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A área de Timor Loro Sae/Oriental é de 14.609.38 Km. A população ronda 790.256 pessoas. Embora o português e o tétum sejam as línguas oficiais, o Bahasa Indonésia e o Inglês são frequentemente línguas utilizadas. Religião: 91,4% – católicos; 2,6% – protestantes; 1,7% – Muçulmanos. Há também comunidades de Budistas e Induistas. Em relação ao clima, pode dizer-se que chove de Novembro até Junho e a estação seca é de Julho a Outubro. As temperaturas oscilam entre 15 graus nas montanhas e 30 graus e são ainda superiores na Costa Norte. Desapareceu a moeda rupia (indonésia) e entrou o dólar americano, prevendo-se o lançamento do dólar timorense havendo já moedas do dólar timorense, mas não há ainda notas.
Timor é o mais novo país do mundo. As diferentes étnicas influenciaram e contribuíram para o desenvolvimento de Timor. A ilha de Timor atraiu comerciantes chineses e malaios, no século XV, pela abundância de madeira de sândalo, de mel e de cera.
Estes mesmos biblioteca atraíram os portugueses em 1512. A sua influência persistiu e resultou na colonização daquela ilha, particularmente Timor Oriental, por 400 anos. Os missionários estiveram presentes desde o início, sendo por isso, hoje a fé católica a religião dominante. Contemporaneamente com o catolicismo, muitos timorenses retiveram os seus costumes e ritos animistas. Não é preciso ir muito longe para verificar esta tradição. Basta percorrer a praia da "ilha paradisíaca" de Jaco, não habitada, para ver altares, comida e vestígios de rituais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados (Australianos e Holandeses) tiveram grandes lutas contra as forças japonesas em Timor. Em 1945 foram restabelecidas as leis portuguesas em Timor. A 30 de Agosto de 1999, Timor Oriental votou pela independência, acabando com 24 anos de ocupação e pressão indonésia. A bandeira independente de Timor foi hasteada pela primeira vez a 20 de Maio de 2002.
Pouco a pouco Timor vai ganhando confiança e segurança, embora as forças da UNTAET e o respeito que têm pelas forças militares portuguesas sejam ainda uma necessidade neste país que ainda parece uma casca de noz no Oceano Índico e no Oceano Pacífico.
Como é sabido, a Igreja em Timor está dividida em duas dioceses, Díli e Baucau, embora se avizinhe uma nova terceira diocese, como já está previsto há alguns anos. D. Carlos Ximenes foi um bispo profeta, prémio Nobel da Paz, em Díli. Por razões, fundamentalmente, de saúde pediu a resignação em 2003. Uma vez que ainda não há novo bispo nomeado para Díli, D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau, tem tentado orientar as duas dioceses, permanecendo 15 dias em cada diocese.
A Igreja em Timor foi e continua a ser o ponto de união do povo timorense. Basta uma pessoa dizer que é "amo" (padre) que a atitude das pessoas muda completamente. A pessoa sagrada ou consagrada é para o timorense o nível mais alto.
No entanto, parece que a religião sustentada no terço e nas medalhas tenha que ser purificada e sobretudo aprofundada e consolidada. É esta a estrada que D. Basílio percebeu e designou-se percorrer. Com a independência e com as novas influências dos povos ocidentais, há que preparar agentes pastorais, formadores, animadores para que possam consolidar a sua fé.
No entanto, há também algumas atitudes diferentes, fruto da não melhor evangelização.
Visitando um pároco da Diocese de Baucau, disse-nos que para ter gente ao domingo na missa, tinha que ir buscar as pessoas, celebrar para elas, dar-lhes de comer e levá-las a casa. Estas pessoas recusavam falar tétum. O padre timorense falava em tétum e tinha que ter um tradutor para a língua daquela região. Dizia o padre timorense: "sinto-me estrangeiro no meio dos timorenses". A pobreza abunda. Havia um calor enorme. Pedimos ao padre água. Ele disse que não tinha dinheiro, nem água tinha para nos oferecer. Dizia ainda que se o mar estivesse bom teria ido pescar ostras para comermos.
Não havia água fresca, mas haveria ostras se o mar deixasse. Que paradoxo económico e da natureza!
Assim se as crianças forem educadas a uma profundidade de fé, a uma profundidade dos valores humanos, o futuro de Timor pode ser um novo Brunei sem pessoas a morrer de fome, porque não choveu suficiente para as várzeas de arroz produzirem o suficiente. Que os políticos, que os militares e que os homens da Igreja não façam uma nova colonização, mas despertem este povo para a mística do Oriente que não é mais do que um novo olhar para o mundo com equilíbrio e maturidade.

| Adérito Gomes Barbosa, scj |