Do coração de África

▬ Não é fácil encontrar por aqui os meios necessários para fazer chegar notícias. Estando agora em Nkongsamba, na Casa Provincial, foi finalmente possível aceder à internet.
Em pouco tempo e com o cuidado de não vos ocupar nem muito espaço nem muito do vosso tempo, não posso narrar-vos ao pormenor todas as peripécias desta longa viagem, carregada de aventura e de situações insólitas. Assim sendo, limitar-me-ei ao essencial, àquilo, afinal, por que aqui estou: a Ordenação Sacerdotal do Max Atanga e do Jean Paul Labou e respectivas Missas Novas.
A Ordenação Sacerdotal aconteceu ontem, dia 21, e as Missas Novas hoje, dia 22 de Fevereiro. Para quem conhece África, a sua cultura e a forma de celebrar a fé, não é novidade nenhuma dizer que foram celebrações longas, cheias de alegria, de festa e de cor. Foram multidões que se juntaram nos diferentes eventos. Fizeram-no sem pressa, sem necessidade de olhar para o relógio ou lamentando o muito tempo que estavam a durar. Vinham para aquilo e ficariam enquanto houvesse festa.
Não testemunhei pessoalmente todos os acontecimentos, porque foi preciso optar, uma vez que as duas Missas Novas eram exactamente à mesma hora, mas separadas por centenas de quilómetros. Mas voltemos à celebração da Ordenação. Foram ordenados presbíteros o Max Atanga e o Jean Paul Labou e foi ordenado diácono um jesuíta, oriundo do Burkina Faso. A cerimónia decorreu na nossa Paróquia de Elig-Edzoa, em Yaoundé, presidida por D. Victor Tonye Bakot, Arcebispo da Diocese de Yaoundé. A celebração foi uma festa de princípio a fim, com muitos cânticos e danças. Teve a estranha particularidade de também incluir a celebração do Sacramento do Crisma. Contas feitas, foram três horas e meia bem passadas, a que se seguiu um agradável almoço-convívio. Escusado será dizer que os novos ordenados estavam felicíssimos, sem mãos a medir para cumprimentar e abençoar tanta gente.
Não se prolongou muito a festa para mim, para o P. Panteghini e para o P. Jean Paul e respectiva família, pois tínhamos uma longa viagem pela frente, para poder participar na Missa Nova, a centenas de quilómetros. Depois duma viagem longa, cansativa, mas muito bonita, chegámos, já noite, à Casa Provincial, em Nkongsamba, depois de termos deixado o P. Jean Paul na sua terra.
Neste Domingo, pelas 10h da manhã, lá estava uma multidão para a Missa Nova do P. Jean Paul na sua Paróquia de São Lucas Bafang-Ndokovi. Escusado será dizer eu foi festa de arromba, quase impossível de descrever. Ninguém faltou à chamada e lá estavam reunidas todas as autoridades civis, políticas e tradicionais. E todas foram devidamente mencionadas, como manda a boa tradição. Entre danças, cantares, palmas e gritos de festa, passaram-se mais de três horas sem que ninguém desse por ela. Nos discursos de acção de graças, não foram esquecidas a Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, a comunidade de Alfragide e a Paróquia de São José do Bairro da Boavista. O representante de todas estas entidades teve direito a lugar de honra.
A festa prolongou-se pela tarde, enquanto o pessoal teve vontade de comer e de beber. Pelo que me é dado saber, também nos arredores de Yaoundé a festa foi rija, para acolher a Missa Nova do P. Max Atanga.
Muito mais haveria a dizer, mas… Uma saudação fraterna e cordial, aqui do coração de África, em Nkongsamba, algures nos Camarões.

» José Agostinho F. Sousa, scj