Acredito sinceramente que conseguiremos mudar os nossos hábitos e comportamentos e que assim seremos capazes de vencer o grande desafio das alterações climáticas. Sinto que tem vindo a ganhar espaço uma nova consciência ecológica.

As próprias marcas e empresas mostram-se agora mais sensíveis a esta realidade. Parece-me que, de uma forma crescente, o ecológico está a atrair a atenção dos consumidores. «As questões ambientais têm estado cada vez mais presentes na agenda pública e tornaram-se um convite permanente a pensar a longo prazo» (LS 166).

No entanto, quero lembrar um critério educativo/formativo que me parece decisivo, para que esta mudança não seja travada nem esta consciência ecológica se degrade numa moda passageira. Precisamos de nos convencer a nós próprios e depois ensinar aos mais novos este critério: preferir o bom ao cómodo ou ao mais gratificante a curto prazo. Ainda que teoricamente nos possa parecer algo evidente, uma cultura seduzida pela busca da satisfação imediata sente certamente grandes dificuldades para entender este princípio. Também para os mais novos, apesar da sua enorme sensibilidade ecológica, não é fácil dar corpo a este critério, uma vez que nasceram e aprenderam a respirar no seio de uma sociedade hiperconsumista e não conhecem outra alternativa. Com efeito, «a cultura consumista dá prioridade ao curto prazo e aos interesses privados e pode favorecer análises demasiado rápidas ou consentir a ocultação de informação» (LS 184). E isto que acaba sempre por debilitar a percepção do que é o bem.

J. Bucay escreveu que, “no mundo do humano, tudo aquilo que é bom é caro”. Na verdade, nas questões mais importantes da existência humana, não há saldos nem descontos nem promoções. Nas questões mais importantes da existência humana, só há amor e esforço e com este tipo de mão-de-obra o produto fica caro, como sempre são mais caras as obras de arte ou as peças de autor. Nas questões mais importantes da existência humana, não podemos nivelar por baixo nem permitir que tal aconteça.

A própria psicologia ensina que amadurecem com mais profundidade, chegam muito mais longe e superam melhor as adversidades as pessoas que se enfrentam com as dificuldades da vida, que são capazes de assumir com naturalidade certa frustração dos seus desejos ou que os limitam em função de valores mais amplos carregados de sentido. Na verdade, se não aprendemos a limitar-nos e a tolerar uma certa frustração dos nossos desejos, não alcançaremos resultados verdadeiramente promissores.

Recorda-nos o papa Francisco que «sempre somos mais fecundos quando temos maior preocupação por gerar processos do que por dominar espaços de poder. A grandeza política mostra-se quando, em momentos difíceis, se trabalha com base em grandes princípios e pensando no bem comum a longo prazo» (LS 178).

José Domingos Ferreira, scj