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No passado dia 8 e 9 de Novembro, realizou-se em Roma um colóquio internacional sobre a devoção ao Coração de Jesus, organizado pela Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) e pela Universidade Pedagógica de Lucerna.

Realizado na Casa Geral dos Dehonianos, este congresso destinava-se a todos os interessados no tema, pelo que apareceram pessoas de diversas congregações religiosas, leigos… em número superior a cem participantes.

Ao longo de dia e meio de apresentações e conferências dos vários especialistas, vindos dos quatro cantos do mundo, foi possível aprofundar de forma interdisciplinar os diferentes aspectos que tocam esta devoção.

Num primeiro momento, os oradores centraram-se na dimensão da memória, do corpo e da emoção, ao longo da história. Relembraram, uma vez mais, que o coração não pode ser separado do corpo de Jesus, mas que aponta para uma dimensão interior, simbólica, feita de emoções e sentimentos. Debruçaram-se, de maneira especial, sobre as estratégias utilizadas para alimentar a memória ao longo dos séculos, o que é bem visível na pintura e nas imagens utilizadas.

Num segundo momento, a atenção esteve voltada para as transformações e as dimensões transculturais que afectaram esta devoção. A necessidade de ligar o coração ao corpo aparece então como um antídoto contra a hiper-valorização do elemento emotivo, ao mesmo tempo que remete para a eucaristia, enquanto corpo e sangue de Jesus.

Seguiram-se interessantes conferências que procuraram mostrar como esta devoção tem sido actualizada ao longo dos tempos e em diversos lugares. Para além do exemplo suíço e espanhol, foi bastante interessante a acção de Maxime Charles (1969-1985), enquanto reitor da basílica do Sagrado Coração de Montmartre, pois conseguiu renovar profundamente esta devoção no contexto da cidade parisiense. Outro exemplo é a devoção do Sagrado Coração de Ganjuran na Indonésia. Trata-se de um caso paradigmático do encontro entre uma devoção vinda da Europa e a cultura javanesa. Daqui brotou um casamento feliz entre ambas e que, por isso mesmo, merece ser mais conhecido.

A última parte do congresso centrou-se nas reflexões teológicas. Mereceu particular destaque o lugar da imaginação nesta devoção como algo que importa valorizar, pois, em última instância, se não tenho imaginação, não tenho fé.

Esta feliz iniciativa possibilitou o encontro e a discussão dos vários aspectos que tocam esta devoção. Daqui brotaram algumas linhas de actualização que podem ser exploradas validamente no nosso meio, a saber: a dimensão ecológica; a interioridade; uma visão integral do ser humano; a valorização da imaginação na experiência espiritual.

José Domingos Ferreira, scj