Print Friendly, PDF & Email

Depois de uma segunda-feira de chuva, de vento e de frio, em Roma, a terça-feira amanheceu vestida de sol, sem vento e com uma temperatura amena. A multidão imensa comprimia-se na praça de S. Pedro e nas outras praças e ruas vizinhas.

O Papa Francisco apareceu em carro aberto, vestido de branco e sorriso nos lábios, acenando à multidão. De repetente mandou parar o carro, desceu e, como outrora o Poverello de Assis, diante do leproso, em Rivotorto, inclinou-se a beijar e abençoar um doente. Assim deu ao mundo um exemplo concreto da bondade e da ternura que não se tem cansado de pregar. “Não te esqueças dos pobres”, dissera-lhe o cardeal Humes. Os pobres mais pobres são os doentes. Francisco lembra-os com as suas palavras e com as suas atitudes.

Junto ao túmulo de Pedro, Francisco recebe as insígnias pontificais: o pálio e o anel do Pescador, sinais do seu poder que, como todo o poder dado por Deus aos homens, só existe para servir.

Segue a celebração eucarística, memorial do Senhor, que veio para servir e não para ser servido e que serviu até à morte e morte de cruz. Multiplicam-se os gestos, os sinais, a Palavra e as palavras, as orações, os cânticos. Francisco preside sereno e confiante. Não canta. Não parece sequer um orador brilhante, apesar da riqueza da sua doutrina. Ninguém neste mundo tem todas as qualidades. O Papa é não é um semideus, mas um simples homem e, como todos os outros homens, tens as suas qualidades e virtudes, mas também os seus limites e fragilidades. Exige-se muito ao Papa, mas, como lembrava um cardeal antes do conclave, ninguém tem todas as qualidades que seriam precisas para o exercício dessa missão. O mesmo se pode dizer dos outros pastores do povo de Deus, bispos, padres, diáconos. Cada um serve a Deus e aos outros como sabe e pode. O importante é que se dê todo e se gaste como vela que ilumina e aquece no meio das trevas deste mundo. Parece-me essa a disposição do Papa Francisco: deu-se totalmente ao serviço de Deus e dos homens. Serve com os seus gestos, com as suas iniciativas, com a sua simplicidade, com a sua humildade, com a sua bondade e com a ternura do seu coração de pastor. Serve aos pequenos e humildes e serve aos grandes e poderosos, estimulando-os ao exercício correto do seu poder, como se viu na receção às delegações oficiais presentes na missa inaugural do pontificado.

Acendeu-se uma luz e uma esperança no mundo. Ad multos annos, Papa Francisco!

 

Fernando Fonseca, scj