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O século XIX, muito marcado pelas ideias e acontecimentos da Revolução Francesa (1789), foi um período de grandes tensões ideológicas e políticas. A revolução industrial e técnica, por sua vez, para além dos benefícios que trouxe, provocou novas tensões e conflitos a diversos níveis e em múltiplos setores da sociedade.
Foi uma época de mudanças e transições irrevogáveis. Afirmaram-se conceitos como secularização, emancipação, participação, diferenciação e integração. Impôs-se um estilo de vida de caráter racional/intelectual, com a convicção de que o homem podia razoavelmente dispor de todas as coisas, incluindo as suas condições de vida e o seu futuro. Os avanços da investigação científica pareciam confirmar todo esse otimismo. O idealismo e o romantismo foram reações espontâneas à nova situação, que gerava uma cultura utilitarista e, cada vez mais, encerrava o homem no seu individualismo. Estimulado por algumas correntes culturais, como o historicismo e o iluminismo, o homem julgou-se capaz de explicar todas as realidades pelo método genético, isto é, partindo das origens. O próprio Padre Dehon, que rejeitava essas ideologias, revela nos seus escritos vestígios de historicismo, quando faz a apologia da Igreja desde as suas origens até ao século XIX.

Os sucessos da investigação científica, com a revolução industrial e técnica, a que já aludi, provocam o crescimento económico, com o aumento da mecanização, a diferenciação do trabalho, a utilização de capital. Cresce a urbanização, aceleram as comunicações e os transportes, acentuam-se as migrações, sobretudo dos campos para as cidades, com as vantagens e os problemas que acarretam. A burguesia afirma-se e domina. As consequências ideológicas de tudo isto são graves. A secularização e a descristianização avançam rumo ao materialismo.  Ao findar o século, sente-se saudades da época pré-industrial, lamenta-se o desenvolvimento demasiado rápido da modernidade e procura-se outra melhor. Mas sempre modernidade!