A Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus – Dehonianos cumpre o doloroso dever de informar do falecimento do P. Giulio Carrara, às 22h35 do dia 9 de junho de 2026, no Hospital de S. António, no Porto, aos 95 anos de idade.
O P. Carrara partiu reconfortado com o sacramento da Santa Unção, que lhe foi administrado na manhã do próprio dia em que viria a falecer.
Nascido na Itália, em 1930, professou nesta Congregação em 1949 e viria a ser ordenado padre em 1958. Grande parte da sua vida sacerdotal foi vivida em Portugal, no Porto, onde chegou em 1965. Aí trabalhou afincadamente, sobretudo, na Paróquia de Nossa Senhora da Boavista, ao Foco, na cidade do Porto.
Hoje damos graças a Deus por todas as maravilhas que realizou na vida do P. Carrara e através dele. Rezemos pelo seu eterno descanso junto de Cristo, Bom Pastor.
A celebração exequial terá lugar na Igreja paroquial de Nossa Senhora da Boavista, no Porto, na quinta-feira 11 de junho de 2026, às 15h30, seguindo depois para o cemitério de Fânzeres, onde vai a sepultar em jazigo da Congregação. Entretanto, assim que nos for possível, daremos mais detalhes sobre a câmara ardente, para quem desejar nela participar.
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NOTA BIOGRÁFICA DO P. GIULIO CARRARA
O P. Giulio Carrara nasceu a 20 de dezembro de 1930, em Cornale, território do Comune de Pradalunga, Província de Bergamo, no norte da Itália. Era filho de Erminio Carrara e de Barbara Stancheris. Recebeu o batismo dia seguinte ao seu nascimento, 21 de dezembro de 1930, na paróquia local de S. Luzia, virgem e mártir, em Cornale, diocese de Bergamo. Nessa mesma paróquia, depois de ter sido instruído na doutrina cristã e de ter recebido a primeira comunhão, recebeu o sacramento da confirmação aos sete anos de idade, no dia 23 de julho de 1938.
Ingressou nos seminários da congregação dehoniana, na Sucola Apostolica Sacro Cuore, em Albino, diocese de Bergamo, em 1941, tendo aí frequentado os cinco anos do ginnasio, que completou em 1948. No final desse ano letivo, a 27 de junho de 1948, foi recebido postulante na Congregação, ainda na Scuola Apostolica de Albino. No dia 28 de setembro de 1948, iniciou o seu ano de noviciado em Albisola Superiore, vindo a professar um ano mais tarde, a 29 de setembro de 1949, quando tomou o nome religioso de Giovanni.
Continuou a sua formação religiosa e os seus estudos de filosofia em Monza, no Istituto Missionario Sacro Cuore, entre 1949 e 1953. No final deste percurso, emitiu os seus votos perpétuos, no dia 29 de setembro de 1953. Nos dois anos seguintes (1953-1955), regressou às suas origens, à Província de Bergamo e à Scuola Apostolica de Albino, para fazer os dois anos de prefeito, colaborando na formação dos seminaristas. Findos estes anos, prosseguiu a sua formação, com o estudo dos quatro anos de teologia e um de pastoral, no Studentato per le Missioni, em Bolonha, entre 1955 e 1960. Nesses anos, foi recebendo as chamadas ordens menores, todas elas administradas pelo então arcebispo de Bolonha, Cardeal Giacomo Lercaro, que foram marcando a evolução do seu percurso formativo: a tonsura a 25 de fevereiro 1956; o ostiariado e leitorado a 16 de março de 1957; o exorcistado e o acolitado a 6 de abril de 1957; o subdiaconado a 1 de março de 1958. A 22 de março de 1958, recebeu a ordenação diaconal e, a 22 de junho de 1958, a ordenação presbiteral.
Como presbítero, a sua missão haveria de começar na Suola Apostolica Sacro Cuore, em Albino, onde ele mesmo tinha dado os primeiros passos na Congregação e já tinha colaborado como prefeito. Aí trabalhou entre 1960 e 1965, como prefeito de disciplina, ou seja, como formador dos seminaristas. A partir de 1964, assumiu o papel de conselheiro da comunidade.
A história do P. Giulio Carrara em Portugal começa em 1965: em outubro desse ano, na Escola Apostólica Padre Dehon, mais tarde Seminário Missionário Padre Dehon, que funcionava na Rua Azevedo Coutinho, n. 103, na zona da Boavista, onde atualmente está instalada a Paróquia de Nossa Senhora da Boavista. Aí assumia o papel de prefeito de disciplina e de vice-reitor do seminário menor. Viria a manter-se como formador no seminário, até este passar a funcionar unicamente nas novas instalações na Quinta da Portelinha, em Fânzeres – Gondomar. Nessa altura, o P. Giulio Carrara manteve-se na Boavista e foi dando continuidade ao trabalho pastoral já iniciado, que viria a culminar na criação da Paróquia experimental de Nossa Senhora da Boavista, em 1973, tendo permanecido como pároco até 2012.
Ao longo destes anos, o P. Carrara foi assumindo diversos serviços nos órgãos de gestão da comunidade em que viveu e da Província. Foi nomeado para vários mandatos do Conselho Provincial (1970-1973; 1985-1988; 1988-1991; 1994-1997). Além disso, integrou várias comissões provinciais, de que destacamos o seu envolvimento na Comissão Provincial do Apostolado e na Comissão Provincial de Justiça e Paz.
Na comunidade diocesana do Porto foi também bastante ativo, como demonstram estes serviços que assumiu, a par da paroquialidade de Nossa Senhora da Boavista: confessor no Seminário Maior do Porto; Capelão das Irmãs Carmelitas, em Francos; Capelão do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, na Avenida da Boavista, das Religiosas do Sagrado Coração de Maria; Membro da Comissão Ecuménica Diocesana.
Voltamos à Paróquia de Nossa Senhora da Boavista. À medida que a comunidade paroquial se foi consolidando, também foram nascendo as várias construções por ele idealizadas juntamente com a comunidade paroquial. Lembramo-las aqui, também para perceber o génio pastoral e cultural deste grande apóstolo do Coração de Jesus:
- O complexo paroquial, com a igreja paroquial e o centro social paroquial, obra arquitetónica da autoria de Agostinho Ricca, sendo a igreja embelezada com obras do Mestre Júlio Resende (de que se destacam os vitrais), bem como de Zulmiro de Carvalho, Francisco Laranjo, Manuel de Aguiar, entre outros. Esta concentração de arte demonstra bem como o P. Giulio Carrara foi um promotor de diálogos da fé com a melhor arte que se produzia na cidade do Porto. Salientamos algumas datas importantes deste processo, que se cruzam com a vida do P. Carrara: lançamento da primeira pedra, em dezembro de 1977, inauguração e dedicação da igreja a 31 de maio de 1981 pelo então bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. Numa segunda fase, assistimos à construção do centro social paroquial, entre 1986 e 1991.
Vale a pena escutar a forma como o P. Carrara acompanhou as construções da igreja, naquilo que podemos chamar uma verdadeira atenção pastoral às pessoas que ali trabalharam: «Assistíamos os trabalhadores, brincávamos com os trabalhadores, fazíamos jogos de futebol com eles no espaço que tínhamos na construção. E os trabalhadores aderiram com muito gosto à nossa ação social e religiosa» (A força da disponibilidade, p. 347, nota 624).
- Incluímos aqui a conceção e construção do órgão de tubos da igreja de Nossa Senhora da Boavista, da autoria de Joaquín Lois Cabello, de Tordesilhas, Espanha, que culminaria com a sua inauguração em dezembro de 2004.
- No culminar de todo este processo de construções, ressaltamos a construção da igreja dos Pastorinhos, no bairro de Francos, dedicada pelo então bispo do Porto, D. Manuel Clemente, a 17 de junho de 2012.
A história do P. Giulio Carrara como pároco fica marcada pela proximidade com que sempre trabalhou, destacando-se por uma grande atenção à formação da juventude e pela dimensão comunitária que procurou imprimir aos vários projetos pastorais que desenvolveu. Apesar de estrangeiro, é inegável que a cidade do Porto o assumiu como um dos seus: não exageramos se dissermos que, com o seu génio pastoral, deixa marcas indeléveis na cidade invicta. Neste campo, destacamos o seu envolvimento com o Boavista Futebol Clube, onde foi diretor de juventude e cultura, a partir de 1990.
Não foi por acaso que a Câmara Municipal do Porto o agraciou por duas vezes com a Medalha de Mérito:
- Grau Prata, em 15 de junho de 1989, pelo trabalho de índole social e educacional de crianças e jovens;
- Grau Ouro, em 4 de abril de 2009, em atenção às suas qualidades de homem de clero, sempre na defesa dos que mais dificuldades têm de se defender e o seu especial contributo pelo destino social, cívico e educacional em gerações de famílias.
O seu mérito não foi esquecido pela sua nação de origem. O Presidente da República Italiana, Carlo Azeglio Ciampi, agraciou-o no dia 3 de agosto de 2002, com o título de Grande Oficial da Ordem da Estrela da Solidariedade Italiana.
Em 2012, o P. Giulio Carrara cessou as suas funções paroquiais, sem deixar de viver a sua entrega a Deus e aos irmãos. Em 2013, passou a residir no Centro Dehoniano, no Porto, onde permaneceu até 2018, quando foi transferido para o Seminário Missionário Padre Dehon, em Fânzeres, para viver um tempo de repouso com melhor qualidade. Nesta altura, além dos cuidados que lhe eram garantidos pela comunidade residente, o P. Carrara frequentou o Centro de Dia do Centro Social de Rio Tinto, no sentido de lhe proporcionar um envelhecimento sereno, com qualidade de vida.
Entretanto, já mais debilitado na sua saúde, em dezembro de 2023, mantendo-se como membro da comunidade do Seminário Missionário Padre Dehon, o P. Giulio Carrara passou a viver na Casa Sacerdotal da Diocese do Porto, onde foi possível garantir-lhe assistência adequada ao seu estado de saúde.
A Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus – Dehonianos manifesta a sua gratidão a todas as pessoas e instituições que se desdobraram para assegurar o cuidado do P. Giulio Carrara, nomeadamente ao Centro de Dia do Centro Social de Rio Tinto e à Casa Sacerdotal da Diocese do Porto.
Pe. Ricardo Jorge Ribeiro Freire de Oliveira, scj
Secretário Provincial
HORÁRIOS DAS CELEBRAÇÕES FÚNEBRES
As celebrações fúnebres terão lugar na Paróquia de Nossa Senhora da Boavista
(R. Azevedo Coutinho 103 – Porto)
QUARTA-FEIRA | 10 de junho
16h00 – Início da câmara ardente (na capela mortuária)
QUINTA-FEIRA | 11 de junho
9h00 – Início da câmara ardente (na igreja paroquial)
12h30 – Missa de sufrágio pelo P. Giulio Carrara
15h30 – Missa exequial presidida por D. Manuel Linda, bispo do Porto
O funeral seguirá para o cemitério de Fânzeres, em Gondomar, onde o P. Giulio Carrara será sepultado no jazigo da Congregação.
Desde já agradecemos, em nome da família e da Congregação, a todas as pessoas que se dignarem rezar pelo eterno descanso do P. Carrara e, na medida das suas possibilidades, participar na celebração das exéquias.
Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso nos esplendores da luz perpétua.




