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Que o fim-de-semana foi muito intenso e cheio de emoções, todos o sabemos e estamos ainda a sentir, certamente. Mas é preciso que tudo o que foi vivido de forma tão intensa na Cova da Iria não se limite ao momento, mas se prolongue no tempo. 

Em Fátima, foi a Igreja que se reuniu e celebrou à volta do Papa Francisco, em comunhão com todos os outros que não puderam estar fisicamente presentes, mas que certamente celebraram à distância, profundamente unidos a nós, os que tivemos o privilégio de participar ao vivo.

Foi uma Igreja que veio do mundo inteiro para viver momentos que o tempo não apagará. Destes dias 12 e 13 de maio de celebração jubilar fica muita coisa para a história. Ficam 100 anos de história, uma história escrita por tantos milhões de peregrinos, uma história que vai certamente continuar a ser escrita por outros milhões; fica a graça de termos mais dois santos a iluminar o nosso caminho; fica a mensagem simples, mas forte e acutilante do peregrino mais especial destes dias em Fátima: o Papa Francisco.

Discutiu-se muito acerca da linguagem mais apropriada para falar do que aconteceu em Fátima em 1917, do lugar que Fátima deve ocupar na vida dos católicos… O certo é que Fátima se foi impondo ao longo destes 100 anos e fica bem claro que ganhou uma dimensão universal inegável. Pode-se discutir a justeza de certos comportamentos e de algumas ações, mas parece-me mais difícil não reconhecer a riqueza e atualidade duma mensagem que nos desperta para a necessidade duma permanente conversão, de intensa vida de oração, de renovada esperança e confiança na misericórdia de Deus, dos esforços que todos devemos fazer na edificação de um mundo com mais paz e justiça.

Santa Jacinta e São Francisco Marto cativam-nos pela sua simplicidade de crianças, pela grandeza e profundidade da sua fé, pela generosa disponibilidade no cumprimento da vontade de Deus, mesmo que essa exigisse sofrimentos e penitência, pela fidelidade inquebrantável aos compromissos assumidos com Deus e com Nossa Senhora. Como dizia o Papa já depois de ter regressado a Roma, a canonização destes pastorinhos é também um despertar de consciências e um alerta para a situação de fragilidade em que se encontram muitas crianças no nosso mundo de hoje.

O Papa Francisco passou pouco tempo entre nós. Mas foi o suficiente para nos deixar desafios importantes e nos recordar que todos nos devemos sentir responsáveis pela edificação duma Igreja evangelizadora, mais simples, humilde, acolhedora, pobre e fraterna, uma Igreja pobre em meios, mas rica em amor, de onde ninguém deve ser excluído. Pediu-nos que não ficássemos indiferentes aos grandes dramas da humanidade dos nossos dias e que nos sentíssemos, com ele, verdadeiros peregrinos na esperança e na paz. E sabemos que não trilhamos sozinhos os caminhos da vida, porque Deus não nos abandona e Maria também nos acompanha com a sua proteção maternal: temos Mãe! insistiu o Papa.

Para o Papa Francisco, Fátima é um manto de luz que se estende sobre a humanidade, um lugar onde os crentes se devem unir na luta contra a indiferença que tantas vezes carateriza o nosso mundo de hoje. Se assim for, Fátima continuará a ser esse altar do mundo, esse lugar de encontro e de peregrinação, onde continuarão a chegar multidões, vindas dos quatro cantos do mundo, para se encontrarem com a Mãe e com ela contemplar o Senhor Jesus, nosso Salvador, nossa luz pascal, que nos quer sentinelas da madrugada, testemunhas da alegria e da esperança pascais.

 

José Agostinho Sousa, scj