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A chegada das férias constitui uma excelente oportunidade para abrandarmos o nosso ritmo quotidiano e gastarmos mais tempo a admirar a beleza da natureza. Montanhas, rios, vales, mares, florestas, animais, campos… têm estado sempre aí. Nós é que muitas vezes vivemos numa correria constante, que nem nos damos conta daquilo que nos envolve.

E como nos faz bem olhar a natureza! Que agradável sensação nos fica quando deixamos que a beleza natural toque o nosso coração! É algo que nos faz bem e nos transforma, ao comunicar-nos essa tranquilidade e sensação de harmonia, com a qual sintonizamos facilmente e que é fonte de contentamento para cada pessoa. Ao mesmo tempo, é uma beleza que se nos comunica de forma grátis, incondicional e espontânea: não pagamos nenhuma taxa, não temos um período determinado, não há acesso restringido.

A beleza serena e calada de altas montanhas e fundos vales pergunta-nos se as nossas correrias diárias realmente valem a pena e convida-nos a adoptar um outro estilo de vida. Recorda-nos que a nossa felicidade está mais em contemplar, cuidar e gozar essas coisas simples da vida que em conquistar, adquirir e possuir tudo aquilo com que nos enchem o coração.

Estamos assim melhor preparados para entender as palavras no papa Francisco: “Deus escreveu um livro estupendo, «cujas letras são representadas pela multidão de criaturas presentes no universo». E justamente afirmaram os bispos do Canadá que nenhuma criatura fica fora desta manifestação de Deus: «Desde os panoramas mais amplos às formas de vida mais frágeis, a natureza é um manancial incessante de encanto e reverência. Trata-se duma contínua revelação do divino». Os bispos do Japão, por sua vez, disseram algo muito sugestivo: «Sentir cada criatura que canta o hino da sua existência é viver jubilosamente no amor de Deus e na esperança». Esta contemplação da criação permite-nos descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir através de cada coisa, porque, «para o crente, contemplar a criação significa também escutar uma mensagem, ouvir uma voz paradoxal e silenciosa». Podemos afirmar que, «ao lado da revelação propriamente dita, contida nas Sagradas Escrituras, há uma manifestação divina no despontar do sol e no cair da noite». Prestando atenção a esta manifestação, o ser humano aprende a reconhecer-se a si mesmo na relação com as outras criaturas: «Eu expresso-me exprimindo o mundo; exploro a minha sacralidade decifrando a do mundo»” (LS 85).

Com efeito, num espaço e num tempo em que acreditar parece mais difícil, a beleza assombrosa da natureza aí está como testemunho e estímulo a deixarmos ecoar no nosso coração a pergunta pelo Criador de tudo quanto vemos e escutamos. E este é um bom exercício para este tempo de férias…

 

José Domingos Ferreira, scj