Estamos em Bruxelas!
Para trás fica uma semana cheia, vivida entre La Capelle e St. Quentin, terras que tanto nos dizem.
Os dias correram sobretudo à volta das temáticas que havia para estudar, seja na forma de conferências, de trabalho pessoal, de trabalho em pequenos grupos ou em sessões de partilha. Ao Pe. Stefan Tertünte sucedeu o Pe. André Perroux, que nos veio falar da questão do antisemitismo na vida, pensamento e escritos do Pe. Dehon.
Foi bom termos abordado a temática. Sabíamos que era questão polémica, que se levantou sobretudo por ocasião da adiada beatificação do nosso Fundador. Ficámos a conhecer melhor a questão, a saber lidar melhor com os escritos do Pe. Dehon, a não corrermos o risco de nem negarmos a existência da questão nem de a empolarmos, procurando contextualizar o pensamento do Pe. Dehon e analisá-lo à luz do seu tempo. Foi um diálogo bem interessante e participado o que se gerou ao longo das sessões.
A vida por estes dias é feita de estudo e de reflexão. Mas é também convívio e oportunidade para conhecer melhor as terras em que estamos. Os convívios são sobretudo à noite, com a apresentação das respectivas Províncias e a festa à volta da mesa, feita de comes e bebes típicos de cada país, de jogos e canções, de muita partilha e, claro, dos inevitáveis jogos de cartas.
Tivemos visita guiada a La Capelle. Não há muito que ver e, por isso mesmo, o Pe. Pedro Verdú despachou a questão em duas penadas, com visita à igreja, ao cemitério e à capela que terá estado na origem da terra e do respectivo nome. No cemitério visitámos o túmulo que acolhe os restos mortais de muitos dos familiares do Pe. Dehon, nomeadamente os pais, o irmão Henri e alguns sobrinhos. A igreja tem sobretudo a particularidade de ser lugar onde o Pe. Dehon celebrou muitas vezes, e também o facto de ter sido construída com a ajuda da família Dehon, como o comprova um dos vitrais nela presente. Foi curto o percurso, mas carregado de simbolismo e emoção.
Não menos emocionante haveria de ser a visita feita a St. Quentin, terra onde tanto trabalhou o Pe. Dehon. Foi com muita emoção que rezámos juntos à volta do túmulo do nosso Fundador e depois celebrámos Missa na mesma igreja de St. Martin, por cuja construção o Pe. Dehon tanto trabalhou. Depois passámos por lugares carregados de história dehoniana: a Basílica onde o Pe. Dehon foi Vigário, o que resta do Colégio São João, da Obra São José ou do Colégio e Escola Apostólica São Clemente… E ainda fomos ao cemitério, rezar à volta do túmulo onde estão sepultados alguns dos primeiros dehonianos. Foi uma verdadeira peregrinação, muito bem orientada pelo Pe. Marcel, um dos padres que fazem parte da comunidade dehoniana de St. Quentin.
Neste Domingo, 16 de Julho, rumámos finalmente a Bruxelas, terminada que foi a nossa Missão por terras francesas. Celebrámos Missa na igreja de La Capelle, Missa que foi presidida pelo Pe. Perroux e que teve a particularidade de ter o José Domingos como organista, que se encheu de brios por tocar no órgão de tubos que vem já de tempos anteriores ao Pe. Dehon, e que já tinha sido órgão de serviço na antiga igreja, entretanto desaparecida. Foi a primeira internacionalização do artista, e, ao que consta, aprovada com distinção!
| José Agostinho, scj |