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Diz-se que palavras leva-as o vento, mas não se pode subestimar a força da palavra, mesmo nos dias de hoje, em que a imagem parece ser quem manda. Uma palavra adequada no momento certo pode mudar a vida duma pessoa. Do mesmo modo, as palavras podem motivar-nos para enfrentar esta crise ecológica.

O problema ecológico é real: não é uma invenção nem uma fantasia de uns quantos nefelibatas românticos. Diz o papa Francisco: «como frequentemente acontece em épocas de crises profundas, que exigem decisões corajosas, somos tentados a pensar que aquilo que está a acontecer não é verdade. Se nos detivermos na superfície, para além de alguns sinais visíveis de poluição e degradação, parece que as coisas não estejam assim tão graves e que o planeta poderia subsistir ainda por muito tempo nas condições actuais. Este comportamento evasivo serve-nos para mantermos os nossos estilos de vida, de produção e consumo. É a forma como o ser humano se organiza para alimentar todos os vícios autodestrutivos: tenta não os ver, luta para não os reconhecer, adia as decisões importantes, age como se nada tivesse acontecido» (LS 59). A verdade é que os sinais são mesmo evidentes e estão à vista de todos, pelo que pretender ignorá-los roça quase a má vontade. Esses sinais são facilmente reconhecíveis e não exigem grandes reflexões para chegarmos a esta conclusão. Repito: não se trata de um filme de ficção científica, mas é a mais pura realidade.

O problema ecológico é «grave» (LS 5. 28. 186). No actual momento, constatamos que as catástrofes naturais são cada vez mais frequentes; o aquecimento global segue imparável; o degelo nos pólos não pára de aumentar, bem como o nível médio de água do mar; todos os anos morrem milhares de pessoas devido aos efeitos da poluição. Num tempo em que os ventiladores se tornaram tão importantes, o nosso mundo deve estar a precisar que o liguem à máquina.

O problema ecológico é «urgente» (LS 4. 13. 192). As soluções devem ser adoptadas imediatamente. Não há tempo a perder para gerar novos hábitos que respeitem e cuidem do planeta. Não podemos continuar a insistir em comportamentos que agridem constantemente o ambiente. Da mesma forma que gostamos de ser atendidos rapidamente no hospital, quando estamos doentes, porque não pomos a mesma celeridade em curar esta enfermidade que a todos nos afecta?

O problema ecológico é «global» (LS 3. 25. 164). Ninguém está imune a ele. Nenhum país poderá dizer que é um problema que não lhe diz respeito ou que lhe escapa. Não há lugar do mundo que esteja a salvo deste problema: os “oásis” estão a desaparecer e não chegam para todos.

São apenas quatro palavras, mas podem ajudar-nos a ganhar maior consciência das dimensões da crise ecológica que estamos a viver. Deixemos que estas palavras penetrem no nosso coração e nos movam à acção…

José Domingos Ferreira, scj