05º Domingo da Páscoa - Ano A [atualizado]

3 de Maio, 2026

ANO A
5.º Domingo da Páscoa

Tema do 5.º Domingo da Páscoa

A liturgia do quinto domingo do tempo pascal convida-nos a olhar para a comunidade nascida da cruz e da ressurreição, a comunidade da Nova Aliança. É uma comunidade que vive de olhos postos em Jesus ressuscitado, que percorre o caminho que Ele apontou e que, enquanto caminha, testemunha diante do mundo a vida e a salvação de Deus.
A primeira leitura apresenta-nos alguns traços que definem a Igreja de Jesus: é uma comunidade santa, embora formada por homens pecadores; é uma comunidade estruturada hierarquicamente, mas onde o serviço da autoridade é exercido no diálogo e na partilha; é uma comunidade de servidores, que recebem dons de Deus e que põem esses dons ao serviço dos irmãos; e é uma comunidade animada pelo Espírito, que vive do Espírito e que recebe do Espírito a força de ser testemunha de Jesus na história.
A segunda leitura apresenta a nova comunidade nascida de Jesus como um “templo espiritual”, do qual Cristo é a “pedra angular” e os cristãos as “pedras vivas”. Os que integram essa comunidade constituem um “povo sacerdotal”, cuja missão é oferecer a Deus o verdadeiro culto: uma vida vivida na obediência aos planos do Pai e no amor incondicional aos irmãos.
No Evangelho Jesus garante aos seus discípulos que nunca os abandonará e define o “caminho” que eles devem percorrer para chegarem à “casa do Pai”: é o mesmo “caminho” que Ele seguiu, o “caminho” da obediência a Deus e da doação total ao serviço dos irmãos. Os que acolhem esta proposta encontram a vida em plenitude e são acolhidos na família de Deus – a família do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

LEITURA I – Atos dos Apóstolos 6,1-7

Naqueles dias,
aumentando o número dos discípulos,
os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus,
porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas.
Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos
e disseram:
«Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus
para servirmos às mesas.
Escolhei entre vós, irmãos,
sete homens de boa reputação,
cheios do Espírito Santo e de sabedoria
para lhes confiarmos esse cargo.
Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente
à oração e ao ministério da palavra».
A proposta agradou a toda a assembleia;
e escolheram Estêvão,
homem cheio de fé e do Espírito Santo,
Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão,
Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.
Apresentaram-nos aos Apóstolos
e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles.
A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais;
o número dos discípulos
aumentava consideravelmente em Jerusalém
e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.

CONTEXTO

O episódio dos Atos dos Apóstolos narrado pela primeira leitura deste domingo integra a primeira parte do livro (cf. At 1,12-6,7). Propõe-nos mais um quadro sobre a vida e o testemunho da primitiva comunidade cristã de Jerusalém.
Os cristãos de Jerusalém viviam com entusiasmo o seu compromisso com Jesus e davam um belo testemunho da fé que os animava (cf. At 2,42-47); mas não eram perfeitos: aqui e ali vinham ao de cima problemas e tensões inerentes à convivência de pessoas com ideias e experiências de vida nem sempre coincidentes. O texto refere-se, concretamente, a um clima de tensão entre dois grupos: os “judeus” e os “helenistas”. Quem são estes grupos e o que é que os dividia?
Trata-se, sempre, de membros da comunidade cristã de Jerusalém. Os “judeus” são cristãos de origem judaica, originários da Palestina, que falam o aramaico, que leem a Escritura em hebraico e que teriam sido convertidos pela pregação de Jesus e dos apóstolos. Continuam, no entanto, muito apegados às suas tradições e têm um alto apreço pela Lei de Moisés e pelas interpretações dos rabis.
Os “helenistas” são cristãos de origem judaica, também, mas originários da “diáspora” israelita – isto é, das comunidades judaicas espalhadas por todo o império romano e até por fora dele. Falam o grego e leem as Escrituras em grego. Residem em Jerusalém temporariamente. O seu contacto com outras realidades culturais torna-os, ordinariamente, mais tolerantes e abertos à novidade.
Com dois grupos tão diversos – do ponto de vista cultural, religioso e social – a conviver dentro da mesma comunidade, era natural que, mais tarde ou mais cedo, surgissem tensões e conflitos. Aparentemente, aquilo que provoca a questão evocada no nosso texto é um problema de ordem material: na distribuição dos alimentos aos membros necessitados da comunidade, as viúvas helenistas sentiam-se prejudicadas. O facto provocou queixas, levando à intervenção dos líderes da comunidade.

MENSAGEM

Na verdade Lucas, o autor dos Atos dos Apóstolos, não está interessado em esboçar uma “história da Igreja” dos primeiros anos do cristianismo; o que ele pretende é oferecer-nos elementos que nos permitam compreender a essência dessa comunidade nascida de Jesus e que caminha na história. O episódio que a liturgia deste dia nos propõe deve ser considerado nessa perspetiva. Que conclusões podemos tirar sobre a comunidade cristã a partir do episódio referido pelo autor dos Atos dos Apóstolos?
Antes de mais sugere-se que a Igreja nascida de Jesus não é uma comunidade idílica e angélica, sem falhas, onde a unidade e a comunhão são perfeitas e imutáveis; mas é uma comunidade formada por homens e mulheres frágeis e imperfeitos, onde as tensões, os preconceitos, as rivalidades, as invejas e os ciúmes pautam a experiência diária de caminhada. Essa realidade não deve dececionar-nos e, menos ainda, assustar-nos: resulta das limitações e da finitude que também fazem parte da nossa existência histórica. Contudo, a Igreja nascida de Jesus não pode conformar-se com a imperfeição: deve colocar-se em contínuo processo de conversão, de forma a purificar-se e a oferecer ao mundo um testemunho credível de Jesus e do Seu Evangelho.
Uma segunda indicação refere-se à organização hierárquica da comunidade e ao modo como nela se exerce o serviço da autoridade. Lucas fala de uma estrutura hierárquica em que os Doze desempenham o serviço da orientação e da direção da comunidade. Eles aparecem como as referências fundamentais da comunidade; e é a eles que se recorre para sanar diferendos e para assegurar a harmonia comunitária. No entanto, os Doze não parecem interessados em assegurar para eles próprios posições de poder absoluto, de controle, de imposição ou de domínio. Pelo contrário, procuram envolver toda a comunidade na procura de soluções para os problemas emergentes (“escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria para lhes confiarmos esse cargo” – At 6,3), num processo que hoje poderíamos considerar um autêntico “caminho sinodal”.
A terceira indicação apresenta a Igreja como uma comunidade de serviço. Refere-se a escolha de sete homens “cheios do Espírito Santo”, cuja missão é o serviço das mesas. Na verdade, estes “sete” irão aparecer, noutros episódios, mais ligados ao serviço da Palavra do que ao serviço das mesas (é possível que estes “sete” – todos com nomes gregos – sejam os dirigentes da comunidade cristã judeo-helenística e que Lucas tenha fundido duas tradições diversas: a dos pregadores e dirigentes do grupo helenista, com a dos escolhidos para uma função propriamente diaconal, de serviço e ministério assistencial). De qualquer forma, nada invalida esta verdade fundamental: a comunidade cristã é uma realidade que tem no centro da sua dinâmica o serviço – seja o serviço da Palavra, seja o serviço da caridade. É impensável uma comunidade cristã onde não esteja bem viva esta dimensão diaconal.
A quarta indicação é sobre o papel relevante que o Espírito desempenha nas “crises” de crescimento que fazem parte da caminhada comunitária. O Espírito aparece ligado, seja à vocação (dos que são chamados a exercer a diaconia – cf. At 6,3), seja à missão (o gesto de impor as mãos pode significar, quer a escolha para um serviço comunitário, quer a invocação do Espírito para que eles possam concretizar a missão que lhes foi confiada). De qualquer forma, a Igreja é a comunidade do Espírito, criada, animada e dinamizada pelo Espírito.
O nosso texto termina com um pequeno sumário (cf. At 6,7) cujo objetivo é assinalar o avanço irresistível da Boa Nova, por ação dos discípulos de Jesus, animados pelo Espírito.

INTERPELAÇÕES

• Dois mil anos depois de ter nascido e de se ter imposto ao mundo, a Igreja de Jesus continua a ser um autêntico “sinal de contradição”: suscita paixões e ódios, simpatias e antipatias, aprovações e condenações, respeitos e censuras, confianças e desconfianças, fé e descrença… Uns defendem-na intransigentemente, justificando até as falhas mais injustificáveis; outros atacam-na cegamente, culpando-a de todos os males do mundo. Para uns e para outros, o episódio dos Atos dos Apóstolos narrado na primeira leitura deste domingo garante: a Igreja é uma comunidade que vem de Jesus e é animada pelo Espírito, mas formada por homens falíveis e imperfeitos; a Igreja é a testemunha no mundo do plano de salvação de Deus, mas é também (dada a sua faceta humana) uma realidade “a fazer-se”, em contínuo processo de conversão. Os homens do nosso tempo devem exigir que a Igreja seja fiel à sua missão no mundo; mas devem também compreender as suas falhas, dificuldades e infidelidades. E nós, como nos posicionamos face à Igreja? Compreendemos a sua realidade, ao mesmo tempo de santidade e de pecado?

• A “fotografia” que o autor dos Atos dos Apóstolos hoje nos mostra da primitiva Igreja de Jerusalém, revela uma comunidade em que as estruturas de coordenação da vida comunitária não estão ainda completamente definidas e organizadas. No entanto, há já um grupo investido do serviço da autoridade (os “Doze”); e a comunidade confia aos membros desse grupo o encargo de resolver as tensões e conflitos que podem colocar em causa o equilíbrio e a harmonia comunitários. Reparemos, além disso, na forma como os “Doze” assumem o serviço da autoridade: eles não parecem interessados em serem os “senhores absolutos” do projeto comunitário, ou em impor aos outros as suas ideias, preconceitos ou visões pessoais. Na “crise” descrita neste episódio, os “Doze” convocam a comunidade, convidam-na a escolher as pessoas a quem devem ser confiados certos serviços, envolvem-na na busca do caminho comunitário. Infelizmente, ao longo dos séculos esquecemos, muitas vezes, este dinamismo de comunhão e participação: a Igreja nascida de Jesus estruturou-se frequentemente como uma sociedade de desiguais, em estilo piramidal, onde uns eram chamados a mandar e outros convidados a obedecer em silêncio. É preciso redescobrir o valor do diálogo e da participação, na Igreja. Não se trata de discutir se a Igreja deve ou não funcionar segundo os mecanismos de uma sociedade democrática; trata-se de termos consciência de que somos uma família onde todos devem ter voz, porque em todos habita o mesmo Espírito; trata-se de potenciar mecanismos de escuta, de diálogo e de participação, a fim de que todos os membros da família eclesial se envolvam na definição e na construção do projeto comum. O que achamos disto? No que nos diz respeito, estamos disponíveis para nos envolvermos numa procura sincera dos caminhos que o Espírito inspira a Igreja a percorrer?

• A instituição dos sete diáconos da Igreja de Jerusalém para o “serviço das mesas” (isto é, para o “serviço da caridade”) lembra-nos que a Igreja não é uma mera comunidade de consumidores de bens espirituais, mas sim uma “comunidade de servidores”: os membros da comunidade cristã são convidados a seguir Jesus, que fez da sua vida uma entrega total ao serviço de Deus, ao serviço do Reino e ao serviço dos homens. Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens, não “para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos”, é a referência para todos aqueles que integram a comunidade cristã. O nosso compromisso cristão, vivido em comunidade, inclui o serviço à comunidade, a partilha com a comunidade dos dons que Deus colocou à nossa disposição? O nosso compromisso cristão inclui o serviço simples e humilde, ao estilo de Jesus, em favor dos irmãos que caminham ao nosso lado, especialmente dos mais pobres, dos mais débeis, dos mais necessitados?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33)

Refrão 1: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

Refrão 2: Venha sobre nós a vossa bondade, porque em Vós esperamos, Senhor.

Justos, aclamai o Senhor,
os corações retos devem louvá-l’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai Lhe salmos ao som da harpa.

A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor.

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome.

LEITURA II – Primeira Carta de Pedro 2,4-9

Caríssimos:
Aproximai vos do Senhor, que é a pedra viva,
rejeitada pelos homens,
mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus.
E vós mesmos, como pedras vivas,
entrai na construção deste templo espiritual,
para constituirdes um sacerdócio santo,
destinado a oferecer sacrifícios espirituais,
agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Por isso se lê na Escritura:
«Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa;
e quem nela puser a sua confiança não será confundido».
Honra, portanto, a vós que acreditais.
Para os incrédulos, porém,
«a pedra que os construtores rejeitaram
tornou se pedra angular»,
«pedra de tropeço e pedra de escândalo».
Tropeçaram por não acreditarem na palavra,
à qual foram destinados.
Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real,
nação santa, povo adquirido por Deus,
para anunciar os louvores»
d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.

CONTEXTO

A primeira Carta de Pedro é endereçada aos cristãos de cinco províncias romanas da Ásia Menor (a carta cita explicitamente a Bitínia, o Ponto, a Galácia, a Ásia e a Capadócia – cf. 1 Pe 1,1). Não sabemos exatamente quem é o seu autor. É verdade que ele, logo no início da carta, se apresenta com o nome do apóstolo Pedro; contudo, a análise literária e teológica da carta não confirma essa indicação. Em termos literários, a qualidade literária da carta parece estar bem acima daquilo que seria a maneira de escrever de um pescador pouco instruído, como era o caso de Pedro; em termos teológicos, a “catequese” apresentada parece situar-nos numa época bem posterior à de Pedro, quando a reflexão cristã já tinha conhecido uma significativa evolução. A tudo isto devemos acrescentar um outro dado significativo: o “ambiente” descrito na carta corresponde, claramente, à situação das comunidades cristãs nos últimos anos do século primeiro. Ora, se Pedro morreu em Roma durante a perseguição de Nero (por volta do ano 67), não pode ser o autor deste escrito. O autor da carta será, portanto, um cristão anónimo culto e que conhece profundamente a difícil situação das comunidades cristãs da Ásia Menor. Ele escreve em finais do séc. I (nunca antes dos anos 80), provavelmente a partir de uma comunidade cristã não identificada da Ásia Menor.
Os destinatários desta carta parecem ser comunidades cristãs das zonas rurais da Ásia Menor. A maioria dos membros dessas comunidades são camponeses pobres, que cultivam as propriedades da gente rica. Também há, nestas comunidades, pequenos proprietários que vivem em aldeias, à margem das grandes cidades. Trata-se, em qualquer caso, de gente que economicamente débil e vulnerável à hostilidade que o Império começa a manifestar para com o cristianismo.
O autor da carta exorta esses cristãos a manterem-se fiéis à sua fé, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experiência da paixão e da cruz, antes de chegar à ressurreição; e exorta-os a manterem a esperança, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coerência e fidelidade a sua opção cristã.
O texto que nos é proposto faz parte de uma secção parenético-doutrinal (cf. 1Pe 2,1-10), que tem como finalidade exortar os cristãos a crescer na fé, de forma a chegarem à salvação.

MENSAGEM

A reflexão proposta pelo autor da Carta desenvolve-se à volta de uma imagem bem sugestiva: Cristo como “a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus” (1Pe 2,4).
A imagem é certamente tomada de Is 28,16. Aí Javé, dirigindo-se aos líderes corruptos que “fazem da mentira um abrigo e da fraude um refúgio” (Is 28,15), anuncia que irá colocar em Sião uma pedra “preciosa, angular, bem firme”, onde o povo se poderá apoiar quando todas as outras seguranças falharem. A mesma imagem reaparecerá, aliás, em Sl 118,22. No judaísmo tardio essa imagem de uma “pedra” rejeitada pelos construtores, mas que vem a tornar-se a “pedra angular” do projeto de Deus, adquirirá uma conotação messiânica: o “Messias” que há de vir será a tal “pedra” sobre a qual Deus vai construir a sua intervenção salvadora na história, em favor do seu Povo.
Para o autor da primeira Carta de Pedro, Cristo é essa pedra escolhida, preciosa, viva (alusão à ressurreição), sobre a qual Deus fundamenta o seu projeto de salvação. Ele foi rejeitado pelos homens, mas Deus colocou-O como pedra angular, como a pedra principal do edifício que se propôs construir.
Os cristãos são convidados, pelo autor da carta, a aproximar-se de Cristo (1Pe 2,4). “Aproximar-se de Cristo” é aderir à sua proposta, viver ao seu estilo, segui-l’O no caminho do dom da vida, cimentar a comunhão com Ele. Dessa forma tornar-se-ão “pedras vivas” (cf. 1Pe 2,5) de um edifício do qual Cristo é a “pedra angular”. Será um “edifício espiritual”, feito de “pedras vivas”. No antigo Templo de Jerusalém, construído com pedras materiais, ofereciam-se sacrifícios de animais para significar a comunhão do Povo com Javé; mas, no novo Templo (o tal que tem Cristo como “pedra angular” e os cristãos como “pedras vivas”, ligadas a Cristo), oferecer-se-ão sacrifícios espirituais: uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom aos irmãos. Os que fizerem parte desta “construção”, integrarão um povo de sacerdotes; no exercício do seu sacerdócio, oferecerão diariamente a Deus aquilo que têm de mais precioso: a sua vida e o seu amor.
Esta “construção” foi e continuará a ser rejeitada pelos homens (cf. 1 Pe 2,7-8). Ao evocar essa “rejeição”, o autor da Carta refere-se, certamente, à condenação e à morte de Jesus na cruz; mas refere-se também às dificuldades que os crentes em geral e os destinatários da carta em particular encontram na vivência e no testemunho da sua fé. Em qualquer caso, a “rejeição” por parte do mundo não deve fazer com que as “pedras vidas” do edifício espiritual que tem Cristo como “pedra angular”, desanimem e desistam: para Deus, esta comunidade/Templo será uma “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus para anunciar os louvores” (1Pe 2,9). A citação leva-nos a Ex 19,5-6, onde se refere à comunidade da “aliança”: o seu uso neste contexto significa que, agora, apesar da rejeição do mundo, os cristãos são a comunidade da “nova aliança”, o povo que Deus libertou, que Deus conduziu da escravidão para a liberdade e a quem Deus encarregou de testemunhar diante do mundo o seu projeto de salvação.

INTERPELAÇÕES

• No final do séc. I o autor da primeira Carta de Pedro referia-se a Cristo como a “pedra angular” do projeto salvador de Deus. Hoje, dois mil anos depois, os cristãos são cerca de trinta por cento dos habitantes do mundo; apesar disso, nem sempre se nota a presença efetiva de Cristo nesses caminhos em que se constrói a história do mundo e dos homens. O verniz cristão de que revestimos a nossa civilização ocidental não tem impedido a corrida aos armamentos, os genocídios, os atos bárbaros de terrorismo, as guerras religiosas, o tráfico de pessoas, o desrespeito pelos mais elementares direitos humanos, as injustiças gritantes contra os mais fracos, a indiferença para com os mais necessitados, a apropriação por alguns dos recursos que pertencem a todos, a exploração abusiva da natureza… Os critérios que presidem à construção do mundo estão, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho de Jesus. Porque é que isto acontece? Podemos efetivamente dizer que Cristo é, para os cristãos, a referência fundamental? Nós cristãos fizemos d’Ele, efetivamente, a “pedra angular” sobre a qual construímos a nossa vida e a história do nosso tempo?

• O autor da primeira Carta de Pedro refere-se aos cristãos como “pedras vivas” de um “templo espiritual” do qual Cristo é a “pedra angular”. A imagem traduz a realidade de uma comunidade de crentes que se reúne à volta de Cristo, que recebe d’Ele vida, que caminha com Ele, que vive em comunhão com Ele, que assume totalmente o projeto que Ele veio propor aos homens, que é chamada a dar testemunho de Cristo no mundo. A esta comunidade chamamos “Igreja”. Nós que um dia nos encontrámos com Cristo e que acolhemos o seu chamamento, sentimo-nos parte desse “edifício espiritual”? Procuramos, todos os dias, limar as arestas que nos impedem de aderir plenamente a Cristo e de construir a nossa vida a partir d’Ele e em referência a Ele? Procuramos, todos os dias, revitalizar o “cimento” que nos une às outras pedras do edifício – os irmãos que partilham a mesma fé e o mesmo caminho?

• As “pedras vivas” do Templo do Senhor formam um Povo de sacerdotes, cuja missão é “oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”. Podemos dizer isto de uma forma mais simples: aqueles que aceitam integrar a comunidade da salvação são chamados a viver de forma coerente com os compromissos que assumiram no dia em que foram batizados; compete-lhes cumprir o projeto de Deus e testemunhar no meio dos seus irmãos a bondade, a misericórdia, o amor de Deus. Quais são os “sacrifícios espirituais” que oferecemos a Deus? Limitamo-nos a entregar-lhe uma “ração diária” de orações mil vezes repetidas e de rituais religiosos que a tradição impõe? Ou oferecemos a Deus, a cada momento do nosso dia, uma vida digna, verdadeira, coerente, comprometida, cheia de gestos de amor, de bondade e de misericórdia?

• O “mestre” cristão que redigiu a primeira Carta de Pedro promete que “quem puser a sua confiança” no Senhor Jesus “não será confundido”. É um convite a que os discípulos de Jesus não se deixem abater pelo desânimo ou pelo medo que resultam da incompreensão e da perseguição. Aliás, eles devem ter sempre diante dos olhos o exemplo de Cristo: Ele foi rejeitado pelos homens, mas a sua fidelidade aos projetos do Pai fez d’Ele a “pedra angular” da construção de Deus. Como lidamos com a oposição e a contestação daqueles que se recusam a acolher o projeto de Jesus? Estamos convencidos de que a verdade de Deus não pode ser calada?

ALELUIA – João 14,6

Aleluia. Aleluia.

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;
ninguém vai ao Pai senão por mim.

EVANGELHO – João 14,1-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Não se perturbe o vosso coração.
Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim.
Em casa de meu Pai há muitas moradas;
se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito.
Vou preparar vos um lugar
e virei novamente para vos levar comigo,
para que, onde Eu estou, estejais vós também.
Para onde Eu vou, conheceis o caminho».
Disse Lhe Tomé:
«Senhor, não sabemos para onde vais:
como podemos conhecer o caminho?»
Respondeu lhe Jesus:
«Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por Mim.
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
Mas desde agora já O conheceis e já O vistes».
Disse Lhe Filipe:
«Senhor, mostra nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu lhe Jesus:
«Há tanto tempo que estou convosco
e não Me conheces, Filipe?
Quem Me vê, vê o Pai.
Como podes tu dizer: ‘Mostra nos o Pai’?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?
As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio;
mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim;
acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo:
quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço
e fará ainda maiores que estas,
porque Eu vou para o Pai».

CONTEXTO

Pouco depois de ter entrado em Jerusalém, montado num jumentinho e aclamado por uma multidão (cf. Jo 11,12-19), Jesus entendeu que tinha chegado a “hora”, o momento de entregar a sua vida “até ao extremo” para que o projeto do Pai se concretizasse (cf. Jo 12,20-36). A paixão, morte e glorificação estavam no horizonte próximo de Jesus de Nazaré.
Consciente, portanto, de que o seu tempo estava a esgotar-se, Jesus propôs-se celebrar uma ceia de despedida com os seus discípulos. Essa ceia realizou-se numa noite de quinta-feira, véspera da Páscoa judaica, numa sala emprestada por um amigo, na cidade de Jerusalém. Jesus viria a ser preso nessa mesma noite num horto situado no vale do Cédron, junto do monte das Oliveiras. Levado pela polícia do templo para casa do sumo-sacerdote, aí foi julgado, condenado e torturado. Na manhã do dia seguinte foi conduzido diante do Pôncio Pilatos, o governador romano, o qual confirmou a sentença de morte a que os líderes judaicos tinham determinado. Morreu na tarde de sexta-feira, pregado numa cruz, na colina do Gólgota, fora das muralhas de Jerusalém.
Aquela inolvidável ceia de despedida celebrada na quinta-feira é dominada por este cenário. Enquanto comiam e conversavam, pairavam na mente e no coração de todos os convivas algumas questões verdadeiramente decisivas: que seria do projeto do Reino de Deus sem Jesus? Que deveriam fazer e como deveriam viver aqueles discípulos, deixados “órfãos” pela “partida” do seu “Mestre”? Onde haveriam eles de alimentar, futuramente, a sua esperança na vinda do reino de Deus? Como poderiam os discípulos manterem-se em comunhão com Jesus?
Durante a ceia, Jesus falou longamente com os discípulos e referiu-se às questões que os inquietavam. Acalmou-lhes os medos e transmitiu-lhes paz; lembrou-lhes, com gestos e palavras, os valores do reino de Deus; recordou-lhes o essencial do que lhes tinha dito e ensinado enquanto percorria com eles os caminhos da Galileia e da Judeia; prometeu-lhes que lhes enviaria o Espírito Santo e garantiu-lhes a sua presença e a sua assistência em todos os passos do caminho que iam percorrer; alertou-os para as dificuldades que iam encontrar, mas assegurou-lhes a vitória sobre as forças da morte…
Tudo o que foi dito e vivido nessa noite soou a testamento final e deixou uma impressão profunda nos discípulos que participaram na ceia. As palavras de Jesus que o Evangelho do quinto domingo do tempo pascal nos oferece integram o “testamento de Jesus” e devem ser colocadas e entendidas neste cenário.

MENSAGEM

Pouco depois de ter lavado os pés aos discípulos, Jesus avisou-os que estava a chegar ao fim a sua permanência junto deles (cf. Jo 13,33) e que um deles ia entregá-l’O nas mãos das autoridades judaicas (cf. Jo 13,21). Era verdade: Judas, um dos Doze, abandonou a mesa e saiu da sala para executar o seu plano de traição (cf. Jo 13,24-32). O cenário da “partida” de Jesus começava a ganhar contornos bem reais. Os discípulos, talvez sem compreenderem ainda o alcance de tudo aquilo, ficam inquietos e preocupados. Sentem que não podem perder Jesus. Se o Mestre que os chamou e que eles seguem há tanto tempo lhes for “roubado”, que lhes restará?
Jesus começa por acalmá-los e confortá-los: “não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim” (Jo 14,1). Talvez tudo o que vai acontecer seja doloroso para os discípulos; mas eles devem confiar incondicionalmente em Jesus e nas opções que Ele fez. Para inspirar-lhes confiança, lembra-lhes a ligação que tem com o Pai: se Ele vive em comunhão com o Pai e se cumpre o projeto do Pai, de certeza que o Pai não permitirá que a maldade dos homens O vença.
Na verdade, Jesus prepara-se para ir ao encontro do Pai, através da cruz. Tal “viagem” é necessária para “preparar um lugar” para os discípulos (Jo 14,2). É o final da missão que o Pai confiou a Jesus. Os discípulos, uma vez que aderiram ao projeto de vida que Jesus lhes apresentou, também estão destinados a estar com Deus, a integrar a família de Deus, a viver na “casa” do Pai. Jesus, no que lhe diz respeito, nunca prescindirá dos seus: é Seu desejo que os discípulos estejam sempre com Ele; por isso, virá buscá-los (cf. Jo 14,3). Ele, simplesmente, vai à frente porque a Sua missão é mostrar-lhes o caminho (cf. Jo 14,4).
Qual é o “caminho” para chegar a fazer parte dessa família de Deus? – perguntam os discípulos (cf. Jo 14,5). É uma pergunta supérflua, uma vez que eles acompanharam Jesus pelos caminhos da Galileia e da Judeia, até Jerusalém, e viram como Ele viveu e como Ele amou. Talvez estejam relutantes em enveredar, como Jesus fez, pelo caminho do amor e do dom da vida; mas a verdade é que conhecem de cor o “mapa” do “caminho” que leva ao encontro de Deus. Sim, o “caminho” é Jesus (cf. Jo 14,6): é a sua vida, os seus gestos, o seu amor até ao extremo que mostram como se deve viver. Quem olhar para Jesus vê o itinerário que deve percorrer. Ao aceitarem percorrer esse “caminho” de identificação com Jesus, os homens estão a ir ao encontro da verdade e da vida em plenitude. Quem aceita percorrer esse “caminho” de amor, de entrega, de dom da vida, chega até ao Pai e torna-se – como Jesus – “filho de Deus”.
Mais: ao identificarem-se com Jesus, os discípulos estabelecem uma relação íntima e familiar com o Pai, porque o Pai e Jesus são um só (cf. Jo 14,7-11). O Pai está presente em Jesus. Assim, quem encontra Jesus encontra o Pai, quem se aproxima de Jesus aproxima-se do Pai. Quem adere a Jesus e estabelece com Ele laços de amor, já faz parte da família do Pai, porque Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens. As obras que Jesus realiza são as obras do Pai; o amor que Jesus oferece a todos é o amor do Pai; a vida que Jesus partilha com todos aqueles que se cruzam com Ele é a vida que o Pai dá.
No entanto, Jesus não é somente o modelo do “caminho”; ao mesmo tempo, Ele oferece como dom a força, a energia (o Espírito) para que o homem possa percorrer “o caminho”. É o Espírito do Senhor ressuscitado que renova e transforma o homem, no sentido de o levar, cada dia, a tornar-se Homem Novo, que vive na obediência a Deus e no amor aos irmãos. Desta dinâmica, nasce a comunidade de Homens Novos, a família de Deus, a Igreja.
A última palavra de Jesus que o nosso texto nos traz é para pedir aos discípulos que continuem a Sua obra: “quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai” (Jo 14,12). Ao fazerem as obras de Jesus, os discípulos darão testemunho no mundo do projeto de Jesus; oferecerão a muitos homens e mulheres a oportunidade de seguir o “caminho” traçado por Jesus e de, dessa forma, entrarem na família de Deus.

INTERPELAÇÕES

• Todos nós ansiamos pela vida em plenitude; todos nós corremos atrás da felicidade verdadeira; todos nós andamos a tentar construir uma vida que faça sentido… Como chegar lá? Que caminho devemos percorrer para chegar à plena realização? Haverá um “mapa” que nos diga por onde ir e evite que andemos às voltas, a malbaratar a vida por atalhos que não levam a lado nenhum? Jesus, no momento em que se despede dos discípulos e lhes deixa o seu “testamento”, oferece-lhes uma indicação clara: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”. É evidente que Ele não está a falar de um “caminho” físico, feito de terra, de pedras ou de alcatrão, mas está a falar de uma maneira de viver, de valores sobre os quais assentar a existência, de verdades que não são destruídas pela passagem do tempo ou pela ditadura das modas. Segundo Jesus, é por esse “caminho” que chegaremos à comunhão com Deus, que encontraremos a “casa do Pai”, que alcançaremos a vida verdadeira e eterna. Estamos disponíveis para seguir o “caminho” que Jesus nos mostra com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor? Dispomo-nos a sonhar os sonhos que Ele sonhou, a abraçar os projetos que Ele abraçou, a defender as causas que Ele defendeu?

• Aqueles e aquelas que se identificam com Jesus, que aceitam comprometer-se com Ele, que percorrem o caminho que Ele indica, passam a integrar a família de Deus – uma família animada pelo Espírito, que dá testemunho de Jesus e que, como Jesus, vive na obediência a Deus e no amor aos irmãos. No dia do nosso batismo, fomos integrados nesta família: passamos a fazer parte da Igreja de Jesus, da comunidade do Reino de Deus. Sentimos que a Igreja nascida de Jesus é, enquanto peregrinamos na terra, a nossa casa? Sentimo-nos plenamente integrados na família eclesial? Participamos na vida da comunidade e, no “Dia do Senhor”, reunimo-nos em comunidade à volta da mesa eucarística? Pomos ao serviço da comunidade, com espírito de serviço, os dons que Deus nos concedeu? Quando a comunidade falha e nos dececiona, afastamo-nos, ou esforçamo-nos para que ela viva de forma mais coerente e verdadeira?

• Jesus, no “testamento” que deixou aos discípulos, lembrou-lhes que contava com eles para fazer as mesmas obras que Ele fazia. “Fazer as obras” de Jesus é, através de gestos concretos, levar a salvação de Deus aos pobres, aos pequenos, aos humildes, aos desprezados, aos doentes, aos prisioneiros, aos sem voz e sem vez, aos condenados pela sociedade e pelas Igrejas, às vítimas de todas as injustiças, aos que caminham sem rumo, aos que vivem sem esperança; “fazer as obras” de Jesus é mostrar ao mundo, através de gestos concretos, o caminho que Jesus percorreu e, assim, oferecer a todos os homens e mulheres a possibilidade de irem ao encontro de Deus e de integrarem a família de Deus. E nós, fazemos as obras de Jesus?

• Na noite em que se despediu dos discípulos, Jesus quis animá-los e confortá-los: “não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim”. “Acreditar em Jesus” é confiar que Ele estará sempre presente, atento aos seus, acompanhando-os em cada passo, ajudando-os a superar as crises e os obstáculos, apontando-lhes o caminho que conduz à vida verdadeira. Todos nós já experimentamos como este mundo pode ser um lugar assustador e como a nossa caminhada pela terra está marcada por um sem número de dificuldades e de incertezas; todos nós já experimentamos a injustiça, a rejeição, a condenação, a incompreensão, a perseguição, a maldade daqueles que se sentem incomodados com o nosso testemunho… Mas, para além disso, não sentimos que Jesus vai ao nosso lado e que nos dá a força para enfrentar tudo? Não sentimos que, sejam quais forem as vicissitudes com que tivermos de lidar, o nosso irmão Jesus estará à nossa espera, no final do caminho, para nos acolher na morada eterna que nos preparou?

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 5.º DOMINGO DA PÁSCOA
(adaptadas, em parte, de “Signes d’aujourd’hui”)

1. A LITURGIA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 5.º Domingo da Páscoa, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…

2. VALORIZAR O ALTAR.
A segunda leitura é extraída da Primeira Carta de Pedro: Jesus é a pedra viva… a pedra angular… a pedra rejeitada pelos construtores… Através de iluminação ou de flores, poder-se-á pôr em destaque o altar, símbolo de Cristo, pedra sobre a qual repousa a Igreja, templo espiritual. Liturgicamente, é o altar (e não o sacrário) que está no centro do espaço de celebração das nossas igrejas. Seria bom igualmente pôr em evidência a ligação entre o altar e a cruz: “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular”.

3. BILHETE DE EVANGELHO.
Dar um passo… Alguém dizia, durante uma homilia: “a fé começa pelos pés!” De facto, a fé é uma resposta e uma caminhada. Foi a aventura destes onze homens reunidos numa sala, em Jerusalém. Estavam cheios de medo, mas lançaram-se, algum tempo mais tarde, pelas ruas da Palestina e para além disso. Sentiram-se possuídos pelo Espírito recebido no Pentecostes. É a aventura das crianças que, nestes dias, vão começar a comungar: são convidadas ao Banquete do Senhor, vão responder a este convite. É a aventura dos jovens que, por ocasião da sua profissão de fé, decidiram dar um passo para Deus, ousando dizer: “Creio!”. É a aventura dos jovens que, em certo período do ano, vão ser confirmados, um passo que lhes faz pedir a ajuda do Espírito. Somos todos convidados a dar um passo, para o Senhor e para os nossos irmãos. Sim, sejamos cristãos a caminho.

4. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.

No final da primeira leitura:
Pai, nós Te damos graças pelo teu Espírito Santo, que suscita em todo o tempo, nas nossas comunidades, iniciativas para o acolhimento do teu Reino.
Nós Te pedimos por todos os ministérios e serviços na Igreja, pelos diáconos, leitores, catequistas, pelos cristãos empenhados nas pastorais especializadas, a saúde, a informação, etc.

No final da segunda leitura:
Nós Te damos graças por Jesus Ressuscitado: Ele é a pedra viva e a pedra angular, que a morte não conseguiu eliminar. Ele é a rocha sobre a qual repousa a nossa fé. Por Ele e n’Ele nós Te apresentamos as nossas oferendas espirituais.
Nós Te pedimos pelo teu povo, templo espiritual, nação santa, sacerdócio real, para que ele testemunhe em todo o lugar a tua admirável luz.

No final do Evangelho:
Pai, nós Te bendizemos por Jesus, teu Filho, porque Ele é para nós o Caminho, a Verdade e a Vida. N’Ele descobrimos o teu rosto.
Nós Te pedimos: pelo teu Espírito Santo, faz-nos reconhecer e habitar na tua presença. Que Jesus, a tua Palavra viva, habite em nós e suscite obras de salvação. Que Ele nos conduza para Ti.

5. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística I, dizendo o nome dos Apóstolos, em particular os citados no Evangelho.

6. PALAVRA PARA O CAMINHO.
“Sede as pedras vivas…” Que espécie de pedras somos nós na construção da nossa Igreja em 2005? Pedras que procuram ajustar-se umas às outras, em harmonia com a “Pedra angular”? Ou pedras que se opõem umas às outras e se eliminam mutuamente? Que “Templo espiritual” estamos nós a construir?

 

UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA
Grupo Dinamizador:
José Ornelas, Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, Ricardo Freire, António Monteiro
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
www.dehonianos.org

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