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Jesus é o caminho que leva ao Pai. Só Ele é a vida da alma, o redentor, o mediador. É o intercessor atendido, a vítima agradável. Só Ele é reparador. As reparações dos homens não têm valor, se não estiverem unidas às suas. O Pai não se compraz senão com aqueles que estão unidos a Jesus. Ir a Jesus é, pois, o único meio para alcançar a nossa finalidade, porque só Ele leva ao Pai. Indo à sua humanidade, vê-se Deus, porque nele o homem está pessoalmente unido ao Verbo de Deus. Ir ao seu coração é o meio para possuir Jesus e o seu Pai” (L. DEHON, RSC 389).

“Esta vida de sacerdote e de vítima, de que o Coração de Jesus é princípio, sintetiza toda a vida, todos os actos interiores e exteriores de Nosso Senhor. Os três grandes rios de amor da Encarnação, da Paixão e da Eucaristia partem deste oceano (Cristo) e a ele regressam, depois de terem regado o mundo com o seu caudal vivificante e salutar. Aí encontramos tudo: todos os mistérios da salvação, todos os benefícios de Deus, todas as riquezas da sua graça e da sua misericórdia. O Coração de Jesus, sacerdote e vítima de amor, encerra tudo isto” (L. DEHON, CSJ 13).

A doutrina do Divino Mestre, e os seus ensinamentos resumem-se neste preceito: “Amarás o Senhor, teu Deus, com toda a tua alma, com toda a tua mente… amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22, 37.39). Nisto, diz Jesus, consiste toda a lei e os profetas. Nisto consiste todo o Evangelho. E, finalmente, está todo o Coração de Jesus, que representa o amor encarnado de Deus pelos homens, e o amor dos homens por Deus. Examinando a pregação de Jesus, encontraremos sempre o ensino do amor devoto, generoso e filial para com Deus; do amor terno, suave e cheio de força pelos homens, que Jesus sempre trata como mestre, amigo, irmão e salvador. Os apóstolos do Coração de Jesus devem ir beber toda a sua eloquência ao Evangelho, que devem estudar incessantemente, meditar e, quase direi, devorar; devem apresentar este livro divino na sua forma nova, quer dizer, orientar tudo para a pregação do Coração de Jesus. O dogma, a moral, a liturgia das devoções particulares, a vida mística, tudo deve convergir para o Coração de Jesus. Só assim poremos em prática o seu ardente desejo: “Vim trazer o fogo à terra” (Lc 12, 49). Vim à terra para acender o fogo do amor”. (L. DEHON, EXT 8034170).

“Jesus não adorava só por si. Tudo o que Jesus, nosso sacerdote, fez em si mesmo, fê-lo por Si mesmo e por nós; fê-lo em nosso nome, em nosso lugar, em nosso favor, fazendo-se um só connosco, sem jamais se isolar de nós, levando-nos sempre consigo. Tudo isto porque Ele de algum modo não está completo senão connosco, segundo uma muito extraordinária expressão de S. Paulo: a Igreja, que é o seu Corpo e a sua plenitude. (Ef 1, 23).

Desta magnífica e tocante doutrina resulta que Nosso Senhor, sacerdote e vítima perfeitíssima de adoração, de louvor, de religião, diante da Majestade do Pai, durante toda a sua vida, sobre a cruz, no altar, no céu, nos faz sacerdotes e vítimas como Ele, com Ele e n’ Ele, porque é a Cabeça, o Rei de toda a criatura (Ap 1, 5-6). É o nosso representante junto do Pai; acolhe no seu coração sacerdotal as nossas almas; eleva-as para Deus e oferece-as em holocausto de louvor e adoração perfeita (Heb 7, 25ss.). Nada constitui obstáculo ao exercício deste sacerdócio. O seu acto de religião abraça tudo, todos os lugares e todos os tempos: imensa oblação, universal louvor, culto supremo oferecido a Deus, em nome de tudo o que não é Deus.

Jesus une muito particularmente ao seu sacerdócio as almas ornadas com a graça. Não somente as oferece, mas quer que elas se ofereçam com Ele e que toda a sua vida de fé seja uma espécie de sacerdócio; faz delas uma raça consagrada e um sacerdócio real (1Pd 2, 9).

Muito mais ainda, Jesus une a Si os sacerdotes da nova lei! Faz deles sacrificadores consigo. Oferece-se pelas suas mãos e pelos seus lábios” (L. DEHON, CSJ, 598).

P. Fernando Fonseca, SCJ.