiplicá-lo por toda a terra e eternizá-lo no céu. Vítima oferecida desde o primeiro instante da sua Conceição, sacrificou-se no Calvário, imola-se na Eucaristia, oferece-se no céu, «sempre vivo para interceder por nós» (Heb 7, 25).

TERCEIRO PONTO: O sacerdócio da nova lei saiu do Coração de Jesus como um rio de amor e de vida. – Até à Quinta-feira santa a plenitude do sacerdócio eterno estava concentrada em Nosso Senhor Jesus Cristo. O seu coração é um abismo infinito de glória pelo seu Pai e de salvação pelos homens. Deste abismo, o céu viu sair naquele dia, um duplo rio de amor e de vida: o sacerdócio e a Eucaristia. Este duplo rio ia espalhar as suas águas divinas em toda a Igreja de Deus para tudo inundar, tudo vivificar, regenerar e santificar.
Naquele dia, duas presenças de Jesus aqui em baixo foram fundadas: a sua presença física nos tabernáculos, a sua presença moral no sacerdócio católico. Nosso Senhor permanece connosco de uma maneira invisível e velada na Eucaristia. E encarregou os seus sacerdotes de o consagrarem, de o darem a conhecer, de o distribuírem, de serem os propagadores da sua luz, do seu amor, da sua vida.
A Providência ilumina, aquece e vivifica a natureza, sobretudo pelo sol. O sacerdócio é o sol sobrenatural de que Jesus se serve para iluminar, vivificar, divinizar as almas.
Os padres são como o coração da Igreja, o órgão mais íntimo e mais influente de Jesus, o principal motor pelo qual o seu sacerdócio divino leva por toda a parte a vida (SAUVÉ, Jesus intime).

Resoluções. – Sacerdote e vítima, todo o cristão deve sê-lo numa certa medida. O padre mais do que qualquer outro deve estar unido ao Coração sacerdotal de Jesus. Uno, ó Jesus, os meus pequenos sacrifícios de cada dia, de cada hora ao sacrifício perpétuo de amor e de reparação do vosso divino Coração.

Colóquio com o Coração sacerdotal de Jesus.