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25 At illa venit et adoravit eum dicens Domine adiuva me 26 qui respondens ait non est bonum sumere panem filiorum et mittere canibus 27 at illa dixit etiam Domine nam et catelli edunt de micis quae cadunt de mensa dominorum suorum (Mt 15, 25-27).

25 Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26 Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 27 Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos (Mt 15, 25-27).
 

Primeiro Prelúdio. É o pão divino, o pão do céu, o pão real, Nosso Senhor, não desdenha todavia de o oferecer a todos.
Segundo Prelúdio. Senhor, sou indigno deste dom celeste, por piedade dai-mo mesmo assim para me fortificar.

PRIMEIRO PONTO: Quem está lá? É o pão da vida, o pão do céu. – O patriarca Jacob promete à tribo de Aser um pão suculento e digno dos reis (Gen 49). O pão verdadeiramente real é o que nós possuímos. É o pão divino, é o pão do céu. É a Eucaristia. O povo de Israel teve o maná, mas não sustentava senão a vida terrestre. O nosso maná entretém a vida espiritual. «Eu sou o pão da vida, diz-nos o bom Mestre. Os vossos pais tiveram o maná, um pão terrestre, eu sou o pão da vida, descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; o pão que eu hei-de dar é a minha carne para a vida do mundo» (Jo 6).
Vós ofereceis este pão, Senhor, à minha pobre alma. Podíeis dizer-me como à Cananeia: não é bom tomar o pão dos filhos para o atirar aos cães. Mas o vosso coração é infinitamente compassivo e misericordioso.
Dais-me este pão para me alimentar e para me fortificar contra todo o desfalecimento: et panis cor hominis confirmet (Sl 103). A minha acção de graças dirige-se ao vosso coração.

SEGUNDO PONTO: Quem está lá? É o vinho místico das virgens. – Nosso Senhor escolheu este símbolo porque o vinho fortifica e dá alegria. O vinho dá alegria ao coração, diz o salmo (Sl 103).
O rei de Sião virá, diz o profeta Zacarias, anunciará a paz às nações, libertará e protegerá o seu povo; dará ao trigo aos eleitos e o vinho que faz germinar as virgens (9, 17). /635
Era a Eucaristia que o profeta anunciava. O Salvador dá-nos o trigo que forma uma juventude de escol, jovens fortes e valentes, intrépidos para o bem e vitoriosos nas tentações. Dá-nos também o vinho que torna castos e puros os que recebem bem os santos mistérios.
São os dons do coração de Jesus.
A quem dá este vinho generoso?
Às almas entristecidas pelos seus pecados e pelas suas tentações. Elas recuperam a alegria e a paz na santa comunhão.
O Esposo divino dá à sua esposa o vinho eucarístico para aquecer o seu coração e nele desenvolver o seu amor. A esposa, por sua vez, dá ao esposo o seu terno amor que é como um vinho aromatizado, para consolar o Coração deste divino esposo (Cant 8, 2).
Senhor, dai-me este vinho inebriante do amor que encherá o meu coração de uma santa alegria e de uma ardente afeição por vós.

TERCEIRO PONTO: Quem está lá? É o fogo consumador, que vem abrasar os corações. – Os anjos que vêem a beleza divina estão abrasados de amor. Estão ardentes como o fogo para amarem e servirem a Deus. Os anjos de Deus, diz S. Paulo depois de David, são como chamas ardentes (Heb 1, 7).
Nós não vemos a beleza divina, mas sabemos a bondade do Salvador nos mistérios da redenção e na sua vida eucarística. Há lá com que abrasar os nossos corações como os dos anjos e é isso que Nosso Senhor quer. «Vim, diz, para atear o incêndio e não tenho senão um desejo, que ele se propague» (Lc 12).
Está lá para isso na hóstia, para amar e para se fazer amar. É o sacramento do amor, é o mistério do amor. «Como tinha amado os seus, diz S. João, amou-os até ao fim, até ao limite do amor». Era muito dar-se uma vez por nós na cruz, mas isso não bastava ao seu coração. Queria dar-se todos os dias e em toda a parte. Queria estar todos os dias junto de nós, para nos escutar, para nos dar audiência, para nos consolar nas nossas tristezas, para nos curar das nossas enfermidades, para nos fortificar nas nossas fraquezas. E amando-nos a este ponto, prega-nos o amor, prega-nos o apostolado, a dedicação, a caridade pelo próximo. É um fogo sempre pronto a se propagar.
Resoluções. – Irei alimentar-me do pão de vida para aí receber a força, como Elias a recebeu num pão simbólico. Irei beber o vinho que faz /636 as almas castas. Irei aquecer o meu pobre coração tão frio junto do coração de Jesus ardendo de amor no tabernáculo. Ensinai-me, Senhor, a dedicar-me como vós.

Colóquio com Jesus-Hóstia.