A celebração dos 25 anos da inauguração da igreja de Ifanadiana era uma das razões para esta minha viagem a Madagáscar. Foi neste fim-de-semana, 21 e 22 de outubro, que se realizaram as grandes celebrações desta efeméride.
As pessoas das Comunidades mais distantes do distrito começaram a chegar na sexta-feira e esse movimento de chegada continuou ao longo de todo o dia de sábado. O dia foi, todo ele, de festa, tendo a manhã sido dedicada ao desporto nos campos de futebol e de basquetebol e à apresentação de algumas canções e danças tradicionais na grande sala João Paulo II. Aliás, o dia começou ainda madrugada, com a matança dos bois para a festa. Mas a essa não assisti, foi demasiado cedo.
Às 15:00 era uma verdadeira multidão a que superlotava a igreja e a fazia transbordar, porque não havia lugar dentro para tanta gente. O grande motivo da celebração era o sacramento da Confirmação que duzentos e cinquenta cristãos receberam das mãos do senhor D. José Alfredo Caires, nosso Confrade e bispo de Mananjary. Na celebração estávamos já todos os Confrades portugueses, porque o Padre Agostinho Clemente chegara de Antananarivo, o Padre Álvaro Gaspar de Antsirabe e o Padre Joaquim António de Mananjary. Eu e o D. Alfredo Caires tínhamos vindo de Mananjary e o Padre Luís Dinis já cá estava, uma vez que é o atual Superior da Comunidade e responsável pastoral do distrito de Ifanadiana. Estava também o Padre Mathieu Yvon, Superior Regional, vários Confrades de outras Comunidades, padres diocesanos e a tal multidão incontável. A celebração decorreu a ritmo muito agradável e quase ninguém deu pelas 3 horas que a mesma durou. Uma festa!
O domingo era o dia estabelecido para a grande celebração jubilar. Foi às 09:00 da manhã que a celebração da Eucaristia começou, presidida pelo D. Alfredo Caires e concelebrada pelos mesmos 12 padres e um diácono da véspera. A multidão era ainda maior que a da tarde de sábado, a celebração pareceu ainda mais ritmada e animada, não faltaram os confirmados da véspera e também as autoridades civis da região marcaram presença. Naturalmente que a celebração foi dominada pela recordação dos 25 anos da inauguração da igreja e dos 35 anos de presença dos missionários Dehonianos em Ifanadiana. Estiveram bem presentes na memória e na oração todos os que ao longo destes anos contribuíram de forma mais decisiva para a edificação da igreja e a construção da Comunidade cristã. E foram renovados os agradecimentos pela vinda dos missionários Dehonianos portugueses para estas paragens. Claro que os pioneiros – Padre José Bairos Braga, Padre Manuel Jardim e D. Alfredo Caires – mereceram o devido destaque. A memória do falecido Padre José Bairos Braga esteve particularmente presente no coração de todos e foi recorrentemente mencionada nas orações, nas admonições e nos discursos – o Superior Provincial de Portugal também foi chamado a usar da palavra, em francês, com a devida tradução para língua malgaxe. Duas horas e meia depois de termos iniciado já estávamos a sair da igreja.
O resto do dia foi de festa e convívio para a multidão que não arredou pé: numa grande sala houve almoço servido às autoridades, aos convidados, aos responsáveis de grupos e serviços e outras “forças vivas” do distrito. Mas, à sombra das grandes árvores da colina onde se encontra a escola, espalhavam-se centenas e centenas de pessoas, normalmente agrupadas por Comunidades, vindas de quilómetros de distância e horas de caminhada. Houve comida para todos! E talvez se tenham enchido alguns cestos com o que sobrou!
A tarde foi depois passada na grande sala João Paulo II, onde os diversos grupos apresentavam as suas canções e danças, sempre em ambiente de muita alegria e festa.
As pessoas foram saindo ao longo da tarde, consoante a distância que havia para percorrer no regresso a casa, evitando as viagens e caminhadas de noite, que a situação de insegurança crescente não está muito para facilitar.
Um fim-de-semana para não mais esquecer! Deus seja louvado!
P. José Agostinho Sousa




