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A noite Reasons Why surge da vontade de partilha da visão dos jovens, desformatando o lado regrado da Igreja, colocando de parte os filtros e comunicando exclusivamente com o coração.

Um 4×4 ao ritmo da fé, no sentir e no sentido de cada um, onde se uniram as mãos, transformando o toque numa força coletiva, selada com o conforto de uma saudação.

Uma homilia proferida pelo Padre Pedro Sousa, transmitindo uma reflexão profunda, que nos fez pensar na barreira inconscientemente criada por cada um de nós e que nos impossibilita, tantas vezes de estarmos na nossa luz e na luz de Deus. Um instante emotivo, em que libertamos pela dor a lágrima e inspiramos a alegria, num caminho que é nosso, num caminho em que precisamos do silêncio, não da solidão. Um caminho acompanho pela convivência com os outros.

Um jantar de partilha se seguiu, em que cada um carregou consigo o seu alimento e o dividiu à comunidade presente. Como é bom sentir que estamos num espaço até então desconhecido, com pessoas que nunca nos havíamos cruzado antes, e conseguirmos fazer daquela casa, a nossa casa. Revela que a presença da autenticidade e da verdade são duas das chaves, que nos impulsionam para o aconchego. Tratarmos dos outros tal como gostávamos que nos tratassem, abrindo a expressão mais bela e emotiva do ser humano, deixando assim, transparecer o sorriso no rosto, levando a tranquilidade ao nosso íntimo.

E a noite ainda não terminara. A hora da revelação das experiências de fé estava prestes a chegar. Numa organização pormenorizada, sem a adição de regras, os convidados tomaram os seus lugares, apresentando-se. Seguiu-se uma longa e construtiva conversa. Um momento de humor sério. Um diálogo entre D. Armando Esteves Domingues, Bispo auxiliar do Porto; Irmã Maria Alarcão das Escravas do Sagrado Coração de Jesus; Filipa Luz, jovem profissional de Gerontologia; Rodrigo Guimarães, estudante de Direito; Rita Gonçalves, jovem profissional de comunicação; e Mariana Carvalho, estudante de humanidades, conduzido por Ana Luís Faria, jovem médica, onde foram retiradas as aspas e fortificaram as palavras. Um discurso fluído, em que o medo de expor sentimentos de como é vivida a Igreja em relação à fé de cada um, não existiu. Desmistificou-se a formatação de uma sociedade, e consequentemente da mesma em relação a uma doutrina, que ao contrário do que se julga não tem de ser mantida pelas normas, mas sim, pelo reconhecimento do que é o amor, a amizade, a partilha, a ajuda continua a quem está do nosso e ao nosso lado. Afinal, e como disse o Padre Pedro na homilia: “Deus ilumina-te porque ele não te julga, Ele ama, Ele salva, Ele ilumina a nossa vida.”, e assim é.

E já com a certeza de que não somos únicos, que existem pessoas como nós e que não estamos sós, fomos reconfortados por um chá.

Um encontro todo terreno, que confirma que o nosso caminho tem lacunas, onde perfeito é aceitarmos a imperfeição do que somos e do que doamos ao mundo.

Cristiana Vaz

 

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