Encontro Nacional da JD – Palavras de Encerramento

Caros amigos e amigas

1. Estamos a terminar o IX Encontro Nacional da Juventude Dehoniana. Vivemo-lo como encontro festivo e alegre de oração e reflexão, de convívio e partilha, de cultura e peregrinação! Penso que, ao longo destes dias, celebrámos os valores que caracterizam o jovem dehoniano: a interioridade, a disponibilidade, a solidariedade, a comunhão eclesial e o sentido de missão.

2. O tema anual da Juventude Dehoniana anda à volta do sentido profético das nossas vidas em Deus com o exemplo do Padre Dehon. Mais concretamente, “Profetas de Deus com Dehon”. Deus é o centro, o ponto de partida e de chegada daquilo que somos e fazemos. O Padre Dehon é um exemplo desse seguimento de Deus em Jesus Cristo: um apaixonado do seu Coração e do seu Amor por nós derramado.

3. Tudo girou à volta desta temática profética, com profundidade e jovialidade! Quero destacar, em primeiro lugar, a encenação da primeira noite na sexta-feira que, com qualidade e criatividade, deu o tom ao que vivemos nestes dias. À luz dos grandes profetas bíblicos e dos profetas do século XX, incluindo o Padre Dehon, captámos os dinamismos que marcam a orientação de vida dos profetas deste terceiro milénio em curso.

4. As pessoas que participaram no painel de sábado lançaram-nos pertinentes interpelações às nossas vidas em jeito de testemunho concreto das suas experiências de vida. O diálogo interactivo com eles estabelecido deu-nos renovada força profética para percorrer o amor nos caminhos do nosso peregrinar.

5. A tarde de sábado teve um conjunto de oito workshops. À primeira vista, poderiam ser passados nalguma dispersão e ligeireza. Impressão errada, pois tratou-se de um conjunto de actividades, reflexões e orações bem centradas no espírito do profetismo e de dimensões essenciais ao Padre Dehon.
Se o Padre Dehon aqui tivesse estado, teria ido connosco visitar pessoas em situações difíceis de doença e outras. Ele que tão atento estava às situações sociais de risco e de exclusão!
Se o Padre Dehon aqui tivesse estado, teria ido certamente connosco em peregrinação orante pelos Valinhos ou pelo Santuário de Fátima. Ele que centrava toda a sua vida na dimensão espiritual, na Eucaristia, na devoção a Maria!
Se o Padre Dehon aqui tivesse estado, teria ido connosco em visitas culturais ao mundo da arte, da natureza e da arqueologia. Ele que tanto primava pelas viagens em procura de mundos novos, e fazia dessas andanças momentos fortes de cultura e ensinamento, de estudo e oração!
Se o Padre Dehon aqui tivesse estado, teria participado com agrado em reflexões como o voluntariado, marcada por toda a disponibilidade da pessoa para se dar e se entregar. Ele que estava totalmente disponível para Deus e para irmãos!

6. Na manhã de domingo, ajudados pelo nosso Bispo D. Manuel Quintas, fomos desafiados a ser autênticos profetas hoje, à luz de Leão Dehon como profeta do seu tempo. Nas grandes linhas da vida e acção do Padre Dehon, percebemos atitudes para os dias de hoje, como contributo de modo empenhado à construção da nova civilização do amor. A Eucaristia que encerrou a manhã foi o grande encontro festivo de irmãos em Jesus Cristo.

7. O Encontro encerrou com o Festival da Canção na tarde de domingo. Foi um momento de alta qualidade, graças ao esforço que todos colocaram na sua preparação. Os autores e compositores, cantores e músicos, quais profetas de Deus com Dehon, cantaram o amor em palavras inspiradas, que as músicas embelezaram com arte e encanto.

8. Ser profeta de Deus hoje é ser denunciador, atitude tão necessária perante tantas situações que bradam aos céus, e anunciador de uma realidade nova, com a urgência do amor de Deus no mundo que também é nosso e que queremos que seja mais justo e mais fraterno.
Só se pode ser autêntico profeta a partir de Deus. Ele é a única fonte. Podemos beber de fontanários, mas nunca estaremos na fonte genuína e pura. Por isso, se compreende que tenha havido momentos fortes de oração e de celebração da fé ao longo deste encontro. Sem eles, teríamos certamente ficado em coisas muito giras, mas sem grande significân-cia.
A fasquia foi colocada a grande altura! Há que lá chegar, com exigência, com qualidade, como gente jovem que quer voar mais alto, com princípios de vida e valores a orientá-la. Não há meios-termos nem tibiezas. O rumo está traçado por Deus, com o exemplo vivido do Padre Dehon.

9. Como mensagem final, deixo-vos algumas palavras do Padre Dehon, que tinha uma atenção muito especial pelos jovens. O Padre Dehon convidava os jovens a serem profetas do amor e apóstolos da esperança, a partir da união profunda com Cristo. Dizia ele: «Jovens, deve-se agir! Na vossa idade é preciso ter um espírito de luta! Os jovens devem fazer-se ver. Na vossa idade sabeis fazer as coisas com regozijo. É a idade do dever alegre, a idade da santa esperança».
Dizia ainda: «Deus brindou a juventude com todos os elementos que servem para os grandes empreendimentos: entusiasmo, força e generosidade».
E dizia no fim da sua vida: «O ideal da minha vida é um ideal grandioso: conquistar o mundo para Jesus Cristo, instaurar o Reino do Coração de Jesus nas pessoas e na sociedade!»
Grande programa e forte incentivo que o Padre Dehon vos deixa, amigas e amigos da Juventude Dehoniana!

10. Quero felicitar todos aqueles e aquelas que organizaram este Encontro Nacional da JD e todos aqueles e aquelas que, de maneira mais disponível e atenta, procuraram cuidar do seu bom andamento. Acompanhei-vos nestes dias com a presença amiga e em espírito de comunhão. Continuarei a acompanhar-vos, unido na amizade e nesta oração que gosto de cantar: «Abre o teu coração, sê profeta do amor! Servidor da missão, anuncia o Reino do Senhor!»

| Manuel Barbosa, scj – Superior Provincial |