No mês de Novembro:
rezar pelas almas, recordar verdades esquecidas
O mês de Novembro recorda-nos um mistério importante da nossa fé católica, o purgatório, sendo tradicionalmente o mês das almas, como o mês de Outubro é o mês do Rosário, como o mês de Maio é de Nossa Senhora, como Junho é do Coração de Jesus, como Março de S. José, como Dezembro, o mês do Menino. Mesmo numa sociedade cada vez mais secularizada, que tem vergonha dos sinais que marcaram a sua história e a sua identidade, é importante que os católicos não se deixem levar nesta onda que, como um Tsunami, tudo inunda e submerge! É difícil resistir à onda, que mais do que isso, é mesmo uma terrível inundação. Usando uma linguagem simbólica, parece que hoje a poluição moral e espiritual é de tal ordem, que tornou a atmosfera irrespirável, e a água de tal modo poluída, que o peixe (símbolo cristão) já não pode viver!...
Vivemos tempos difíceis, todos o sabemos e sentimos, e não é apenas pelas notícias, mas também por experiência própria: a crise financeira mundial dos mercados; corrupção e escandalosas injustiças na distribuição das riquezas; a criminalidade e insegurança nas nossas cidades e nos campos, particularmente sentida entre nós; a crise e instabilidade nas famílias; a crise dos valores na sociedade; a perda de sensibilidade e de delicadeza nas relações, como se as regras da boa educação entre nós tivessem desaparecido ou sido esquecidas.
No que diz respeito à vida da Igreja, chegam-nos notícias que nos deixam perplexos: a secularização cada vez maior, sendo já uma realidade a falta de fé e a apostasia de grande parte da sociedade europeia; o silêncio dos pastores sobre questões importantes da sociedade, no plano da ética e da moral; perseguições à Igreja em muitas partes do mundo, na Índia, no Médio Oriente.
Que podemos fazer para inverter esta situação? Sem dúvida que não podemos resolver todos os grandes problemas do mundo, mas podemos contribuir para que não seja pior.
No fim de Outubro, no dia 19 mais propriamente, celebrámos o dia das Missões. Toda a Igreja é convocada todos os anos para neste dia tomar consciência de que a dimensão missionária é essencial na vida da Igreja, e deve interessar todos os cristãos, e não apenas aqueles que partem para as chamadas terras de missão. No princípio de Outubro dois jovens estudantes dos Dehonianos (Sacerdotes do Coração de Jesus) partiram para Angola, para aí darem o seu contributo nas jovens comunidades cristãs em Viana, perto de Luanda, e no Luau, a uns 2000 Km de distância, perto do Congo.
Mas hoje há um fenómeno novo: as famílias em missão, que partem para onde a Igreja mais precisa, toda a família (os pais e os filhos) para aí, quer no assim dito terceiro mundo, quer nos países mais desenvolvidos, mas onde a fé definha a olhos vistos, darem testemunho, pela sua presença, por aquilo que elas são, da esperança e da vida nova que nos vem do Evangelho.
Mas há muitos que são missionários no seu ambiente, dando testemunho pela coerência de vida, de que há uma alternativa para este estado de coisas, e de todas as idades. Como a daquele rapazito, de cinco anos, que no jardim-de-infância em que estava contestou a educadora que não queria armar o presépio, porque dizia que o sinal do natal era a árvore e o pai natal. E o miúdo enfrentou a educadora, dizendo que o pai natal era uma mentira, era o símbolo da coca-cola; que o presépio é que era o sinal do Natal, que assim lhe ensinava o pai em casa. E a educadora não teve outro remédio senão armar mesmo o presépio.
E aquela esposa e mãe, que, esperando o seu sexto filho, assim respondia a alguém, mesmo da usa família que lhe atirava ao rosto: não tens vergonha de engravidar mais uma vez, assim respondeu: Vergonha? Mas eu sou casada, casada pela Igreja! Eu durmo com o meu marido, não com o vizinho ou o carteiro! Como é possível que tão depressa mesmo pessoas cristãs tenham esquecido que uma das finalidades do matrimónio cristão é mesmo colaborar com Deus na criação de novas vidas, chamadas a participarem na vida divina, e viveram a alegria de Deus no tempo e na eternidade?!... É urgente recordar verdades esquecidas!...
É gente assim, que com a coragem da verticalidade e com a força da fé, fará com que a situação de crise em que vivemos seja invertida. Como o fizeram os pastorinhos, quando aceitaram colaborar com Deus, oferecendo as suas vidas, os seus sacrifícios e as suas orações, para a conversão dos pobres pecadores, para que não fossem para o inferno.
José Jacinto Ferreira de Farias, scj
Joseffarias@netcabo.pt