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O Pe. Mário Malagoli SCJ, faleceu ontem de madrugada no hospital de Aveiro. Desde há algum tempo que o Pe. Mário sofria de um problema grave de saúde que o obrigou a ser internado no hospital por diversas vezes. Ultimamente, após uma curta estadia na comunidade da Casa Sagrado Coração, a situação agravou-se, tendo sido de novo internado. Na madrugada de ontem – 11 de Julho – o Senhor achou por bem chamá-lo à sua presença.
Ontem à noite realizou-se uma momento de oração junto ao corpo do Pe. Mário, na capela da Casa Sagrado Coração, noviciado da Congregação. Membros das comunidades SCJ mais próximas, amigos e vizinhos, bem como o Sr. Bispo D. Manuel Trindade, antigo bispo de Aveiro que conhecera o Pe. Mário dos tempos de Coimbra, estiveram presentes nessa prece ao Senhor pelo descanso eterno deste nosso confrade.
O funeral realizou-se esta tarde. Às 15.30 houve missa exequial na capela do noviciado presidida pelo Bispo de Aveiro, D. António Marcelino e concelebrada por 30 sacerdotes da Congregação e das dioceses de Aveiro e de Coimbra. Amigos, confrades e benfeitores marcaram também presença neste último adeus ao Pe. Mário. No final da celebração o Pe. Provincial dirigiu algumas palavras à assembleia, destacando a dedicação e zelo demonstrados pelo Pe. Mário ao longo de toda a sua vida, mesmo quando a doença mais o atormentava. Seguiu-se a procissão para o cemitério de Esgueira. Antes da colocação da urna no jazigo da Congregação o Pe. Ângelo Caminati quis deixar também o seu testemunho. Recordou os tempos em que se encontraram no Seminário de Albino, a viagem que fizeram de Itália para Portugal, os primeiros anos da fundação do Instituto Missionário, em Coimbra, a inteligência, fidelidade e ordem do Pe. Mário… bem como a sua paixão pelos carros Ferrari e pela Juventus…
O Pe. Mário partiu para junto do Pai… Junto de nós que o tivemos por professor, director espiritual, confessor e confrade fica a sua alegria, o seu gosto de viver, o seu modo simples e inteligente de comunicar e de viver a consagração religiosa.
Paz à sua alma.

| Zeferino Policarpo, scj |
 

Notas Biográficas

O Pe. Mário Malagoli, filho de Michele Malagoli e de Lavinia Morselli, nasceu a 27 de Janeiro de 1916, em Soliera, Modena, Itália, sendo baptizado dois dias depois na igreja paroquial do lugar. A 29 de Setembro de 1930, entrou na Escola Apostólica do Sagrado Coração, em Albino (Bergamo). Fez o seu noviciado em Albissola Superiore, professando a 29 de Setembro de 1936. Em 29 de Setembro de 1939, fez a profissão perpétua em Oropa (Vercelli). Ordenado Diácono a 18 de Abril de 1943, em Castiglione, recebeu a Ordem do Presbiterado a 27 de Junho do mesmo ano, em Bologna. De 1945 a 1946, foi professor em Foligno. Nos dois anos seguintes foi coadjutor em Ponte San Marco e em Gardilleta. Em 1948 foi nomeado superior da comunidade de Boccadirio, mas acabou por ser enviado como coadjutor para a paróquia de Quarticciolo (Roma). De 1949 a 1951, foi educador na Escola Apostólica, em Albino. Em finais de 1951 veio para Portugal, tornando-se membro da comunidade do Instituto Missionário do Sagrado Coração, em Coimbra, aberta em 1952. Aí foi professor e director espiritual. Entretanto foi nomeado também director espiritual do Seminário Diocesano de Coimbra, serviço que prestou durante cerca de 16 anos. Foi depois professor e director espiritual no Seminário Pe. Dehon (Boavista), no Colégio Missionário (Funchal), no seminário diocesano do Funchal, educador e animador espiritual no Colégio do Infante, na Madeira, vivendo os últimos cinco anos na Casa do Sagrado Coração de Jesus, em Aveiro.
A vida do Pe. Mário foi quase integralmente dedicada à formação de religiosos e sacerdotes (da Congregação da diocese de Coimbra e de outras dioceses) e à educação da juventude. A sua boa disposição, a sua alegria, a sua capacidade de comunicação, faziam-no irradiar simpatia e comunicar entusiasmo. O seu gosto pela ordem, a sua fidelidade ao horário e aos projectos assumidos, levavam-no a trabalhar com intensidade, mas sem frenesim, dando a cada coisa o tempo necessário, e cumprindo todos os seus deveres. Ao aproximar-se a data do 60º aniversário da sua ordenação sacerdotal (27-06-2003), o Pe. Virgínio Bressanelli, ainda Superior Geral, escreveu-lhe: "Obrigado pelos seus anos de serviço à Província Portuguesa! Mantenha sempre o seu bom espírito e a alegria da vida fraterna".
O Pe. Mário viveu intensamente a Comunhão dos Santos. Gostava de ler as suas vidas e de celebrar as suas festas. Cada noite, a sua leitura espiritual incluía o resumo biográfico da vida dos Santos do dia seguinte.
Passou as últimas três semanas no hospital, geralmente bastante lúcido, sempre sereno e sorridente, apesar dos sofrimentos. Quando o visitava, apontava para o céu sorrindo e dizendo palavras não muito bem articuladas, mas cujo sentido era claro: vou para o céu! E foi, pelas quatro horas da manhã do dia 11 de Julho de 2003, festa de S. Bento, padroeiro da Europa.
Que descanse em paz, no Coração de Jesus!

| Fernando Fonseca, scj |