Luau, 14 de Setembro de 2005
Aqui das regiões Leste de Angola, vão estas palavras como testemunho da vossa presença no nosso coração. O que seria um missionário, sem a certeza de que o seu trabalho pode contar com a presença invisível de muitos outros que estão trabalhando connosco?
Chegámos aqui, a um lugar, Município de Luau, que provavelmente alguns de vós conhecereis com o nome de Vila Teixeira de Sousa. O testemunho da obra e presença de muitos portugueses que por aqui passaram é por demais abundante: a Igreja, o Hospital, as escolas, os edifícios da administração, os Correios e até umas piscinas, só para citar alguns, mas infelizmente nenhum deles funciona capazmente e a igreja de Luau não é excepção.
Sobre esta terra pesam 30 anos de guerra e destruição que nos toca agora reparar. Possivelmente algum de vós sofre ainda alguma ferida desta realidade! Mas que faremos nós? Guardar rancores? Mas se Cristo é o nosso guia, Ele que perdoou aos seus algozes, como não nos esforçaremos nós também por seguir os seus passos? E é por isso que estamos aqui, fazendo a experiência da fome e das carências que este povo vive, decorrente da total destruição dos meios de vida nos anos de guerra que se passaram. Angola é potencialmente um país rico mas para que essa riqueza possa transformar-se em bem-estar para as populações serão necessários alguns anos, se não décadas, de formação a todos os níveis, e isso faz-nos sentir como é importante a nossa presença no meio deste povo.
Chegámos aqui apoiados nos meios que a Congregação nos facultou para o momento e para a nossa sobrevivência, mas vemos que a missão ultrapassa as possibilidades exíguas de quem cá está. È por isso que todos os dias, especialmente na celebração da missa, me sinto unido a vós e confio que também estais connosco, nesta particular experiência da comunhão dos santos. É assim que confiados à vossa oração e também à vossa esmola temos a esperança de poder tratar muitas destas feridas históricas pelas quais também o Coração de Jesus sofre.
Olhamos para a nossa igreja com o telhado a cair, mesmo em perigo iminente para os cristãos que lá se reúnem e sentimos o grande desejo e mesmo a grande necessidade de a reparar, mas este povo não nos pode fornecer a madeira, o ferro, o cimento, que muitas vezes só por favor do avião dos serviços humanitários pode aqui chegar.
Praticamente não há estradas e não há por aqui qualquer tipo de indústria. O povo é generoso e, apesar desta situação precária, faz tudo o que está ao seu alcance e fá-lo voluntariamente.
É por isso que contamos muito com a vossa colaboração. Colaborai e arranjai amigos que colaborem com um pouco de dinheiro, para já poderemos comprar algumas máquinas para obtermos as madeiras e também o cimento e ferro para o mais breve possível podermos, pelo menos, cobrir a igreja.
Podemos ser felizes sabendo que estamos ajudando alguém a ser feliz! O nosso trabalho missionário aqui no Luau bem como em Luanda, onde a Congregação está a trabalhar, será por muito tempo um campo aberto à nossa solidariedade. Há muito que fazer desde a Evangelização propriamente dita, passando pela Educação mais elementar até à fundação dos nossos Seminários, sem esquecer a Saúde.
Há aqui um lugar para ti! As pedrinhas da tua esmola irão a pouco e pouco levantando o edifício da caridade que urge erguer entre este povo. Mas também há lugar para a entrega pessoal. Se a esmola é importante muito mais benfazeja será ainda a presença dos que puderem sentir-se chamados por Deus para participar directamente neste trabalho. A nós que cá estamos, Deus já nos chamou e sentimos bem que não estamos sozinhos, pois connosco estais vós que nos ajudais a levar por diante esta missão! Que todos possamos participar da alegria de ver crescer por cá o Reino de Deus como é da Sua Eterna vontade!
| Jorge Alves, scj |