homilia no envio missionário do pe. jorge alves

27 janeiro 2005

 

A Boa Nova do Reino é levada a toda a terra

O Anúncio do Evangelho dá mais um passo quando se abre um novo campo de missão e parte um novo missionário.
Trata-se de uma missão confiada ao Carisma Dehoniano dos Sacerdotes do Coração de Jesus, chamados pelo nosso Fundador a servir, lá onde seja mais difícil chegar a Igreja. Com efeito, a nossa missão começa com um pedido da distante diocese de Luena para o recôndito lugar de Luau.
Particularmente sensíveis àquele que foi um dos grandes desejos manifestos por Jesus: “Que todos sejam um oh Pai, como Eu e Tu somo um”, é sob este carisma que nos torna reparadores, porque acolhedores do seu amor que cura a humanidade dos seus pecados, que somos chamados a evangelizar em Angola.
Esperamos ser capazes de levar esta descoberta da vida pelo lado da confiança que devemos depositar uns nos outros, a este povo dilacerado por guerras ao longo de décadas.
Serei o 5º missionário a partir para Angola, para uma missão que apenas completa um ano no próximo dia 5 de Março. É uma partida precedida e seguida de desafios:
Precedida, porque lá no terreno já se deram os primeiros passos. Serei chamado a dar continuidade e a corroborar a acção já começada e agora já levada a mais de 1200 Km de Luanda, nosso primeiro lugar de implantação. Estes primeiros contactos já deram para perceber que vamos ao encontro de um povo ainda carente de quase tudo, mesmo ao nível das necessidades básicas como sejam a alimentação e o abastecimento de água e não será difícil imaginar como serão necessários muitos biblioteca humanos. Por isso os desafios perduram para além da nossa partida:
1º para a Congregação:
Num futuro próximo havemos de estar a entregar, aos que Deus escolher dentre o povo angolano, a herança espiritual que nós mesmos recebemos do P. Dehon. É um dom de vida, qual talento que se não destina a ficar guardado no lenço. Há que semeá-lo também no coração de uma outra Igreja e noutro mundo cheio de desafios novos. É um desafio para todos: para quem parte e para quem fica. Que no terreno, os que vão trabalhar directamente sejamos capazes de encarnar esse testamento de vida e de fé e que a Província permaneça como bom terreno onde as raízes da nova obra a começar, possa encontrar o bom alimento.
2º para os demais irmãos, cristãos leigos:
parto para uma missão com uma vida já de 22 anos de sacerdócio, 21 dos quais ao serviço das paróquias, 18 como pároco e 3 como vigário paroquial.
Foram muitas as graças que recebi, servindo o povo de Deus e de alguma forma sois também a minha herança. Sois aqueles com quem posso contar, sem esquecer contudo que Deus não conhece fronteiras e age muitas vezes por meios que nem podemos imaginar.
A Missão para a qual sou enviado necessitará muito de vós:
Em 1º lugar da vossa oração, rezai para que a finalidade da nossa obra seja alcançada. Empenhai-vos para que continuem a surgir novas vocações para os Sacerdotes do Coração de Jesus. Procurem conhecer cada vez mais o nosso carisma e entusiasmem os jovens a seguí-lo.
Para além dos serviços apostólicos propriamente ditos, da Palavra e dos Sacramentos, muitos outros se revelarão necessários. Como será importante que as nossas preocupações encontrem eco nos vossos corações. Há muitas competências técnicas, nomeadamente nas áreas da educação e da saúde, que certamente poderão contar com a vossa colaboração. Na hora em que se manifestarem estas necessidades, estai disponíveis!
Vou partir, confiado em que tenhais para comigo e para com os outros missionários a mesma solicitude que Paulo nutre por Timóteo ao recordá-lo noite e dia nas suas orações. Não sei se derramarei lágrimas ao partir mas espero chegar ao momento de vir ver-vos e dar glória a Deus pela semente que foi semeada e que vemos a crescer na seara do Senhor em terras angolanas!….

| José Jorge de Sousa Alves, scj |