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Na e da religião, diz-se tanto de tanta coisa que se torna difícil separar a verdade da mentira. Tantos jovens acabam por se afastar da comunidade cristã quase sempre por causa de alguém que se põe de permeio na sua relação com Jesus, o Cristo. Uma avó, um catequista ou um padre acabam por dizer e agir de um modo que os afasta. A dimensão da fé sofre uma “époquê”, ou seja, fica guardada na gaveta sem data exata de retoma. Este é o I Momento: “O Quê?” é que condenamos, o que nos afastou, o que não se compreende…

Tendo em conta as dinâmicas próprias de um grupo (um grupo de discipulado de 12), o poder da palavra, o fascínio e a atração de certas pessoas, a Pastoral Universitária Dehoniana, no Centro Dehoniano, tentou passar do cavalete e do esboço para o concreto um espaço de Pastoral descomplexado em que os participantes, entrando ou saindo (Cf. Mc 6,31b), sem filtros, de um modo informal, como o que encontramos em casa ou num grupo de amigos, partindo do muito que “Diz que disse”, e, sem dó nem piedade, possa ali lavar toda a roupa suja, desarrumada ou acumulada nas gavetas mais recônditas do ressentimento (II Momento: “Porquê?) e fazer uma coisa que habitualmente não se faz: ir à Palavra incarnada em nós (III Momento: “Como”)! Sabendo que tanta coisa começa por uma má interpretação de gestos e palavras que, talvez, teriam significado outra coisa e constatando a bondade que se perde no ir e no vir, ou, simplesmente, pelo facto de deixamos de comer laranjas porque se diz que “laranja à noite mata”, mesmo se de manhã é de ouro e ao almoço de prata…

Assim vimos surgir dois grupos que se têm reunido uma vez por mês (14 e 16 dezembro; 7 e 12 janeiro). Um grupo de amigos que se torna uma família, onde se pretende partilhar a vida à volta de duas mesas – a da refeição e a da Palavra (entre-tanto, reduzida só à segunda por causa das normas de confinamento).

Há sempre um tema, preparado por dois jovens e coadjuvados pelos padres. O encontro termina com uma reconfiguração, reintegração e um reSurgir do experimentado (IV Momento: “O que é que fica?”), bem como, por um tempo para deixar a poeira assentar e sedimentar espiritualmente (oração).

Assim se tem feito Pastoral Universitária!

Pe. Humberto Martins