Cá estou a dar notícias frescas. Já estou são e salvo na minha comunidade em Guntur.
A viagem foi bastante longa, mas tudo é bom quando acaba bem. O Padre Geral teve outras aventuras que ainda não terminaram. Desta fez foi o passaporte que desapareceu, ninguém sabe para onde, e vai ser o cabo dos trabalhos para apanhar o avião e ir para Goa a ver se lhe dão outro até sexta-feira. E pelo lado bom, com um bife bem temperado e um copo de vinho depois de todos estes dias vegetarianos e água, porque Goa tem franquia neste material.
Viajámos os dois no mesmo avião, mas a mim deixaram-me para o fim e depois deram-me um lugar em business classe. Lá tive de aceitar com humildade, embora o Geral fosse o outro…
Hyderabd é uma cidade de maioria muçulmana. Há três semanas rebentou aqui uma bomba no mercado. A primeira impressão é a de estarmos uma cidade do sul de Madagáscar, tudo muito seco e pessoas pelas ruas como formigas, mesmo durante a noite.
Há templos por todos os cantos da cidade e mesmo no meio das estradas.
O trânsito é uma dor de barriga permanente, pois a regra que prevalece é a do “desenrasca-te antes que alguém te veja”, sempre com a buzina a tocar.
Tivemos a primeira Assembleia onde o nosso Superior Geral pontificou, e muito bem, com apresentações bem calibradas sobre a espiritualidade, a vida comum e a missão.
Compreende-se que o momento é o de aprontar bagagens e partir par a missão, depois de tantos anos de formação. Ainda bem que não fomos directos ao norte onde os cristãos estão a ser perseguidos pelos indús e pelos muçulmanos. No dia de Natal foram queimadas várias igrejas em Oryssa. Em tempo de mobilização geral, temos duas paróquias a começar em Bombaim e para lá já foram dois diáconos, para enxotar as vacas da igreja, diria o P. Jardim.
A pastoral parece ser muito tradicional como no tempo dos portugueses, muito devocionista e pouco voltada para o social. Consolemo-nos, pois não falta que fazer para formar uma boa paróquia em estilo dehoniano.
Fomos de passeio com mais de 30 escolásticos à praia do tsunami. Esta região é o celeiro da Índia, mas muito sujinha, graças a Deus.
Aqui na comunidade o superior é já um indiano e muito bom tipo. Temos 22 rapazes, menos um que se foi embora ontem por ter perdido a cabeça por uma pequena. Os problemas do costume, excepto que desta vez os irmãos da pequena vieram ao seminário pedir contas ao superior pelo mau comportamento do discípulo de Jesus que não pode intrometer-se nos “affaires” do Mahomé.
Enfim, estou a aprender Telugu, já sei dizer umas coisas mas escrever… está bem… talvez daqui a uns meses.
Vai um abraço fraterno, esperando que o Inverno dure, pois aqui é no Inverno que “tásse” bem.
| Pedro Coutinho, scj |