26º Domingo do Tempo Comum – Ano A [atualizado]

ANO A
26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema do 26.º Domingo do Tempo Comum

O que é que Deus pretende de nós? Ele contenta-se com a nossa fé “morna” e requentada, com as nossas orações palavrosas, com as nossas solenes liturgias, com os nossos pretensiosos discursos teológicos? A Palavra de Deus que escutamos no 26º Domingo do Tempo Comum esboça algumas respostas para estas questões. Propõe que abandonemos os caminhos que não levam a lado nenhum e que voltemos para Deus; pede-nos que vivamos na escuta atenta dos desafios que Deus nos apresenta; lembra-nos que a nossa realização plena passa pelo cumprimento integral da vontade de Deus… Jesus, o Filho de Deus que se despojou de Si próprio e que ofereceu a Sua vida para que o projeto salvador de Deus se concretizasse, é a nossa referência e o nosso modelo.

Na primeira leitura o profeta Ezequiel pede aos exilados na Babilónia que não culpem Deus pelos desastres que se abateram sobre Judá. Em lugar de se vitimizarem e de acusarem Javé de ser injusto, os homens e mulheres de Judá fariam melhor em reconhecer os próprios erros e em enveredar por um caminho novo: um caminho de conversão e de compromisso, um caminho que os leve novamente de regresso a Deus.
No Evangelho Jesus, dirigindo-se a todos aqueles que vivem instalados numa fé segura, confortável e inconsequente, avisa-os que não basta dizer “Senhor, Senhor” para que se possam considerar “de Deus”; mas é preciso escutar Deus, acolher as Suas indicações, aceitar a cada instante os Seus desafios. O verdadeiro crente não é aquele que apenas procura “dar boa impressão” e ter um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que, na realidade nua e crua da vida, se esforça por cumprir a vontade de Deus.
Na segunda leitura o apóstolo Paulo oferece-nos um hino onde ecoa a catequese primitiva sobre Jesus. Apesar de ser Filho de Deus, Jesus não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas escolheu a humildade e o dom de si próprio. Fiel ao projeto do Pai, Ele desceu ao encontro dos homens, viveu a vida dos homens e sofreu uma morte atroz por amor aos homens. Mas a sua humildade e a sua entrega não foram em vão: Deus exaltou-O, mostrando que o caminho que Ele seguiu é o caminho que conduz à Vida. É esse mesmo caminho que somos desafiados a percorrer.

LEITURA I – Ezequiel 18,25-28

Eis o que diz o Senhor:
«Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’.
Escutai, casa de Israel:
Será a minha maneira de proceder que não é justa?
Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto?
Quando o justo se afastar da justiça,
praticar o mal o vier a morrer,
morrerá por causa do mal cometido.
Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado,
praticar o direito e a justiça,
salvará a sua vida.
Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido,
há de viver e não morrerá».

CONTEXTO

Em 598 a.C. Nabucodonosor, rei da Babilónia, põe cerco a Jerusalém. O rei de Judá, Joaquim, desaparece de circulação, talvez morto nos combates, ou então aprisionado e deportado para a Babilónia. Jeconias sucede a Joaquim no trono de Judá; mas, depois de três meses de resistência, rende-se às tropas de Nabucodonosor. Os notáveis de Jerusalém são aprisionados e enviados para o cativeiro, na Babilónia (597 a.C.). Entre os deportados está um jovem chamado Ezequiel, de família sacerdotal.
Nabucodonosor coloca no trono de Judá um homem da sua confiança, um tal Sedecias. Durante algum tempo, Sedecias manteve-se tranquilo, pagando pontualmente os tributos devidos aos babilónios; mas, ao fim de algum tempo, aproveitando a conjuntura política favorável, Sedecias aliou-se com os egípcios e deixou de cumprir os compromissos que tinha com os babilónios. Nabucodonosor enviou imediatamente um exército que cercou novamente Jerusalém. Apesar do socorro de um exército egípcio, Jerusalém teve de se render aos babilónios (586 a.C.). A cidade foi destruída; Sedecias foi levado prisioneiro para a Babilónia, juntamente com a maior parte da população de Judá. Jerusalém ficou para trás, transformada num montão de ruínas.

Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu a sua missão profética junto dos exilados judeus na Babilónia. A primeira fase do ministério de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento à vocação profética) e 586 a.C. (o ano em que Jerusalém foi conquistada pela segunda vez pelos exércitos de Nabucodonosor). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperanças dos exilados (convencidos de que o exílio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente à sua terra) e em denunciar a multiplicação das infidelidades a Javé por parte dos judeus que tinham escapado ao primeiro exílio e que tinham permanecido em Jerusalém. A segunda fase do ministério profético de Ezequiel decorre a partir de 586 a.C., data em que Jerusalém foi destruída e uma nova vaga de deportados judeus chegou à Babilónia. Nesta nova fase, a mensagem de Ezequiel vai ser, sobretudo, uma mensagem de salvação, destinada a consolar os exilados e a alimentar a esperança num futuro novo de felicidade e de paz.

Até ao Exílio, o povo de Deus entendia a sua relação com Javé em moldes coletivos. Depois de os hebreus saírem do Egito, Deus tinha celebrado com eles uma Aliança, no monte Sinai. Essa Aliança, contudo, não foi vista como algo que implicava e responsabilizava cada indivíduo, mas sim como um compromisso comunitário. Sendo assim, se alguém do povo fosse infiel à Aliança, toda a comunidade se tornaria culpada e sofreria as penalizações daí decorrentes.
Os exilados liam à luz desta perspetiva teológica o drama histórico que se tinha abatido sobre eles. Viam a derrota militar com os babilónios e o exílio numa terra estrangeira como um castigo coletivo pelas infidelidades cometidas pela nação, ao longo de vários séculos, contra a Aliança. Consideravam que nem eram especialmente culpados, mas estavam a pagar pelo pecado de diversas gerações. Ora, isto parecia-lhes bastante injusto… Circulava até entre os exilados um “dito” que traduzia o sentimento de injustiça que experimentavam diante de tudo isso: “os pais comeram as uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados” (Ez 18,2b). Porque é que os filhos tinham de expiar os pecados dos pais? Está certo que os justos sofram em lugar dos pecadores?

MENSAGEM

Ezequiel não está disponível para “abençoar” essa atitude de autocomiseração atrás da qual os exilados pretendem esconder-se. Lembra-lhes que não podem “sacudir a água do capote” pois neste processo não há inocentes: todos – tanto os pais como os filhos – foram infiéis a Deus, ignoraram os mandamentos de Deus, violaram os termos da Aliança, seguiram por caminhos que os levaram para longe de Deus. Portanto, os exilados na Babilónia, em lugar de acusarem Javé de ser injusto, fariam melhor em reconhecer as próprias faltas e em decidir enveredar por um caminho novo, um caminho de regresso a Deus (cf. Ez 18,25).
Neste contexto, Ezequiel propõe aquilo que será um grande passo em frente na maneira de o povo se relacionar com Deus e de entender as suas responsabilidades para com Deus: chegou a altura de cada membro do povo de Deus deixar de se esconder atrás de uma responsabilidade coletiva que implica todos mas não compromete ninguém; chegou a altura de cada crente se sentir pessoalmente responsável pelas suas próprias falhas e infidelidades. Cada membro do Povo de Deus tem de perceber que, quando fizer escolhas erradas e se obstinar nelas, sofrerá pessoalmente as consequências dessa opção; e que quando abandonar os caminhos de egoísmo e de pecado e optar por Deus e pelos seus valores, encontrará vida em abundância (cf. Ez 18,26-28). Isto significa que o pecado de um membro da comunidade só afeta o indivíduo envolvido, mas não afeta os outros irmãos, membros da mesma comunidade? O pecado introduz sempre elementos de desequilíbrio, de desarmonia, de egoísmo, de rutura, que atingem todos aqueles que caminham ao nosso lado; mas, para além disso e independentemente disso, cada pessoa tem de sentir-se responsável diante de Deus pelas suas opções e pelos seus atos.
A superação da mentalidade coletiva, dando lugar à responsabilidade individual, é um dos grandes progressos na história teológica de Israel. Doravante, o Povo aprenderá a reagir em termos individuais e não em termos de massa. Está aberto o caminho para uma Nova Aliança: uma Aliança que não é feita genericamente com uma comunidade e inscrita em tábuas de pedra, exteriores ao homem, mas uma Aliança pessoal e interior, que será registada no coração de cada crente e que comprometerá cada pessoa.

INTERPELAÇÕES

• A gente de Judá, desanimada pelos desastres que tinham atingido a nação, em lugar de assumir a sua culpa na situação e de procurar soluções construtivas para vencer a crise, prefere instalar-se na autocomiseração e no vitimismo. Não reconhece que as escolhas erradas dos líderes, a destruição da solidariedade social, os jogos políticos, a opção por seguranças puramente humanas, a aposta nos valores efémeros, a desresponsabilização de todos, foram responsáveis pelo descalabro e conduziram a comunidade àquele beco sem saída. Na hora de encontrar culpados, decide que boa parte da culpa é de Deus e que Deus poderia ter feito mais pelo seu povo… Esta “mania” de culpar Deus pelos males que nos atingem é uma coisa muito nossa: fazemos “orelhas moucas” às indicações que Deus nos dá, enveredamos por caminhos de egoísmo e de autossuficiência, açambarcamos em proveito próprio os recursos que Deus põe à disposição de todos, destruímos o mundo “bom” que Deus nos confiou, cultivamos o egoísmo e a injustiça e, depois de tudo isso, declaramos solenemente que Deus não quer saber dos seus filhos e não cuida deles. As perguntas que Ezequiel deixa à gente de Judá são também para nós: “escutai, casa de Israel: será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto?”

• Ezequiel não pactua com a atitude geral de desresponsabilização e de descompromisso em que os exilados comodamente se instalam. Avisa-os que inventar desculpas esfarrapadas para tudo, culpar sempre os outros, assumir uma atitude de passividade e deixar-se levar na corrente, recusar-se a ser protagonista da história, não contribui para construir uma vida com sentido. Por isso, o profeta propõe que cada um reconheça as suas falhas e assuma as suas responsabilidades sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios; propõe que cada pessoa avalie as opções que tem diante de si e escolha aquilo que o realiza e o faz verdadeiramente feliz. E nós, como é que lidamos com os nossos compromissos e com as nossas responsabilidades? Vivemos com coerência o “sim” que dissemos a Deus no dia do nosso batismo? Somos fiéis aos compromissos que temos com a nossa família? Encaramos seriamente as nossas responsabilidades profissionais? Sentimo-nos responsáveis pela edificação de um mundo mais justo e mais humano?

• Como pano de fundo da reflexão que Ezequiel propõe aos exilados, está um veemente apelo à conversão. O profeta pede aos exilados que reconsiderem as suas opções, que “abram os olhos”, que se afastem do mal, que voltem para Deus e que optem por uma vida segundo as indicações de Deus. Trata-se, também para nós, de uma boa dica. O tempo, o cansaço, a acomodação, as “tentações”, os equívocos, as muitas possibilidades que a vida nos abre, levam-nos – quase sem nos darmos conta – a enveredar por caminhos estéreis e vazios, que não nos realizam nem nos fazem felizes. Necessitamos, então, de reequacionar as nossas opções, de refazer a nossa maneira de pensar e de atuar, de recolocar Deus no nosso horizonte, de voltar a escutar as indicações de Deus. É a isso que chamamos “conversão”. Convertermo-nos exige uma disponibilidade constante para infletir o rumo da existência, para voltar para Deus, para acolher os desafios de Deus, para realinhar a vida de acordo com os valores de Deus. Estamos dispostos a fazer esse caminho?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 24 (25)

Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador:
em vós espero sempre.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas
e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.

LEITURA II – Filipenses 2,1-11

Irmãos:
Se há em Cristo alguma consolação,
algum conforto na caridade,
se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo,
alguns sentimentos de ternura e misericórdia,
então, completai a minha alegria,
tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade,
numa só alma e num só coração.
Não façais nada por rivalidade nem por vanglória;
mas, com humildade,
considerai os outros superiores a vós mesmos,
sem olhar cada um aos seus próprios interesses,
mas aos interesses dos outros.
Tende em vós os mesmos sentimentos
que havia em Cristo Jesus.
Ele, que era de condição divina,
não Se valeu da sua igualdade com Deus,
mas aniquilou-Se a Si próprio.
Assumindo a condição de servo,
tornou-Se semelhante aos homens.
Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,
obedecendo até à morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus O exaltou
e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes,
para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem,
no céu, na terra e nos abismos,
e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor,
para glória de Deus Pai.

CONTEXTO

A cidade de Filipos, situada na Macedónia oriental, era uma cidade próspera, com uma população constituída maioritariamente por veteranos romanos do exército. Organizada à maneira de Roma, estava fora da jurisdição dos governantes das províncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privilégios das cidades de Itália e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem missionária, acompanhado de Silvano, Timóteo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua pregação nasceu a primeira comunidade cristã em solo europeu.
A comunidade cristã de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta às necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusalém – cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos cristãos de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apreço. Apesar de tudo, a comunidade cristã de Filipos não era perfeita: os altivos patrícios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.
Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na prisão (não sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em Éfeso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover às suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupação dos filipenses com a sua pessoa (cf. Fl 4,10-20); exorta-os a manterem-se fiéis a Cristo e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (“tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus” – Fl 2,5).
É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta.

MENSAGEM

Aos altivos romanos que integravam a comunidade cristã de Filipos, Paulo pede, em tom solene, que pautem o seu comportamento pela humildade, pela caridade e pela mansidão, pela fraternidade, pela comunhão. O orgulho, a vaidade, a ambição, a vanglória, o sentimento de superioridade em relação aos outros, são fonte de divisão e de conflito; não condizem com a pertença a Cristo e, portanto, não podem caber na vida de um cristão (cf. Flp 2,1-5).

Chegado aqui, Paulo introduz na sua reflexão um antigo hino cristão, provavelmente recitado nas celebrações litúrgicas, que celebrava a “kenosis” (“despojamento”) de Cristo e a sua exaltação (cf. Flp 2,6-11). Cristo Jesus – nomeado no princípio, no meio e no fim – constitui o motivo do hino. Os filipenses, enquanto discípulos de Cristo, são convidados a olhar para o Mestre e a conformarem as suas vidas com o Seu exemplo. Ora, como é o exemplo de Cristo?
O hino começa por aludir subtilmente ao contraste entre Adão e Cristo: Adão, o primeiro homem, reivindicou ser como Deus, assumiu diante de Deus uma atitude de arrogância e autossuficiência e virou as costas às indicações de Deus (cf. Gn 3,5.22); Cristo, o Homem Novo, assumiu uma atitude de humildade e obediência diante de Deus (cf. Flp 2, 6-7). A atitude de Adão trouxe sofrimento e morte; a atitude de Jesus trouxe exaltação e vida.
A atitude de Cristo é designada no hino como “aniquilação” ou “despojamento” (“kenosis” – Flp 2,7). Cristo era de condição divina; mas sem reivindicar, em razão do seu estatuto, quaisquer poderes ou privilégios, pôs-se humildemente ao serviço do projeto salvador do Pai. Aceitou, conforme o plano do Pai, vestir a fragilidade dos seres humanos e tornou-se homem: experimentou as dores e os limites dos homens, conviveu com os dramas dos homens e caminhou com os homens para lhes indicar o caminho que leva à salvação, fez-se servo dos homens, lavou-lhes os pés. Como se tudo isso não bastasse, desceu ainda mais: foi contestado, preso, condenado e sofreu uma morte infame na cruz, a morte reservada aos malditos e abandonados por Deus (cf. Flp 2,8). Esta história de despojamento parece uma história de fracasso e de morte, uma história “pouco recomendável”. É assim que termina a história de quem obedece a Deus e põe a sua vida ao serviço do plano salvador de Deus?
Não. Exatamente porque cumpriu plenamente o plano do Pai, Deus ressuscitou-O e exaltou-O. Fê-lo vencer a injustiça, o egoísmo e a violência que o tinham condenado a uma morte maldita. Apresentou-O como modelo para todos os homens. Mais: Deus fez dele o “Jesus” (o nome significa “Deus salva”) e o “Kyrios” (“Senhor” – nome que, no Antigo Testamento, substituía o nome impronunciável de Deus); e a humanidade inteira (“os céus, a terra e os infernos”) reconhece esse Cristo que se despojou de tudo para obedecer ao Pai como “o Senhor” que reina sobre toda a terra e que preside à história (cf. Flp 2,9-11).
Aos filipenses e aos crentes de todas as épocas e lugares Paulo diz: “libertai-vos do orgulho, da autossuficiência, da arrogância, do fechamento a Deus e às suas propostas; aprendei com Cristo a pôr a vossa vida ao serviço do plano de Deus; com humildade e simplicidade, tornai-vos servos de todos; amai sem medida, até ao dom total da vida. Deus garante-vos que esse caminho – o caminho que Cristo percorreu – não conduz ao aniquilamento, mas sim à glória, à Vida plena”.

INTERPELAÇÕES

• Quem são, para os homens e mulheres do nosso tempo, os vencedores, os “bem-sucedidos”, os que têm êxito, os que se tornam referência e modelo? Quem são os que deixam o seu nome e a sua marca nos livros onde se conta a história do mundo? Não serão, em muitos casos, aqueles que se impõem aos outros pela força, os que enfrentam o mundo com agressividade, os que mostram ambição, os que fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique atropelar os mais fracos, multiplicar injustiças e arbitrariedades, subverter os valores éticos, pôr o bem comum ao serviço de interesses pessoais ou de grupo? No entanto, quando deixamos que sejam esses a controlar o destino do mundo e a definir o rumo da história dos homens, que futuro estamos a construir? Estaremos a contribuir para o nascimento de um mundo mais humano, mais são, mais pacífico, mais fraterno, mais feliz? O que podemos fazer para evitar que o nosso mundo, governado pela arrogância, pela ambição e pela agressividade, se torne um lugar de exclusão, de intolerância, de injustiça, de ódio, de crueldade, de medo?

• Paulo de Tarso propõe aos cristãos de Filipos e aos homens e mulheres de todas as épocas e lugares o exemplo de um “vencedor” de outro tipo: Cristo Jesus. Ele nunca reivindicou um estatuto de superioridade em relação aos seus irmãos, nunca se impôs pela força, nunca passou por cima dos mais fracos, nunca foi injusto com ninguém… Pôs humildemente a sua vida ao serviço do projeto de Deus, veio ao encontro dos homens, amou e cuidou de todos aqueles que com Ele se cruzaram nos caminhos da Galileia e da Judeia, independentemente do estatuto social que tinham ou da fé que professavam, fez tudo o que estava ao Seu alcance para fazer nascer um mundo mais justo, mais humano e mais fraterno. Os donos do mundo – os arrogantes, os violentos, os ambiciosos, os poderosos – condenaram-n’O e deram-lhe uma morte infame; mas Deus ressuscitou-O e exaltou-O. Dessa forma, Deus pôs-se do lado d’Ele, declarou-O “vencedor” e deu-lhe razão. Ao ressuscitar Jesus, Deus disse-nos que a humildade, a simplicidade, a doação, o amor feito serviço, são os alicerces sobre os quais assenta a construção de um mundo novo. Aceitamos que o caminho proposto por Jesus é que é o caminho dos verdadeiros vencedores? Estamos dispostos a assumir, no que nos diz respeito, os valores pelos quais Jesus pautou a Sua vida?

ALELUIA – João 10,27

Aleluia. Aleluia.

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, diz o Senhor;
Eu conheço-as e elas seguem-Me.

EVANGELHO – Mateus 21,28-32

Naquele tempo,
disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes
e aos anciãos do povo:
«Que vos parece?
Um homem tinha dois filhos.
Foi ter com o primeiro e disse-lhe:
‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’.
Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’.
Depois, porém, arrependeu-se e foi.
O homem dirigiu-se ao segundo filho
e falou-lhe do mesmo modo.
Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’.
Mas de facto não foi.
Qual dos dois fez a vontade ao pai?»
Eles responderam-Lhe: «O primeiro».
Jesus disse-lhes:
«Em verdade vos digo:
Os publicanos e as mulheres de má vida
irão diante de vós para o reino de Deus.
João Baptista veio até vós,
ensinando-vos o caminho da justiça,
e não acreditastes nele;
mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram.
E vós, que bem o vistes,
não vos arrependestes, acreditando nele».

CONTEXTO

Jesus, “o profeta da Galileia”, tinha chegado a Jerusalém no dia anterior e tinha sido recebido em triunfo. A multidão, entusiasmada, cantara: “Hossana ao filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas” (cf. Mt 21,1-11). Depois, Jesus dirigira-se ao templo e expulsara “todos os que nele vendiam e compravam”, porque tinham feito da casa de Deus “um covil de ladrões” (cf. Mt 21,12-13). O gesto profético de Jesus não deve ter causado estragos significativos no comércio que se fazia no templo; mas constituía uma violenta denúncia de um sistema religioso que se tornara cúmplice da injustiça e da exploração dos pobres. O que Jesus dissera, com o seu gesto, é que Deus não pactuava com os crimes que ali se cometiam em nome do próprio Deus; e que o templo e o sistema religioso que o legitimava estavam condenados a desaparecer. O reino de Deus que emergia era incompatível com aquele velho mundo e aquela religião vazia.
Os líderes religiosos judaicos ficaram alarmados. Era necessário travar, o mais cedo possível, um processo que poderia causar estragos significativos no tecido social e religioso judaico. Por isso, logo no dia seguinte, “os sumo-sacerdotes e os anciãos do povo” foram ao encontro de Jesus, no templo, e perguntaram-lhe com que autoridade Ele agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt 21,23-27). Queriam desautorizá-l’O diante do povo de Jerusalém. Jesus evitou uma resposta direta. Se dissesse que agia com a autoridade de Deus, tê-lo-iam acusado imediatamente de “blasfemo”; se dissesse que agia com a sua própria autoridade, tê-lo-iam catalogado como um revolucionário perigoso. Em contrapartida, Jesus estendeu-lhes uma armadilha: convidou-os a pronunciarem-se sobre a origem do batismo de João, conhecido como “o Batista”. Os líderes judaicos não quiseram responder: se dissessem que João não vinha de Deus, tinham medo da reação da multidão, que considerava João um profeta; se admitissem que o batismo de João vinha de Deus, temiam que Jesus lhes perguntasse porque não o aceitaram… Diante do silêncio embaraçado dos seus interlocutores, Jesus deu-lhes a entender que não lhes responderia enquanto eles continuassem de coração fechado, na recusa obstinada da novidade de Deus outrora anunciada por João e agora proposta pelo próprio Jesus.
Jesus passa, então, ao contra-ataque. Propõe aos seus interlocutores três parábolas que ilustram a recusa de Israel em acolher a proposta do reino de Deus. Através dessas parábolas, Jesus convida os líderes da nação judaica a refletir sobre a situação de “gueto” em que se instalaram e a reconhecerem o sem sentido das suas posições fixistas e conservadoras. O Evangelho deste domingo apresenta-nos a primeira dessas três parábolas. Trata-se de um texto exclusivo de Mateus.

MENSAGEM

Jesus propõe aos “sumos sacerdotes e anciãos do povo” (cf. Mt 21,23) que reflitam sobre uma história bastante concreta: certo dia, um pai pediu aos seus dois filhos que fossem trabalhar na vinha da família. Os dois filhos, confrontados com o pedido do pai, reagiram de forma diferente. Os interlocutores de Jesus são convidados a avaliar o caso e a dar a sua opinião (“que vos parece?” – Mt 21,28).
O primeiro filho deu uma resposta negativa ao pedido do pai: “não quero” (Mt 21,29a). No contexto familiar da Palestina do tempo de Jesus, trata-se de uma resposta absolutamente inaceitável, que ia contra todas as convenções sociais… A resposta do filho enchia o pai de vergonha e punha em causa a sua autoridade diante dos familiares, dos amigos, dos vizinhos. Por isso, a atitude daquele filho certamente pareceu mal àquela douta assembleia que escutava Jesus. No entanto, apesar do mal que causou à reputação do pai, o filho reconsiderou e acabou por ir trabalhar na vinha, como o pai lhe tinha pedido (cf. Mt 21,29b).
O segundo filho, confrontado com o mesmo pedido do pai, respondeu amavelmente: “eu vou, senhor”. Deu ao pai uma resposta satisfatória, que não punha em causa a sua autoridade e a sua “honra”. Ficou bem visto diante de todos e todos o consideraram um filho exemplar. No entanto, acabou por não ir trabalhar na vinha (cf. Mt 21,30).
Os interlocutores de Jesus já têm os dados necessários para responder à pergunta inicial de Jesus (“que vos parece”?): há um filho que, ao recusar-se a fazer o que o pai lhe pedia, envergonhou o pai e teve um comportamento reprovável; e há um filho que, dando ao pai uma resposta adequada (embora depois não tenha cumprido o que lhe foi pedido), respeitou as conveniências e deixou o pai satisfeito.

Chegados aqui, no entanto, Jesus convida aqueles que O escutam a olharem a cena de outro ângulo e a considerarem outra questão: “qual dos dois fez a vontade do pai?” A resposta é tão óbvia que os próprios interlocutores de Jesus não têm qualquer pejo em a dar: “o primeiro” (Mt 21,31a).
A mensagem fundamental da parábola é evidente para todos, mesmo para os “sumo sacerdotes e anciãos do povo” que rodeiam Jesus: diante de Deus, o importante não é “falar”, mas sim “fazer”; para cumprir a vontade do Pai do céu, não bastam as declarações de boas intenções, as orações palavrosas ou as liturgias solenes, mas é preciso responder adequadamente aos desafios e às propostas de Deus.

Até aqui, nada de novo ou de especialmente polémico. O que é novo e provocante é a aplicação que Jesus, logo a seguir, faz da parábola. Dirigindo-se aos veneráveis representantes da religião oficial, ali presentes – gente “de Deus”, referências da fé e do aparelho religioso judaico – Jesus lança-lhes esta provocação inaudita: “em verdade vos digo: os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus” (Mt 21,31b). Jesus está a falar a sério?
Os doutores da Lei e os escribas conhecem bem as Escrituras, falam constantemente da Palavra de Deus e gabam-se de saber tudo sobre Deus. Os sacerdotes que servem no templo acolhem os peregrinos que vêm encontrar-se com Deus, oferecem sacrifícios a Deus e louvam constantemente a Deus. Uns e outros parecem gente muito santa, “gente de Deus”. Contudo, recusaram-se a ouvir a pregação de João Batista e recusam-se agora a ouvir a pregação de Jesus. Afinal, não estão disponíveis para escutar e acolher as propostas de Deus. Têm atitudes irrepreensíveis do ponto de vista das convenções sociais; mas, comodamente instalados nas suas certezas e seguranças, não estão dispostos a deixar-se desafiar pela novidade de Deus. São como o filho que disse ao pai que ia trabalhar na vinha, mas na realidade nunca lá pôs os pés.
Os cobradores de impostos e as prostitutas, em contrapartida, parecem viver longe de Deus. Levam vidas escandalosas, social e religiosamente incorretas, e são considerados malditos. Aquilo que fazem está, segundo o juízo dos líderes religiosos de Israel, em absoluta contradição com a Lei de Deus. No entanto, quando Jesus lhes fala da bondade e da misericórdia de Deus, comovem-se e alegram-se com os dons de Deus. Têm atitudes condenáveis do ponto de vista das convenções sociais; mas escutam com toda a atenção a Boa Notícia que Jesus lhes traz e dispõem-se a acolher, com gratidão, as propostas de Deus (cf. Mt 21,32). São como o filho que disse ao pai que não ia trabalhar na vinha, mas que acabou por fazer o que o pai lhe pediu.

Jesus era frequentemente acusado, pela elite religiosa de Israel, de se sentar à mesa com cobradores de impostos e outros notórios pecadores públicos (cf. Mt 9,11; 11,19). Esta parábola explica porquê. Era convicção de Jesus de que “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12). Mas, além disso, eram precisamente os pecadores – mais do que os “profissionais da religião” – que se manifestavam disponíveis para abraçar os desafios de Deus e para começar uma vida nova. A porta do reino de Deus estava, por isso, aberta para os acolher.
Algumas dezenas de anos depois de Jesus, a mesma parábola vai servir, à comunidade mateana, para iluminar a recusa do Evangelho por parte dos judeus e o seu acolhimento por parte dos pagãos: Israel seria esse “filho” que aceitou trabalhar na vinha mas, na realidade, não cumpriu a vontade do Pai; os pagãos seriam esse “filho” que, aparentemente, esteve sempre à margem dos projetos do Pai, mas aceitou o Evangelho de Jesus e aderiu ao reino de Deus.
Seja qual for a forma como encaremos esta parábola, ela deixa-nos uma certeza: Deus oferece a salvação a todos os seus filhos. O que é decisivo é a forma como cada um de nós acolhe os dons que nos são oferecidos pelo coração bondoso de Deus.

INTERPELAÇÕES

• Um pai, dois filhos, uma vinha… eis o cenário onde Jesus nos situa, desta vez. O “pai” da parábola é, evidentemente, Deus; os “filhos” somos nós; a “vinha” é de Deus e é nossa: refere-se certamente ao reino de Deus, a esse mundo novo de filiação e de fraternidade que Deus nos oferece e onde somos chamados a viver e a trabalhar, sob o olhar amoroso de Deus. Todos os filhos e filhas de Deus – sem distinção de raça, de sexo, de cor, de estatuto social, de preparação intelectual – estão implicados na concretização desse projeto. É o projeto que Deus engendrou, mas é o nosso projeto de família. Nenhum dos filhos de Deus está dispensado de colaborar na construção desse mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno, mais feliz. Estamos conscientes de que Deus conta connosco para tornar realidade esse mundo de justiça, de amor e de paz que Ele sonhou para nós?

• Os filhos – todos, todos, todos – escutam o mesmo pedido do Pai: “filho, vai hoje trabalhar na vinha”. Um deles disse que não ia, mas depois arrependeu-se da resposta que tinha dado e foi; o outro disse ao Pai que ia, mas na realidade não foi. As atitudes dos dois filhos reproduzem os dois tipos de resposta que damos a esse Deus que nos chama e nos confia um determinado papel no Seu projeto. Há aqueles que escutam o chamamento de Deus e Lhe respondem com generosidade e entrega; e há aqueles que escutam o chamamento de Deus mas, entrincheirados atrás das suas certezas e seguranças, da sua preguiça e conformismo, do seu imobilismo e passividade, não estão disponíveis para se envolver com os desafios de Deus. Às vezes os que dizem “sim” ao chamamento de Deus são os “improváveis”, os que parecem distantes, os que a sociedade e as Igrejas condenam e ostracizam; às vezes os que dizem “não” ao chamamento de Deus são aqueles que têm sempre na boca o nome de Deus, as pessoas das vidas “certinhas”, a gente que parece ter um compromisso forte com a religião. Em qual destes dois “campos” nos situamos?

• O que é que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus? É simplesmente receber o batismo – talvez numa idade em que ainda não temos qualquer consciência do que isso significa – e ficar com o nome inscrito no livro de registos de batismo da nossa paróquia? É dedicar um certo tempo a Deus num dia específico da semana (ao domingo) e depois passar o resto da semana mantendo Deus longe do nosso coração, do nosso pensamento, das nossas decisões, da nossa vida? É cumprir as obrigações a que as tradições religiosas nos “obrigam”, mas depois não incluir Deus na nossa vida familiar, no nosso trabalho, nas nossas relações sociais? É, à cautela, fazer certas orações e participar em certos rituais como forma de nos prepararmos para esse futuro que talvez exista depois da morte, mas depois não fazermos um mínimo de esforço para vivermos os valores do Evangelho de Jesus? É fazer belos discursos sobre a fé e sobre Deus, mas depois não traduzir em atitudes concretas de bondade, de misericórdia, de perdão, de partilha, de solidariedade, as belas palavras que dizemos? Jesus disse, certa vez, que “nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino do céu, mas sim aquele que faz a vontade do Pai que está no céu” (Mt 7,21). O que é que isto nos diz? Somos cristãos “de facto”, que dia a dia procuram acolher a novidade de Deus, perceber os Seus desafios, responder aos Seus apelos e colaborar com Deus na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?

• Há entre nós pessoas que se ufanam de conhecer bem Deus, de viver na intimidade de Deus, de ter uma vida cristã exemplar, mas que tratam com algum desprezo os irmãos que não têm um comportamento religiosamente correto, que não cumprem estritamente as regras do bom comportamento cristão, que arrastam pesos insuportáveis e destrutivos, que têm a alma e o corpo marcados por feridas que não conseguem curar… Pensemos bem: algum de nós terá autoridade e moral para catalogar as pessoas, para as criticar, para as condenar, para as excluir? Jesus avisa que o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que se disponha fazer a vontade de Deus. Talvez a “palavra” que Jesus disse aos príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo (“os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus”) ofenda os nossos ouvidos sensíveis e nos pareça excessiva; mas não constituirá uma interpelação que não podemos olvidar? Como acolhemos e tratamos os indesejáveis, os “leprosos”, os “perdidos”, os “malditos”, os “pecadores”?

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 26.º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.

2. DURANTE A CELEBRAÇÃO.
O rito penitencial poderá ser preparado com mais cuidado, para não ser vivido de maneira demasiado mecânica e rotineira. As intenções penitenciais podem ser ditas mais lentamente para melhor serem interiorizadas, os silêncios podem permitir a cada um entrar nesta atitude de conversão à qual nos chama o Senhor.

3. PALAVRA DE VIDA.
É sempre fácil fazer belas promessas e proferir belas declarações. O que conta são os atos. Quantas mães disseram ao seu filho de quando em vez: “Para de me dizer que gostas de mim… Prova-me!”. Muitas vezes exprimimos a Deus a nossa confiança através de uma bela profissão de fé, muitas vezes reafirmamos-Lhe o nosso amor através de belas orações, mas Ele espera que Lhe manifestemos esta confiança e este amor. Não basta dizer os atos de fé, de esperança e de caridade. É preciso pôr em ação a nossa fé, a nossa esperança e a nossa caridade. Então, seremos verdadeiros praticantes, pondo em prática o que ouvimos e vivemos na missa.

4. UM PONTO DE ATENÇÃO.
O Salmo Responsorial. No interior da liturgia da Palavra, o salmo não é uma peça mestra, pois ele exprime a mensagem da primeira leitura. Mas é muitas vezes um tempo de meditação e de oração, é o caso de hoje. Não basta contentar-se em ler o salmo, é preciso lê-lo bem. Salmodiar este texto não é difícil, o cântico favorece a interiorização. O solista deve preparar-se muito bem para cantar o salmo, cujo refrão é cantado pela assembleia. Se alguém souber tocar flauta, poderá acompanhar a melodia do solista ou tocar algumas notas depois do refrão, antes de cada estrofe.

5. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Tomar parte numa ação caritativa…
Procuremos tomar a nossa quota-parte numa ação caritativa da paróquia, no bairro ou na cidade, um serviço particular a prestar nesta semana… Não temos a tendência, muitas vezes, de deixar que as equipas “especializadas” façam e, quanto a nós, ficarmos apenas no dizer?

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org