Formador, semeador em Deus

Podia ser mais ou menos este o título para o encontro que por estes dias nos reúne aqui pela Cidade Eterna.
Quase sem nos darmos conta, já lá vão três dias desde que chegámos a Roma. O primeiro, Domingo, 4 de Novembro, foi só para aquecer. Ficou, naturalmente, marcado pelos abraços e os sorrisos largos próprios de irmãos separados pela distância, mas bem unidos pelo ideal dehoniano que partilham. Vimos, de facto, de todo o mundo, desde a Europa às Filipinas e Indonésia, a todo o Continente Africano e todas as Américas. Não somos todos os formadores da Congregação, nem sequer uma representação equitativa da “classe”; somos alguns que o Governo-Geral resolveu convidar para reflectir a realidade da formação na Congregação.
Foi o mesmo Governo-Geral que, a par de toda a comunidade do Colégio, resolveu acolher e dar as boas-vindas a quantos iam chegando. Mais uma vez, foi agradável sentir a beleza da fraternidade, que cruza fronteiras e superas as barreiras culturais e linguísticas.
O jantar desse dia trouxe-nos uma alegria suplementar. Como todos sabemos, os bispos portugueses estão todos por cá, em visita Ad Limina. Pois os dois Dehonianos – D. António Braga e D. Manuel Quintas – resolveram deixar o convívio episcopal e juntaram-se à partilha fraterna dos confrades.
Não somos propriamente peregrinos, muito menos turistas em Roma. Viemos para trabalhar. Então foi o que começámos a fazer na 2ª Feira, logo pela manhã. Na sessão de abertura do nosso encontro, ouvimos da parte do Superior Geral, Pe José Ornelas, do Assistente Geral, Pe Claudio Weber, e do moderador do encontro, Pe Gonzalo Arnaiz, a definição dos principais objectivos deste encontro: reunião de partilha, de reflexão, de análise e de propostas. Lançar o olhar sobre a formação que se faz em toda a Congregação, nas suas diversas etapas e componentes, avaliar, encontrar caminhos novos. É um encontro informal, que o Governo-Geral espera traga a toda a Congregação novas luzes e renovadas formas de agir.
A tarde foi inteiramente ocupada por um especialista nestas temáticas e na análise da situação juvenil actual (Pe Carlo Nanni, salesiano). Tarde bem passada, em clima de agradável “cavaqueira”, com partilha de muitos pontos de vista e de muitas sugestões que a exposição do orador foi suscitando na assembleia.
O dia que agora termina (refiro-me a 3ª Feira, dia 6) foi totalmente animado pela “prata da casa”, sem recurso a outros especialistas. Percorremos a realidade actual da formação dehoniana, nas suas diversas dimensões e componentes. Da formação humana falou-nos o Pe Sugino, vindo da Indonésia; o Pe Olav, holandês da Alemanha, apresentou-nos a formação comunitária; da formação espiritual e intelectual falou-nos o Pe Eduardo Agüero, argentino a trabalhar há muitos anos nas Filipinas; vindo de Portugal, o autor destas linhas apresentou à assembleia a formação apostólica. O método era sempre o mesmo: pequenas exposições acerca do tema, a suscitar sobretudo o diálogo e a partilha sobre o que se vai fazendo em cada Província, Distrito ou Região, quais as principais dificuldades, propostas e perspectivas para o futuro.
E assim vai o nosso trabalho. Intenso, mas tranquilo. As noites estão livres de ocupações, de modo que vão sendo aproveitadas para alguns passeios, para dar uma vista de olhos aos jogos de futebol, ou simplesmente para amenas cavaqueiras, normalmente por países ou grupos linguísticos. Entretanto, notam-se por aqui algumas movimentações, ao que parece porque alguns querem aproveitar a boleia dos bispos portugueses para ir cumprimentar o Papa…

| José Agostinho F. Sousa, scj |