Chegada a Luanda – visita dos superiores provinciais | 25/02 – 16/03 | 2010

26 | fevereiro | sexta-feira

A viagem dos superiores provinciais que estão na génese do “Projecto Angola” tinha ficado marcada em inícios de Outubro, aquando da reunião dos superiores provinciais da Europa, que se realizou na Madeira: 25 de Fevereiro a 16 de Março de 2010. Os objectivos da visita foram-se definindo ao longo destes últimos meses: acompanhar a situação actual da Missão Dehoniana em Angola, estudar a localização de uma nova (a terceira) comunidade dehoniana, reflectir sobre o futuro da formação dos candidatos dehonianos angolanos.

Saí de Lisboa às 22h20 do dia 25 de Fevereiro. 20 minutos de atraso. Não é muito! Comigo veio também o provincial da Itália do Norte, Pe. Tullio Benini, que chegara de Milão na tarde desse dia, com várias horas de atraso. É muito! A viagem decorreu com normalidade. À saída de Portugal foi-nos servido o jantar. Pelo meio da viagem houve umas turbulências que me fizeram despertar do sono e retomar as leituras. Voltei a adormecer e acordei com pequeno-almoço em cima da mesa. Eram quase seis horas. No horizonte o sol rasgava as nuvens e estendia um tom laranja bastante vivo. O nascer do sol passou rapidamente. Num instante fez-se dia… A aproximação a Luanda deixou antever uma cidade enorme rodeada de imensas barracas cobertas de zinco que dão à cidade um tom triste, sujo e poeirento. Do outro lado via-se outro tipo de construção, mais moderna, que se estendia até à extensa baía.

A saída do aeroporto foi rápida e os controlos alfandegárias muito ágeis. Desembarcámos na parte moderna do aeroporto, construída para receber as delegações do recente CAN 2010 (Campeonato Africano das Nações). Cá fora esperava-nos o Pe. Maggiorino Madella (superior da comunidade territorial de Angola) e o Ir. Flávio Guido, que se veio a revelar um excelente condutor na imensa confusão do trânsito de Luanda. O percurso do aeroporto até à Casa Padre Dehon, durou mais de uma hora, quando na verdade se pode fazer muito bem em 20 minutos, se não fosse aquela confusão de carros, motorizadas e de pessoas pelas ruas que por sinal são bastante largas e bem alcatroadas. Depois de passar o famoso Grafanil, que tanto sofrimento e ansiedade causou aos militares portugueses durante os tempos da guerra, entrámos no Bairro do Km 9A. É uma zona de barracas. Muita gente a movimentar-se. Mulheres com enormes carregamentos à cabeça. Lojas para todas as especialidades. “Arranja-se cabelos” anuncia o reclame escrito à mão de uma dessas lojas… A estrada é de terra e muito esburacada. Com tempo seco faz-se… Com chuvas deve ser um tormento.

– Aqui é a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, atalhou o Pe. Madella. E lá estava, à nossa esquerda, a grande igreja, de arquitectura muito simples e pobre, primeira obra edificada em Luanda pelos dehonianos. Mais à frente, num mercado ao ar livre situado em frente a um enorme monte de lixo, volta-se à esquerda e estamos em casa. A Casa Padre Dehon, residência da comunidade e seminário de Filosofia. O terreno é bastante espaçoso. Mais próximo da cabeceira de entrada foram construídos os edifícios em forma de U, mas separados. Do lado esquerdo os ambientes da comunidade religiosa com 14 quartos, escritórios, biblioteca, sala de estar e capela. Do lado direito o novo seminário com capacidade para 24 seminaristas. Ao fundo a cozinha, refeitórios e lavandaria. A parte interna do U está fazia. Há um projecto de erguer ali uma capela… A pacatez do lugar, separado das barracas por um muro que demarca o terreno, é quebrada pelo trabalhar do gerador que produz energia quando falta a electricidade pública, pelo berrar de algumas cabras que pastam nos campos em torno à casa e pelo ruído longínquo de muitas pessoas que falam deambulando pelas ruas….

Recebeu-nos o Pe. Amândio, os seminaristas e o Pe. Vincenzo que andavam entretidos a cortar as ervas e a plantar relva nos novos jardins que completam o desenho do U. Depois de um bom tempo de conversa fomos colocar as bagagens nos quartos e visitar as novas instalações do Seminário que será inaugurado no dia 14 de Março de 2010. Os principais ambientes dos seminaristas estão colocados no andar térreo: dormitórios, quartos, sala de estar, sala de televisão e sala de estudo. Há também o quarto e o escritório do formador (Pe. Amândio). Um escadaria conduz ao andar superior. Numa parte está um grande sótão com possibilidade de futuras utilizações e um enorme espaço coberto para recreio ou outras iniciativas. Também se pode aceder a este lindo espaço através de duas escadarias exteriores.

Ao almoço estava reunida toda a comunidade: os cinco seminaristas (Óscar, Jójó, Felisberto, Domingos e Abraão), o Pe. Madella, o Pe. Amândio, o Pe. Vincenzo e o Pe. Domingos que durante toda a manhã estivera numa reunião na arquidiocese de Luanda onde se abordou o tema das fronteiras da nova diocese de Viana, à qual pertence a Casa Pe. Dehon e a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário. O Pe. Domingos é o pároco, ecónomo da comunidade territorial e também vigário episcopal da recém-criada diocese de Viana.

A meio da tarde chegou de Maputo o terceiro elemento da comitiva: o Pe. Carlos Lobo, superior provincial de Moçambique. Devia haver um quarto elemento: o Pe. Albert Lingwengwe, Conselheiro Geral para a África, mas dificuldades na obtenção do visto, impediram a sua presença.

Ao fim do dia celebrámos a Eucaristia, seguida da Adoração Eucarística e jantámos um pouco apressadamente porque os provinciais e o Pe. Madella deviam estar no aeroporto às 21h00 para fazer o check-in da viagem Luanda-Luena. No entanto a viagem é no dia seguinte às 5h30 da manhã…

» Zeferino Policarpo, scj