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12ª Assembleia Geral da UCESM
(União das Conferências Europeias dos Superiores/as Maiores)
Fátima, 6-12 de Fevereiro de 2006
A nossa vida espiritual face aos desafios europeus

MENSAGEM ÀS RELIGIOSAS E AOS RELIGIOSOS DA EUROPA

A Europa encontra-se diante de múltiplos desafios que suscitam, ao mesmo tempo, esperança e criatividade, medo, recuos e desconfiança. Estes desafios dizem respeito a todos nós. São também os nossos, para nós religiosas e religiosos, naquilo que é mais essencial e mais precioso: a vida e o seu sentido, a dignidade de toda a pessoa, a justiça e a paz. Partilhamos com os nossos contemporâneos as mesmas feridas, as mesmas vulnerabilidades e inseguranças. Trabalhamos para construir uma maior unidade, num verdadeiro respeito pelo outro.

É bom tomar consciência de toda a riqueza da vida religiosa. O seguimento de Cristo contém biblioteca sobre os quais nos podemos apoiar hoje.

– O primado de Deus nas nossas vidas faz deste tempo um tempo de graça. Ter confiança em Jesus Cristo ancora-nos profundamente em Deus e torna possível a confiança em nós mesmos e nos outros. A experiência da oração e da contemplação faz de nós testemunhas capazes de propor a fé num mundo à procura de sentido, muitas vezes sem esperança e incerto perante o futuro.

– A vida comunitária ensina-nos a «viver juntos», o que é exigente e rico em humanidade. Abre-nos ao acolhimento da diversidade e à aprendizagem paciente do diálogo e do encontro. Constitui para nós um convite a ultrapassar o individualismo e a romper o círculo do medo do outro, do estrangeiro, das diferenças… Leva a solidariedades mais amplas entre congregações, entre culturas, entre religiões… É um lugar de discernimento permanente para a missão.

– A reconciliação é para cada um de nós o fruto de uma experiência de diálogo, de verdade e de humildade que nos faz descobrir a força do perdão. Tornamo-nos portadores deste perdão, capaz de curar as fracturas em nós e entre nós, entre os povos que sofrem o peso da história e nas nossas sociedades marcadas pela violência.

– Os votos de castidade, de pobreza e de obediência, escolhidos livremente, orientam o desejo profundo da pessoa e tornam-na capaz de amar e de servir. Ajudam-nos a libertar-nos da tentação de exercer a nossa omnipotência sobre o outro e a trabalhar para a dignidade de todo o ser humano, em particular os mais desprotegidos, face às escravidões de hoje.

– O acolhimento de Deus, que não cessa de nos surpreender, mesmo nas situações difíceis que atravessa a vida religiosa, convida-nos a perceber as esperanças e as expectativas de uma Europa que se constrói e «procura a sua alma». Precisamos de inventar novas maneiras de viver os carismas dos nossos fundadores para respondermos aos apelos mais urgentes do nosso tempo, sobretudo os dos jovens que são o futuro da Europa.

Juntamente com outros, os religiosos e as religiosas, confiantes na vida do Espírito e em Igreja, podem estar na iniciativa de caminhos novos para a Europa. É um apelo exigente a construir uma Europa segundo o coração de Deus.