Quando falamos com uma criança, uma das perguntas inevitáveis, que lhe fazemos logo nos primeiros minutos da conversa, é “o que queres ser quando fores grande?”. As respostas que escutamos são habitualmente surpreendentes, fundadas mais no sonho e na imaginação do que na realidade e na razão, e suscitam aquela alegre bonomia de quem gasta algum do seu tempo a falar com os mais pequenos.

“O que queres ser quando fores grande?” é uma pergunta que se refere ao lugar que cada ser humano descobre e assume como o seu neste mundo. Cada um de nós é chamado a algo. A nossa passagem por esta terra não é obra do acaso nem é um trajecto aleatório. Levamos connosco um projecto ou, melhor dito, uma missão, que nos toca primeiramente conhecer e aceitar para depois realizar. O termo clássico para designar esta descoberta tão importante na vida de cada um de nós é vocação.

A palavra vocação tem a sua origem no verbo latino “vocare”, que significa “chamar”. A vocação aparece, portanto, como o encontro entre o chamamento de Deus e a resposta do ser humano. Deus é sempre a origem e o princípio de toda a vocação, pois só Ele pode apresentar a cada pessoa uma proposta de missão que afecta e transforma – quando aceite com entusiasmo e convicção – toda a sua vida.

Em contexto cristão, a vocação pode ser compreendida como o chamamento a ser amigo de Jesus. Os Evangelhos dizem-nos que um dos primeiros gestos de Jesus foi chamar e juntar à sua volta alguns discípulos para andarem com Ele e continuarem a Sua missão (Mc 1,16-20). A vocação designa, por conseguinte, este serviço missionário prestado aos outros de múltiplas formas e que promove o bem comum, a partir das inúmeras capacidades que cada pessoa recebeu. Por isso, quando uma pessoa reconhece o chamamento de Deus e o segue com alegria e entrega total, então torna-se completa e feliz.

Uma forma mais específica da vocação cristã é a vocação à vida consagrada. Esta é um chamamento de Deus para ser um amigo muito próximo de Jesus, disposto a viver como Ele viveu. Consagrar-se a Deus em pobreza, castidade e obediência é dedicar toda a vida a Deus e aos irmãos. Consagrar-se a Deus numa vida em comum com outras pessoas é dar a Deus o primeiro lugar e querer encontrar n’Ele todo o apoio, alegria e felicidade.

Assumir a vocação consagrada ao estilo do Padre Dehon é procurar viver tudo isto, pondo uma ênfase especial na entrega da própria vida ao Pai e aos mais necessitados. É descobrir em si este apelo a ser profeta do amor e servidor da reconciliação dos homens e do mundo em Cristo.

Se sentes uma especial atracção por este ideal de vida, não hesites mais e entra em contacto connosco, através de um dos seguintes endereços de correio electrónico:

Pe. Paulo Coelho: paulojorge@dehonianos.org (Lisboa)
Pe. Pedro Sousa: petrus@dehonianos.org (Porto)
Pe. Juan Noite: Juan_noite@dehonianos.org (Madeira)

 

Mas, se é Deus quem chama, Ele não o faz sempre de forma directa e imediata. É preciso, por conseguinte, descobrir e conhecer os caminhos ou mediações de que Ele se serve para chamar o ser humano.

Os principais caminhos utilizados por Deus podem reduzir-se a três, que, de alguma forma, compendiam as diversas possibilidades existentes, a saber: aquele impulso ou tendência natural que atrai e empurra para um determinado modo de ser e de estar, ao mesmo tempo que afasta e rejeita outros; o ambiente como o conjunto das primeiras relações fundamentais – normalmente a família e a escola – que configuram a pessoa numa cultura e a ajudam a conectar-se com aquilo que lhe é mais natural; e a história, na medida em que as necessidades e as potencialidades de uma época podem afectar e questionar a pessoa em processo de discernimento vocacional.

No entanto, para além do Deus que chama, a vocação inclui sempre o ser humano que responde. Se o chamamento indica o caminho a percorrer, a resposta é o acolhimento dessa proposta. É preciso ter em conta que, ao nível da resposta humana, pode chegar-se mesmo à recusa do chamamento divino. Com efeito, as falhas na resposta podem dever-se a uma consciência reduzida das dificuldades inerentes a qualquer vocação autêntica, à falta de uma abertura sincera aos outros, às influências adversas do ambiente e à dificuldade em se deixar acompanhar por alguém mais experimentado.